light gazing, ışığa bakmak

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Tuesday, January 3, 2017

as árvores morrem de pé




não me apetece dizer muito, neste momento, sobre esta representação. só que é incrivelmente boa, o texto é excelente, os cenários. os actores são cinco estrelas (bem que sou fã total do Carlos Paulo ha 30 anos), tudo. muito bom, viva o La Féria,

Sunday, November 20, 2016

O Terrorista Elegante

Depois de muitos anos voltei à Comuna para ver o Terrorista Elegante. Fui sobretudo pelo texto conjunto de Mia Couto / Agualusa e talvez um pouco pelo Virgílio Castelo.

A Comuna é uma instituição e foi bom voltar, mas foi também mau pois senti ali o peso do tempo, como se as coisas não fossem alteradas à muito tempo, suspensas no passado. Tenho muita pena que isto aconteça e que as novas ideias não encontrem ali uma casa, como era. A tabuleta 'sala nova' ou 'nova sala', não me recordo, é bem prova disso: uma nova sala que deve ter 30 anos e que já mostra as rugas e marcas da idade. o ambiente de 'user-friendly' não tem nada. não há placas para nada (bilheteira(?), entrada, saída, etc. etc.), como se tudo estivesse feito para quem já conhece e já esteve.

dito isto, sou fã da Comuna, do Carlos Paulo e tenho admirado o João Mota.

O Terrorista Elegante é um texto em que vejo o Mia Couto, menos o Agualusa por não o conhecer tão bem. vejo a sua África e a nossa mundivisão, aquela que temos em conjunto, que partilhamos. ali está reflectido o nosso modo de viver e de ver o mundo, com as nossas diferenças e preconceitos, mas ainda assim a história e as lembranças comuns. todo o texto é um enorme símbolo da situação política mundial desde esse fatídico Onze de Setembro que forçou no mundo um discurso e uma narrativa do medo e da guerra, uma alucinação colectiva forçada por aqueles que semeiam a guerra nos quatro cantos do mundo. nós tivemos a nossa dose e por culpa deles também. não fomos capazes de fugir à influência da polarização comunismo-resto do mundo e ficamos reféns dela, os africanos não só reféns mas as vítimas trágicas de guerras civis de muitos anos. hoje é a "guerra ao terror", essa ideia fabricada que serve de desculpa para os crimes mais atrozes.

o personagem poeta e domador de dragões é absolutamente encantador e ganha vida através de Miguel Sermão. fantástico, adorei conhecê-lo, excelente no humor, na capacidade de fazer sonhar. tudo, uma nova estrela no meu céu. o resto do elenco: excelente, claro. a Comuna pode não estar modernizada mas nunca deixou de ser uma catedral dessa arte maior: o teatro.






Sunday, September 27, 2015

Plaza Suite



fotos do Público

que ambos são dois grandes actores, já eu sabia. perder a Alexandra Lencastre no palco do teatro é pouco aconselhável, ela é a actriz da sua geração. bom texto - e tradução, excelentes actores, a leveza do teatro. o público, metade metade novos/velhos, respondeu à gargalhada e com reacção imediata. saímos mais leves, mais felizes e vamos ficar a pensar naquilo durante algum tempo. muito bom, viva o teatro.


Monday, December 15, 2014

politeama






Sunday, June 29, 2014

is there

a meaning behind the world?

(estamos todos nessa ideia, nós fabricantes de histórias)
o fim do last-tapes é uma pequena grande catástrofe, mas tenho a dizer: somos enganados, porque as duas falas que nos deixam não são o final de Beckett. faltaria dizer:  e não vão a lado nenhum.

(uma prova de que o futuro a deus pertence: ainda ontem disse que o próximo doce que faria seria de figo e acabo a fazer doce de ameixa pela noite dentro)

curiosidades ainda mais curiosas - quando a selecção inglesa joga, os ingleses batem mais nas mulheres, quer percam quer ganhem. e isto aqui a deus não pertence.




Saturday, March 29, 2014

dom quixote no TIL




o TIL está no coração e assim voltamos sempre, todos os anos. uma história um pouco mais negra, desta vez, com as forças do mal a tentar acabar com os sonhos do cavaleiro da triste figura. uma actuação excelente de Sancho Pança, Paulo Macedo. que carinho tenho por esta companhia. [que, ano após ano e sem apoio algum do Estado (parece mentira mas é verdade), tem mostrado aos miúdos os grandes clássicos da Literatura.] aos miúdos e aos graúdos. pergunto-me se, quando o mais pequeno for maior do que eu, se vou ter coragem de ir sem ele ou se vou precisar de pedir emprestados miúdos alheios para ter uma desculpa para ir ao TIL. recomendo e recomendo e recomendo.

