light gazing, ışığa bakmak

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Friday, September 9, 2016

chá

Tempo giusto
João Miguel Fernandes Jorge

Abriu o armário da loiça. Porta de pinho presa de
humidade. As suas mãos
trouxeram, uma a uma, as várias peças de
um fabulário de faiança, azul sobre puríssimo branco.

Serviu-se nessa tarde o último chá,
caiu de um bule
vidrado
para a chávena que trazia as armas de um dos avós;

um dos seus dedos acariciava, sentia a temperatura do
chá, enquanto passava, ao de leve, sobre a ferida
heráldica carregada de um S maiúsculo, honrada com

o arminho de um fugaz pariato.
“Coisas da pequena pátria.” E sorria de um modo
sonhador, “por cinquenta cêntimos o centro do homem funciona”.


em Invisíveis Correntes.

Monday, September 5, 2016

amoreiras

"Em 1863 foram retiradas as amoreiras que deram o nome à praça, a qual foi transformada num jardim romântico."

no inínio de Jardim das Amoreiras, vinte e cinco poemas para vinte e cinco estudos anatómicos de Vieira da Silva de João Miguel Fernandes Jorge.

Thursday, October 27, 2011

postal

"A rapariga ao passar reparou primeiro na renda
branca sobressainte da gorjeira metálica forrada a vermelho veludo.
Logo se prendeu ao oval do rosto, aos lábios que
querem romper em frase da vida nunca separada. E
disse a rapariga "hás-de extraviar-te nos céus
sem que vez alguma eu possa estar ao teu lado."
Quando terminou a visita comprou-o em postal.
João Miguel Fernandes Jorge, "Retrato de Jovem Cavaleiro" em Museu das Janelas Verdes, citado por M. Avelar em Ekphrasis, o Poeta no atelier do artista.

 
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