Tempo giusto
João Miguel Fernandes Jorge
Abriu o armário da loiça. Porta de pinho presa de
humidade. As suas mãos
trouxeram, uma a uma, as várias peças de
um fabulário de faiança, azul sobre puríssimo branco.
Serviu-se nessa tarde o último chá,
caiu de um bule
vidrado
para a chávena que trazia as armas de um dos avós;
um dos seus dedos acariciava, sentia a temperatura do
chá, enquanto passava, ao de leve, sobre a ferida
heráldica carregada de um S maiúsculo, honrada com
o arminho de um fugaz pariato.
“Coisas da pequena pátria.” E sorria de um modo
sonhador, “por cinquenta cêntimos o centro do homem funciona”.
em Invisíveis Correntes.
light gazing, ışığa bakmak
Friday, September 9, 2016
chá
Publicado por
Ana V.
às
12:32 AM
0
comentários
Monday, September 5, 2016
amoreiras
"Em 1863 foram retiradas as amoreiras que deram o nome à praça, a qual foi transformada num jardim romântico."
no inínio de Jardim das Amoreiras, vinte e cinco poemas para vinte e cinco estudos anatómicos de Vieira da Silva de João Miguel Fernandes Jorge.
Publicado por
Ana V.
às
8:56 AM
0
comentários
TAGS Biblioteca de Babel, Fernandes Jorge, Portugal é um país de
Thursday, October 27, 2011
postal
"A rapariga ao passar reparou primeiro na renda
branca sobressainte da gorjeira metálica forrada a vermelho veludo.
Logo se prendeu ao oval do rosto, aos lábios que
querem romper em frase da vida nunca separada. E
disse a rapariga "hás-de extraviar-te nos céus
sem que vez alguma eu possa estar ao teu lado."
Quando terminou a visita comprou-o em postal.
João Miguel Fernandes Jorge, "Retrato de Jovem Cavaleiro" em Museu das Janelas Verdes, citado por M. Avelar em Ekphrasis, o Poeta no atelier do artista.
Publicado por
Ana V.
às
11:06 PM
0
comentários
TAGS Fernandes Jorge, lit e arte