Saturday, April 13, 2013

the immortal tour

(human nature)



dose anual de americanness e capitalismo. pena é não haver muito mais.

(sobre o espectáculo em si: esta é o terceiro Cirque na nossa vida, gostaria eu de haver um por ano. menos cirque, mais concerto alegórico, feito para os fãs de MJ, o que foi o caso. casa à pinha. a utilização de fatos com luzes led e a fortíssima tecnologia deram o meu número favorito, human nature. Billy Jean também iluminado, aproveitando a ideia da risca das calças do rei da pop. uma enorme produção de um campeão da indústria do entretenimento ao vivo.)

neste mesmo momento, e nem sequer deveria estar nesta secção porque é outro assunto totalmente diverso: a Mª do Céu Guerra diz que talvez seja o último espectáculo, o Teatro Aberto diz que não pode continuar assim,  e a Comuna (cujo director é fantasticamente director ex aequo do d. maria) vai recorrer. tudo não só pelas verbas atribuídas pela direcção geral das artes, um corte profundo do tipo-sangria, mas sobretudo pelos motivos invocados para os cortes: sem vergonha, mentirosos, hipócritas, baixo nível. o fantas é capaz de acabar e etc. a Paula Rego vai levar 200 obras para fora (?).

portanto: ficamos com a ___ das novelas e com os pavilhões atlânticos para privilegiados.

se fosse outra altura, já me tinha ido embora. o Mário Soares, com quem concordo quase sempre, apesar da maior parte das pessoas dizerem que ele está xexé, diz que por muito menos foi morto o rei d. carlos. sem dúvida: morto num dos gestos mais vergonhosos da nossa história, mas quem acha que pode viver neste país? a maioria não pode nada? é preciso acontecer o quê ainda até que o povo faça alguma coisa? (ena, usei a palavra povo e a malta do Bloco diz que concorda com a Ferreira Leite. deve vir aí algum Armagedão, espero que sim pelo menos)




Sunday, October 14, 2012

flauta mágica

o que seria o início do ano sem ir ao TIL...








na sessão de autógrafos.

(qual foi o teu personagem favorito?  -o Papageno!)

Monday, October 8, 2012

memória

"Todos os tempos têm um futuro. E uma memória. Mesmo que nos queiram convencer do contrário, de que a memória nada vale ante os novos tempos e de que o futuro a que devemos resignar-nos tem as matizes de um passado cinzento que já recusámos.", José Luís Ferreira, director artístico do teatro S. Luiz, no programa da temporada 12-13.


Sunday, November 6, 2011

o mundo mágico de Jack



O Mundo Mágico de Jack, pelo Teatro Infantil de Lisboa no teatro Armando Cortez, a qualidade de trinta e cinto (seis?) anos a formar novos públicos. imagens da habitual sessão de autógrafos (os ogres!) e conversas com pais e crianças após o espectáculo. os miúdos aproveitam para pôr as mãos nas cabeleiras postiças, rirem, perguntarem coisas ilógicas e inesperadas e os pais aproveitam para fazer o que saber melhor: portar-se pior que os filhos. e tirar fotos. para toda a família, mais uma história bem encenada, este ano apropriada aos tempos duros que chegam-chegaram. somos fãs, ano após ano. para casa vieram três feijões mágicos. obrigada- TIL.

Friday, July 29, 2011

"Penso, logo peco."

(ideias ainda em construção, as minhas)



penso que deva ser coincidência duas 'Marias, as loucas' terem passado por Lisboa num tão curto intervalo de tempo: primeiro, a Rainha Louca, ópera em estreia de Alexandre Delgado, e agora D. Maria, a Louca de Maria do Céu Guerra n'A Barraca, com um excelente texto de Antônio Cunha. são algumas as semelhanças interessantes entre ambas: a entrega das intérpretes à personagem que praticamente domina toda o espaço do palco como figura trágica, a existência de uma criada negra que na ópera não canta e que no teatro não fala, a revisão da história, a humanização de uma figura que era até aqui pouco mais do que um 'cognome'. outro ponto de contacto: onde na obra de A. Delgado vi as bruxas de Macbeth nas três cortesãs, aqui claramente está Lady Macbeth a lavar as mãos, esta não do sangue do crime mas da sujidade da culpa que a água benta teima em não limpar. seria interessante seguir o tema da sujidade no texto ("Se vazia fosse, pura seria"). aliás, este texto é uma prenda oferecida ao público e, como em outras ocasiões n'A Barraca, tenho pena de não o poder lá comprar para reler todas as vezes que ele merece.

