light gazing, ışığa bakmak
Sunday, July 21, 2013
Samarcanda:
and.
acabada a Granta, um franchise português de uma revista britânica que tinha, até agora que decidiu tornar-se marca, um passado respeitável. a versão portuguesa faz aquilo que se espera dela: um inédito de um autor português importante, Pessoa (benditos inéditos que se adaptam assim à necessidade de novidade dos mercados), dois grandes autores publicados na Granta inglesa, Pamuk [em ansiedade de separação] e Bellow, e Simon Gray e Kapuściński. uma série de portugueses de hoje (gostei de Afonso Cruz e fiquei a pensar que Walter Hugo Mãe afinal até podia escrever) e uma tradicional, Hélia Correia. as imagens de Blaufuks dificilmente serão ultrapassadas. --valeu a pena, ainda assim, espero o número dois (Tu?). onde é que estava o Eu? muitas das narrativas são auto-biográficas, se bem que 'uma bíblia capaz de cruzar sem inibições o novo testamento do jornalismo com o antigo testamento da literatura' é um programa que me desagrada profundamente. até porque bíblia há só uma e porque a literatura não é a versão antiga de nada. mas fica o balanço e este é positivo. long live.
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Ana V.
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Thursday, July 18, 2013
Rachel Cusk, grandes equívocos
ainda na Granta, a ler Rachel Cusk de quem gostei à primeira vista [um mais para Afonso Cruz e para a nudez de Walter Hugo Mãe]. depois googlando um pouco sobre Rachel apanho com tablóides, escândalos, culpas e divórcio e penso que pena. a tradução de António Costa Santos deve ser excelente, não dei por ela.
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ainda Rachel Cusk e umas páginas à frente do início do pequeno texto, uma tirada inqualificável sobre as feministas, cheia de rancor aos seus próprios pais e de auto-elogios. que grande equívoco considerar esta Rachel uma bright ou seja o que for young novelist. ainda pensei que seria no estilo rude, tipo trainspotting, que criou gerações de seguidores e copistas, mas nem isso. ("Um homem feminista é um bocado como um vegetariano: só defende o princípio humanitário, acho eu.") com deus e os anjos, uma frase destas deveria dar em castigo, orelhas de burro ou qualquer outra coisa arcaica desse tipo.
é fácil reconhecer um enorme escritor: ler a primeira página do conto de Saul Bellow. (o modelo Granta pode ser uma bela marca, ou seja, uma boa oportunidade de negócio, mas é origem de grandes equívocos. especialmente para quem lê inocentemente, acreditando na bondade da escolha de quem escolhe: eles escolheram, devem ser todos bons do mesmo modo.)
"- Gott meiner - disse a minha mãe ao meu pai.
- Outra vez sem dinheiro? Mas dei-te doze dólares na início da semana. O que lhes fizeste?
- Não sei. Foi-se.
- Tão depressa? Mas ainda é quinta-feira... Impossível.
- Não pude evitá-lo. Utilizei parte do dinheiro para pagar dívidas antigas. Devemos dinheiro ao Herskivitz há não sei quanto tempo.
- Mas tinhas de lhe pagar nesta semana?
- Ele mora mesmo aqui no bairro. Há dois meses que venho para casa à volta, pelo caminho mais longo. Dei-lhe três dólares.
- Como é que pudeste fazer isso! Não tens juízo nenhum? E o que fizeste com o resto? Joshua - disse ele, voltando-se furiosamente para mim, - pega num lápis e escreve isto. Tenho de saber onde foi parar o dinheiro. Comprei ovos e manteiga na terça-feira.
- Setenta e cinco cêntimos para o leiteiro - disse a minha mãe, séria e atemorizada. Era evidente que ela acreditava ter feito alguma coisa de errado."
Saul Bellow em "Memórias do Filho de um Contrabandista".
ou "Memoirs of a Bootlegger's Son", inédito publicado na Granta em 1992. saiu agora uma biografia de Bellow pelo seu filho, mas a coisa é tão diferente. (ou no tag milking the dead cow)
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nem é a propósito disto, mas parece que o pecado mortal greed, a ganância, conquistou o mundo, não é.
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Ana V.
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Wednesday, July 17, 2013
que Afonso Cruz me perdoe,
mas como é que eu podia passar sem citar este 'Jazz, Rosas e Andorinhas', especialmente esta: Isso não se faz com a literatura nem com a pintura. Uma pessoa não consegue fazer os corpos mexer com os girassóis de Van Gogh. tinha uma citação semelhante, por oposição, de Pamuk. a música, um elemento estranho na relação da ekphrasis. de certo modo, reflete o que senti ao ler guiões de ópera que eu, palavrodependente, queria coleccionar. colecção errada.
também gostei do 'nenhum tem a capacidade de o fazer como o senhor'. pois não.
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Ana V.
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Thursday, July 4, 2013
'Words, Pictures, Objects'
I can't event start to express the pleasure I got out of reading the chapter 'Words, Pictures, Objects'. e não sei se o podia ter lido em qualquer outro ponto da vida, o que torna a leitura um pouco incómoda: quem sou eu, aqui, (ou, quem somos nós, aqui, pois eu é sempre nós, um eu sem significado) neste momento, depois de ver e ouvir e saber tudo isto, depois de Morsi ter caído com novo golpe de estado, depois de um arrufo de quatro milhões, depois de ter vivido sob t.s. eliot muito tempo, depois de sebald, depois da obra quase completa deste autor, depois de muitas outras conclusões que não são para aqui chamadas, depois de ashbery e do escudo de aquiles, depois do incrivelmente poético black elk speaks, depois da p.i. ter ido embora, depois de brit bass, depois do prado, depois dos sons da praia de eastbourne, depois de morrer saramago, depois de alexandra, depois de afonso cruz, etc.
para o mal dos direitos da cópia, terei de o trazer para aqui. este final que sei que não o é, mas o iniciar de outra coisa, ou um desvio grande.
esta é a cara de Anna Karenina que foi pintada dez anos depois da publicação do livro.
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Ana V.
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Thursday, June 13, 2013
afonso cruz
(está aqui a faltar uma quote genial, mas fica para um pouco mais tarde)
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Ana V.
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9:42 AM
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