light gazing, ışığa bakmak

Showing posts with label Mafra. Show all posts
Showing posts with label Mafra. Show all posts

Sunday, October 3, 2010

órgão

não fui a nenhum casamento e casei já o suficiente myself. não me misturei desta vez, como na excursão japonesa, embora haja um encanto inegável no acto de se imiscuir em grupos desconhecidos como se fôssemos velhos amigos, seguir o olhar para ver o mesmo e quase lhes calçar os sapatos não fosse esse gesto tão impossível sem um amor abismal. aproveitei sem vergonha as portas abertas da basílica e esgueirei-me num intervalo entre casamentos. o padre e um homem jovem estavam sentados a uma das alas, meio ocultos do vai-vem de casamenteiros, com ar entediado. quatro casamentos de seguida, ouvi a queixa. casamento em série, linha de montagem. as pétalas de uns ainda não arrefeceram e serão as pétalas de outros. vi os noivos que saíam e os que entravam vinte minutos depois. costas descobertas, o branco até ao chão na maior igreja daqui aos Jerónimos. os planos são gigantescos, a expectativa um monumento, nem seria justo dizer maior a queda. ali perto come-se bem no Brazão, comida saloia mas também há picanha. a basílica eleva-se irreal. o som do órgão que alguém tocava a bater nas paredes altas forradas de santos arcanjos e mártires até à majestade de uma cúpula que chega às portas do paraíso. creepy disse ele. eu podia ficar lá toda a tarde, entre o ressoar magnífico dos sons barrocos e o frufru das sedas cerimoniosas dos convidados.

casar muito









aves







árvores na Tapada

que é Tapada pelo muro de quase dois metros que a rodeia a todo o comprimento, 21 km. e que protege mais de trezentos gamos, outros tantos javalis, oitenta veados e um lobo. (I love animals, they fascinate me.)  para voltar e fazer as voltas a pé. Tapada de Mafra.

















Saturday, October 2, 2010

s/n







corvus

blindness

Saturday, February 20, 2010

quero isto


se pudesse dizer, era o que dizia. (o que é isto)

rocaille

Thursday, February 18, 2010

paredes e tectos

de Mafra. enganador, detalhes sem importância que se deixaram apanhar. para ser verdadeira fazia tese e passava dois anos no local. fascinante.































doentes graves







high windows

blank dois ou três

Wednesday, February 17, 2010

encanto-cola



o do palácio magnífico em mim. uma obsessão, um exagero. delírio. impressões que fazem parte do caderno de impressões de quem visita o Palácio de Mafra. de cada vez entro em salas onde nunca tinha estado antes, embora entre sempre pela mesma porta. mais do que impressão: tenho lá entrado sempre por motivos diferentes - com música, casamento visita turística passeio de domingo férias juvenis relações mais ou menos públicas. o próximo será vadiagem solitária.


olhando de fora para os torreões conto seis andares, não sei se existe mais espaço debaixo da terra. no segundo andar o apartamento do rei, à esquerda, o da rainha à direita. com flores. uma avenida no meio a quase sobrevoar a basílica (Cristo, espinhos e sangue entre tu e eu). na loja do museu, padronizada pelo franchising Museus de Portugal, não vi o Memorial do Convento. distracção minha. em várias línguas. nos corredores do palácio corre uma ventania, uma corrente de ar gelada que parece entrar por todas as janelas e portas abertas. mas não há janelas abertas. o peso de um dos carrilhões obrigou a montar andaimes. na basílica, estão a acabar de ser restaurados os dois órgãos. vida de estaleiro, juventude eterna.

de cinco em cinco salas uma cadeira castanha de plástico junto à janela, a cadeira do guarda, quase tudo mulheres. cadeiras enfiadas no vão da janela, ao sol, guardas sentadas nas cadeiras (um silêncio do tamanho de cada quarto), de costas para nós, para mim, girassóis verdadeiros.

há uma certa crueza no frio, nas notas do "mapa", sem adornos, sem querer recriar vida nenhuma, objectos arrumados na despensa dos fundos de alguém que olhamos na galeria dos retratos. fascinante e monumental, a ideia inicial e o abandono de hoje. sou católico não praticante, assim é Mafra também, não praticante. quero lá viver e de noite fugir aos ratos, aos morcegos e aos espíritos dos construtores mortos.

sentimentos que colocam no coração das crianças

 
Share