a diferença que me parece mais evidente entre os dois espectáculos é a sua origem: a Louca de A. Delgado baseia-se num texto do português Miguel Rovisco (sobre o qual esta carta diz muita coisa), a de Maria do Céu Guerra tem texto de Antônio Cunha, de Florianópolis. em ambos os lados do 'great divide' encontram-se afinal as ideias. outra diferença: a obra de Delgado foi uma estreia lisboeta, a de A. Cunha estreou em 2006 no Brasil.

à parte a História que nos (a nós público) é contada o que,  penso, é um acto generoso e que convém abraçar como a uma benção divina em tempos, os de agora, de apagamento da história, gostei disto: o facto de Maria do Céu Guerra emprestar o corpo de forma magnífica, como sempre se espera dela, para fazer viver esta rainha (outra forma de generosidade: podia ter-se dado a outra personagem e não a esta rainha); o facto de a criada preta ser verdadeiramente ninguém, sem voz, sem corpo, sem sequer ser actor a quem pudéssemos aplaudir.  e gostei de tantos momentos de crítica social: as mulheres (o rei de França não manteve a cabeça por usar calças), a maçonaria, que se espalha como peste, a monarquia e o povo, os impostos, a figura de Tiradentes e a liberdade, a água do rio que fugia entre os dedos como areia pela última vez, o exílio.

em pouco tempo vi três actrizes interpretando personagens a que já chamámos loucas, num crescendo de intensidade, não da loucura, mas da interpretação: Alexandra Lencastre como Blanche Dubois, Eunice Muñoz como Flora Goforth, e Maria do Céu Guerra, esta D. Maria. há anos, Carmen Dolores foi a velha na cadeira de baloiço de Rockaby, de Beckett, mas essa era outra loucura.

até dia 31, n'A Barraca: convém ir a correr e marcar lugar logo à porta.

- -

A corte Portuguesa parte no mês de Novembro de 1807 para o Brasil. São 15000 almas embarcadas numa enorme frota para defender da Invasão Francesa a coroa e o corpo. Em Fevereiro de 1808 chega à Baía de Guanabara. O Principe Regente não autoriza o desembarque imediato de sua mãe a rainha louca.
D. Maria é durante dois dias uma rainha fechada no mar e passa em revista o casamento, a morte do filho, a sujeição à igreja, tudo o que foi a sua acção pública e privada e assusta-se com a chegada a uma terra que viu nascer e morrer Tiradentes o único homem sobre o qual ela usou o seu “direito de mandar matar”.
D. Maria está louca mas é dona de uma loucura que a protagonista define de forma magistral “a loucura não é uma porta que se nos fecha mas muitas janelas que se nos abrem, só que todas ao mesmo tempo”. A filha de D. José foi a primeira mulher que ocupou o trono. “Uma rainha num reino de homens”. daqui.

Maria do Céu, para ouvir aqui.

Saturday, June 4, 2011

e ainda de manhã


o privilégio de ver quase todo o ensaio de Histórias Suspensas, no jardim da Casa das Histórias, nós e o segurança. excelente, de Joana Providência.

Sunday, April 10, 2011

O Comboio da Madrugada

ou The Milk Train Doesn't Stop Here Anymore, de Tennessee Williams que está no TEC em Cascais. Eunice Muñoz é Flora Goforth (vaiemfrente) e é um verdadeiro privilégio vê-la em palco. difícil é dizer o que gostei deste texto, que não conhecia, e da personagem Eunice-Flora.



não há clips que transmitam as mais de duas horas de peça, a presença dos actores em palco, a presença física e a voz que chega à ultima fila, mesmo quando não passa de um murmúrio. vi alguma da divulgação desta peça referir-se a ela como uma história de amor entre Eunice de 82 anos e um jovem, julgo na tendência perversa que se instalou e que obriga a parangonas chocantes (a manipulação baixa através das palavras). este Comboio é um quase monólogo contínuo da personagem Flora olhando para trás (a vida é toda memória, com excepção de agora mesmo), nos seus últimos dias; é uma reflexão sobre o sentido da vida e o sentido da morte. que excelentíssimo texto.

