light gazing, ışığa bakmak
Tuesday, July 26, 2011
Sunday, July 24, 2011
jantar eborense
no piso superior do Museu de Évora.
gostei de fazer isto, tanto como gostei de entrar neste museu que não tinha ainda visitado. Évora é uma outra baixa pombalina na minha vida, onde passo com quase a mesma frequência. quem sou quando passo, um jogo de semelhanças de cada vez. voltando: gostei da colecção de naturezas-mortas, poucas flores neste caso, mas várias refeições, algumas de Josefa de Óbidos. a cesta de bolos foi o que me atraiu ao museu. se olhar um só ponto da imagem e de um ponto de vista só, isso é ver menos? assim era o reading with a purpose, que praticava há alguns anos.
todas as imagens estão cortadas pela medida de um centro imaginário para onde olhei. adulterar a vista, a leitura.
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Ana V.
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6:23 PM
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TAGS Évora11
s/n
(poucas imagens depois de alguns desaires fotográficos e uma trabalhadora down). em Évora contento-me sendo turista, chegar e abrir a boca a tudo como se fosse extraordinário e nem querer saber se aquele gaspacho é desta aldeia ou daquela mas comê-lo e calar. em Lisboa, os autocarros turísticos param ao meu lado no trânsito trabalho-casa, quarenta olhos curiosos a imaginar a minha vida local - o que fazem eles aqui, como dormem como comem onde vão. essa vida que lhes é alheia e que não é fotografável para os álbuns. ou quase todos, talvez, queiram ser como eu em Évora, turista só.
à minha falta de registo se une o catalão de Josep Pla, em Viagem a Itália.
entre Reguengos e Évora
por volta das oito da noite. a estrada é boa mas perigosa. as cores dos campos e do céu onde desce o sol, laranja enorme, inesquecíveis, como a força da luz branca a meio do dia. a certo ponto da estrada, junto a uma árvore, dois carros estacionados e os ocupantes a olharem os milhares de pássaros que se reúnem em poucos metros de fios eléctricos. um coelho à beira da estrada, centenas de vacas de várias cores que nos olham se as chamarmos. as árvores formam um túnel, a certa altura. para trás ficou a água inesperada do Alqueva, tão deslocada que ainda as aldeias não deram por ela. Reguengos tem um parque genial, desenhado para todas as idades, onde o fim de tarde é tão doce com o português cantado das suas crianças. por todo o lado vinhas, olivais, a planície está arrumada. muitas herdades, é o nome. por vezes, duas árvores passam diante do sol laranja que desaparece em cada descida de colina, a estrada acompanhando o desenho da terra, ocasos falsos, e volta a surgir quando a estrada sobe. o céu é rosado e violeta como nos quadros baratos com paisagens exageradas. entrada em Évora com a noite quase a cair. no exterior da praça vemos cavaleiros e cavalos, sedas e brocados, prontos a entrar na arena.
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Ana V.
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12:02 AM
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Friday, July 22, 2011
landscape
entrar neste círculo é como descer a um poço fundo, uma descida no tempo tão longa que chega ao início da história. há sete mil anos e depois ainda estranhamente durante três milénios -alguém teve a ousadia de alterar a paisagem. não creio ter estado em muitos lugares mais inquietantes do que este.
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Ana V.
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10:40 PM
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