light gazing, ışığa bakmak

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Tuesday, October 1, 2013

axolotl

"There 
was 
a 
time 
when 
I 
thought 
a 
great 
deal 
about 
the 
axolotls. 
I
 went 
to 
see 
them 
in 
the 
aquarium 
at 
the 
Jardin
 des
 Plantes, 
and 
stayed 
for 
hours 
watching 
them, 
observing 
their 
immobility,
 their 
faint 
movements. 
Now 
I 
am 
an
 axolotl.", diz Cortázar no início do conto "Axolotl", para ler aqui. (ou aqui). Tabucchi viajou também no Jardin des Plantes, para ver o axolotl:


"Dada a vastidão do Jardin, é preciso fazer escolhas radicais, a não ser que queira passar lá dias inteiros. Julgo que se possa ficar fascinado pela Galeria de Mineralogia, onde se encontra exposta a maior colecção do mundo de cristais gigantes. Na cave está a chamada Sala do Tesouro, que guarda extraordinárias pedras preciosas provenientes das antigas colecções reais. Outra galeria inevitável é a de Paleontologia e de Anatomia Comparada. A arquitectura de ferro típica de finais do século dezanove vale por si só a visita, mas os amantes dos dinossauros e das outras criaturas que noutros tempos povoaram a Terra encontrarão aqui com que se deleitar. Aos visitantes com predilecção pela literatura fantástica estão reservadas duas belas surpresas: o esqueleto do celacanto, um peixe que os paleontólogos julgavam desaparecido há sessenta e cinco milhões de anos e de que se encontraram exemplares vivos nas profundezas de um lago andino (sobre este ser submarino o poeta português Herberto Helder escreveu um dos seus mais belos contos no livro Os Passos em Volta); e. procurando bem, podemos encontrar também outra estranha criatura aquática, o axolotl, tema do conto fantástico homónimo de Julio Cortázar (no livro Final do Jogo). História de uma involução biológica, o conto de Cortázar começa assim: «Houve uma época em que pensava muito nos axolotls. Ia vê-los ao aquário do Jardin des Plantes e ficava horas a olhar para eles, observando a sua imobilidade, os seus obscuros movimentos. Agora sou um axolotl.»"
Tabucchi em Viagens e Outras Viagens.


Thursday, June 20, 2013

não, não, não (poesia e revolução)

um livro de poesia chegar aos tops de vendas não o faz ser melhor nem pior livro de poesia; o facto de os empregadores acharem que as humanidades são úteis para a empregabilidade não faz as humanidades nem mais nem menos desejáveis. o mundo - apesar das insidiosas ideias que se alastram subterraneamente - não cabe todo em €s, £s ou $s.

(our-economy-can-still-support-liberal-arts-majors: no top dos títulos cretinos)

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por outro lado, gostei de--
se a poesia (ou a literatura ou as artes ou as humanidades) podem servir a revolução, o capital, a contra-revolução, a psicanálise, a meditação zen, o jazz ou a street art, isso não faz delas nem isto nem aquilo. a poesia, ou a literatura ou as artes ou as humanidades são, primeiro e acima de tudo, livres de serem o que quiserem ser.

- -

não comprei, nem li, nem vou ler no próximo ano o livro Servidões. já não tenho a desculpa do Herberto Helder para ir trocar palavras na Poesia Incompleta (quer dizer, essa viagem tornou-se bem mais cara) portanto estabeleci como plano: se estiver viva daqui a um ano leio o livro.

 
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