Eunice é tão completamente Flora que apenas reparo na força da sua presença depois de acabar a representação, no seu sorriso frente à sala esgotada (esgotada há tempos) a aplaudi-la de pé.

inesquecível.

gostei de ler.
aqui também.

Life is all memory except for the one present moment that goes by so quick you can hardly catch it going.


All cruel people describe themselves as paragons of frankness!



Thursday, March 24, 2011

para o dia mundial do teatro


bem possível uma celebração: "Total fearlessness is not a requirement for embarking on an acting career. But it is definitely a necessity for essaying the role of the dying gorgon Flora Goforth", diz-se aqui do papel de Eunice Muñoz em The Milk Train doesn's Stop Here Anymore, em português, O Comboio da Madrugada, no TEC. para os lados de Santos, melhor é ir ver - à borla, note-se, borlio - A Herança Maldita, de Augusto Boal.

Flora, que também já foi... Elizabeth Taylor.
e a citação do costume deste Milk Train: "All cruel people describe themselves as paragons of frankness!"

Tuesday, February 15, 2011

Hedda Gabler



No, no. I have lost my faith in the vine-leaves. But beautifully nevertheless! For once in a way!
daqui



Ibsen em Munique, as cartas para Emilie Bardach que está em Viena, a sua mulher e filho em Riva, no lago Garda. 1890. no ano anterior Cosima Wagner passa umas semanas em Riva, no Hôtel du Lac. Kafka em 1909 e 1913, de onde escreve "Sometimes I think I am no longer in the world but am drifting around in some limbo". Entre 1901 e 1904, Thomas Mann escreve ""In the morning I always row for several hours on the lake Garda.." por enquanto acabando em Vertigo- depois do espectáculo trágico de Hedda, consigo divagar para o lago Garda.

Wednesday, December 22, 2010

falar do mesmo não chega

"If the word, spoken or withheld, is a central and potent fact of theatre, so, too, is space and the occupation of that space by the body. Nor is it simply a matter of proxemics, of the meaning generated by gesture or appearance; it is that the word is made flesh. The theatre is by its nature sensuous. Even didactic drama alchemises its arguments through the mind made body. The severity of words on the page is corrupted by the mouth which articulates them. The minimalism of the printed word gives way to plenitude. That seduction, implicit in the text, becomes explicit in production. It cannot be extirpated. "

em Modern American Drama de C.W.E. Bigsby
aqui, para ler tudo.
[na loja são quarenta dólares, o que dá que pensar]

Modern American Drama


pensamento limpo também conta.

Tuesday, December 21, 2010

American sunset



aqui.
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"You know, I was sitting in the University of Texas where they have the original manuscript of Watt by Mr Beckett and it was amazing because there were all these drawings on them, so I sat there one afternoon and copied them!"
It's almost as if Sam Shepard has spent his life circling around Samuel Beckett. It was discovering his plays as a young man that first inspired him to write, and Patti Smith says that in those days he never went anywhere without a copy of one or other of his plays on him.

daqui.

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Monday, December 20, 2010

"we're constantly buying crap" (well)

How do films feed into this?

We have our own film tradition which has created some extraordinary works of film, some masterpieces. Nonetheless, the American tradition of film overall is that it's a commercial medium. That's not necessarily bad. The films of William Wyler came out of that and the films of Orson Welles and Stanley Kubrick happened in spite of that. Nonetheless, we don't have a tradition of film as art. As the media gets more and more powerful, film as mass entertainment, which is to say solely as marketing of the consumer product, that tradition gets much, much stronger. The job of mass entertainment is exactly the opposite of the job of art. The job of the artist gets more difficult. On the other hand, maybe that's always been the case.

Why is the job of the artist the exact opposite of mass entertainment?

I like mass entertainment. I've written mass entertainment. But it's the opposite of art because the job of mass entertainment is to cajole, seduce and flatter consumers to let them know that what they thought was right is right, and that their tastes and their immediate gratification are of the utmost concern of the purveyor. The job of the artist, on the other hand, is to say, wait a second, to the contrary, everything that we have thought is wrong. Let's reexamine it.

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entrevista de David Mamet para a Salon em 97, aqui.

não me surpreendeu. action. prefiro, quem não, as obras do início (e a toda a hora Shepard)
over and out. não sabia que o Carteiro era dele, nem como o teatro ficou tão enleado no cinema.

Mamet on Charlie Rose

Sunday, December 19, 2010

e então, já foram ver







Angel City, de Sam Shepard, encenado por Rita Lello, na Barraca?
as fotos são da  Sara Santos.

 
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