light gazing, ışığa bakmak

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Wednesday, September 18, 2013

beauty

"Our cooking depends upon shadows and is inseparable from darkness."
(ainda Tanizaki em In Praise of Shadows)

Sunday, September 15, 2013

Kazu's Feasts


depois de ver o primeiro episódio da série Heston's Feasts, dedicado à época vitoriana e em especial a Alice, a comparação é inevitável não com o primeiro banquete mas com o segundo que replica a cerimónia Omizutori, a Extracção da Água, no Nigatsu-Dô de Nara.

"A travessa mostrava uma obra-prima da culinária destinada, antes de mais, aos olhos. A cada convidado estava destinado um archote cujo cabo era feito de um pedaço de frango; imitando a pequena corbelha de fogo, um pequeno pássaro embebido de um forte álcool europeu, para atear as chamas. Em redor dos archotes estavam dispostas diversas ervas de montanha, lembrando as montanhas de Nara. Via-se mesmo um pequeno letreiro, lembrando aquele que na parte de baixo do Nigatsu-Dô, obriga os cavaleiros a porem o pé em terra."
Mishima em Depois do Banquete.

(as for Heston, the Chocolate Feast of season 2 is mostly unlike anything anyone has seen before.)



Saturday, September 14, 2013

tangerine

(meandros da maldade)

"If he became bored with a subject he would carefully count the segments in a tangerine he had peeled, and silently share the fruit with Kazu, giving her precisely half the segments. But the size varied, and Kazu’s share was actually less than half of the tangerine."
Mishima em Depois do Banquete.

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a review I did like. the perverse intricacies are so Nabokov like. a delicate roadtrip to human sins (in my newfound meaning of deviation, the at-last-encountered original sin), total control.


Friday, September 13, 2013

Belle Ling ('Mum is the faithful gate')


a new tag all the same, reacting somehow to David Byrne's 'Social Studies': "As if the point of view was somehow in the food", as I think it is.

çay

my beautiful tea for the moment, a Rize tea. interesting article on the Turkish tea from Rize and the recent and upcoming changes brought about by a shift in economic policies. (am I going en? for a while, my language refuge).
public/private? the Rize issue will be on my mind.

António Pinho Vargas diz, a propósito de comentários duros de manuela ferreira leite ao economicismo do presente: Os conservadores "antigos" podiam ser reaccionários mas eram diferentes, tinham uma outra visão do mundo. Para os neo-conservadores é que vale tudo. Essa é uma visão do mundo que faz desaparecer todos os valores excepto um: o interesse pessoal. Temos de ter cautela quando não estamos, sem dar conta, a assimilar e integrar em nós mesmos esses valores do individualismo total. Os valores do governo, dos neoliberais, dos banqueiros, etc. Já são muitos os que já vivem dessa forma, como se vai vendo.

ainda António Pinho Vargas, citando António Guerreiro no Ípsilon sobre um assunto totalmente diverso mas parte, afinal, do mesmo conjunto:

Excelente artigo de António Guerreiro no Ipsilon de hoje: "O fascismo da língua", aquele que se infiltra nos nossos próprios discursos sem darmos conta porque quase toda a gente fala da mesma maneira e, como diz A. Guerreiro, "é um fascismo que não vem de cima, é produzido no próprio tecido das interacções sociais. Alimenta-se da cultura que habitamos e respiramos."
Transcrevo o final do seu texto:
"Basta pensar nalguns exemplos mais evidentes (o "ajustamento", a "requalificação", a "mobilidade", a "flexibilidade", etc.), para percebermos que estamos novamente mergulhados numa novilíngua que faz lembrar a imaginada por Orwell, no seu 1984 (referência fundamental, sobre este tema, é o livro do filólogo alemão Viktor Klemperer, LTI. A Língua do Terceiro Reich, de 1975; LTI é o acróstico de Lingua Tertii Imperii). É, aliás, significativo que alguns críticos mais indulgentes, perante a afirmação de Passos Coelho de que a Constituição não fez nada por novecentos mil desempregados, o tenham aconselhado a nunca fazer discursos longos improvisados, o que corresponde à ideia orwelliana de que o falante da novilíngua "faz fluir o discurso articulado pela laringe, sem nenhuma implicação dos centros cerebrais". Mas a novilíngua deste novo fascismo já não é imposta por um poder como o dos fascismos históricos: é um fascismo que não vem de cima, é produzido no próprio tecido das interacções sociais. Alimenta-se da cultura que habitamos e respiramos. Ninguém obriga ninguém a tornar-se falante desta novilíngua, são os sujeitos - súbditos - dela que se auto-limitam inconscientemente para se situarem no interior do jogo da linguagem em curso. Trata-se de um poder microfísico que Foucault tão bem analisou."

Repito esta passagem: "Ninguém obriga ninguém a tornar-se falante desta novilíngua, são os sujeitos - súbditos - dela que se auto-limitam inconscientemente para se situarem no interior do jogo da linguagem em curso."
//
Termino deste modo. Teríamos de lutar contra esta "autolimitação inconsciente" e muitas vezes faço aqui o papel de pessimista de serviço - talvez lúcido, o que é uma chatice. Nos comentários do post anterior tive de escrever sobre um comentário referente a MFL que insinuava que a sua crítica violenta à nova lei derivava talvez do facto de eventualmente estar reformada - argumento que o governo gostaria de ler - o seguinte:

"Não é preciso estar reformada. Os conservadores "antigos" podiam ser reaccionários mas eram diferentes, tinham uma outra visão do mundo. Para os neo-conservadores é que vale tudo. Essa é uma visão do mundo que faz desaparecer todos os valores excepto um: o interesse pessoal. Temos de ter cautela quando não estamos, sem dar conta, a assimilar e integrar em nós mesmos esses valores do individualismo total. Os valores do governo, dos neoliberais, dos banqueiros, etc. Já são muitos os que já vivem dessa forma, como se vai vendo."

É exactamente a mesma questão. Preciso de me calar. Sinto o fascismo linguístico muitas vezes aqui presente. Devo calar-me. Sinto a derrota no próprio apelo de MFL a um "levantamento" contra o que esta lei significa. É que já ninguém percebe sequer. Sinto que já não há força para levantamentos capazes de derrotar a estupidez dominante. A novilíngua fascista espalha-se como um vírus para o qual não parece haver antítodos.
Os imbecis da UE - que dizem e se desdizem com a maior facilidade deste mundo - dão uma grande ajuda.
APV

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dois senhores and what a cuppa is able to bring about.


 
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