light gazing, ışığa bakmak

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Monday, May 13, 2013

e 'calebas'

de bart van didden para a marca serax, que encontrei na l'heure bleu em st. malo, uma das lojas em que mais gostei de entrar desde que me lembro e nem tinha livros.


(para o sal e para a pimenta de roos van de velde, também na l'heure bleu, e na minha prateleira)

Thursday, February 7, 2013

St. Malo kind-of-map


View St Malo in a larger map

of a cool cool trip.

View França 2012 in a larger map

Monday, September 10, 2012

'The upright lace of Venetian façades is the best line time-alias-water has left on terra firma anywhere'





Fondamenta Degli Incurabili, de Brodsky. ou Watermark. via landscape stories. ou rua dos incuráveis, rua junto à agua do canal. ou marca de água, um conjunto de escritos em prosa. em Veneza.

The upright lace of Venetian façades is the best line time-alias-water has left on terra firma anywhere. Plus, there is no doubt a correspondence between – if not an outright dependence on – the rectangular nature of that lace's displays – i.e., local buildings – and the anarchy of water that spurns the notion of shape. It is as though space, cognizant here more than anyplace else of its inferiority to time, answers it with the only property time doesn't possess: with beauty.
Brodsky em Watermark.

é preciso regressar empunhando este livro.
(funny how «people» expect a travel guide from a Nobel poet, mas sobre a recepção do trabalho artístico pela multidão consumidora há pouco a dizer, pouco que tenha algum interesse)

a mais marcante e desconcertante visita foi ao Palais de Tokyo. todos os materiais co-existindo num cenário quase apocalíptico de semi-destruição e reaproveitamento, trabalhos de intervenção, de auto-consumo, de observação cínica ou desapaixonada, testemunhos pessoais, memórias e dores íntimas, relações sociais, aparência, máquinas e maquinações, multiplicidade de objectos, medo, sensação e claustrofobia. tudo menos beleza.

o belo, ou o espanto perante o belo, é intrínseco e não pode ser retirado. se a igreja deixou de ser a fonte das ideias morais, a arte deixou mostrar -ensinar/indicar/sugerir/estabelecer- o padrão de belo. umas e outro andam assim à solta, à procura de fontes verdadeiras e confiáveis que não vão ser encontradas. o 'belo' escapa-se por vias inesperadas: na fotografia, fonte primária, no design de objectos, gráfico, na arquitectura, no arranjo de jardins e de montras, no empacotamento e em arranjos florais, na decoração e nos pratos gourmet, nas festas de casamento, nas esplanadas de praia.

é o caos dos curadores.



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Friday, September 7, 2012

'L’art et la manière d’aborder son chef de service pour lui demander une augmentation', G. Perec

a ansiedade e indecisão em setenta e uma páginas sem pontuação em publicação quase póstuma de 2008 pois tinha surgido apenas no número quatro da revista Enseignement Programmé, em 68. a engenharia da literatura ou literatura de contingência.


este livro ilustra de modo exemplar a 'arte e a maneira' através da qual a chamada 'troika' chegou às importantes medidas de austeridade impostas ao nosso país. isto a montante. a jusante, a semelhança também é bastaste evidente.

Monday, September 3, 2012

baklava

"A baklava não é da Palestina, é do Iraque, replicou ele, desculpa, mas é do Iraque, isto sem ofensa. Do Iraque uma ova, respondeu o rapaz, essa é boa.", Tabucchi em O Tempo Envelhece Depressa. a minha foi do Quartier Latin por onde tinha passado mas sem tempo para a provar e onde voltei por ela. lá havia uns quadrados de pistácio que gostava de saber fazer, como os pequenos bolos de pinhão que me parecem tão parecidos com as pinhoadas do Alentejo. todos os doces do mediterrâneo sul. camadas da fina filo, frutos secos e mel, criada nas cozinhas imperiais do palácio Topkapi, em Istambul, a morada do sultão reinante. a maior cozinha do império otomano, em que 800 pessoas cozinhavam 4000 refeições, por vezes 6000, por vezes na preciosa loiça azul e branca chinesa, transportada pelo caminho da rota da seda.

parece-me que Candide é mais empolgante do que a maior parte dos livros que já li. o que coloca este problema: que pessoa se é quando se tira prazer daquele tipo de narrativa.

hoje lia o Candide como há anos atrás li a travessia de Aníbal, circunstâncias que tornam os livros inesquecíveis. tenho tomada a dose vitalícia de loucura a atravessar-me a porta. agora será só sensibilidade e bom senso.

havendo orçamento, retomo os almoços temáticos. o primeiro será em vénia ao laranja quente do Mohamed, por quem soube que a travessia Málaga - Melila custa trinta euros para pessoa só, 120 para um carro. prefiro Tarifa - Tânger onde, estou certa, encontraria muito mais do que uma baklava.

Thursday, August 30, 2012

lisboa

podia passar todo o conto. fica este pedaço-

"No empedrado do chão estava desenhada uma rosa-dos-ventos. Deteve-se sem saber que direcção tomar:  o jardim botânico era grande e seria impossível encontrar aquilo que procurava antes da hora do encerramento. Escolheu o sul. Sempre demandara o sul em toda a sua vida, e ao chegar agora àquela cidade do Sul parecia-lhe acertado prosseguir na mesma direcção. Mas no seu íntimo sentia o sopro da tramontana. Pensou nos ventos da vida, porque ele há ventos que acompanham uma vida: o zéfiro suave, o vento quente da mocidade que o mistral se encarregará de temperar, certos ventos de sudoeste, o siroco que abate, o vento gélido da tramontana. Ar, pensou, a vida é feita de ar, um sopro e acabou-se, aliás nós não passamos de um sopro, respira-se, até ao dia em que a máquina pára e o sopro extingue-se. Parou, estava ofegante. Arranjaste uma bela pieira, disse de si para si. O caminho subia abruptamente até uns socalcos que se avistavam para lá das copas das magnólias gigantes. Sentou-se num banco e tirou do bolso um pequeno bloco. Era onde apontava os nomes dos lugares de origem das plantas que o rodeavam: Açores, Canárias, Brasil, Angola. Desenhou a lápis algumas folhas e algumas flores, e a seguir, servindo-se das duas páginas centrais do bloco, desenhou a flor de uma árvore com um nome muito estranho, proveniência Canárias-Açores. Era um gigante majestoso com folhas compridas e lanceoladas e umas flores enormes e carnudas agrupadas em ramificações que pareciam frutos. A idade daquele gigante era realmente notável, fez as contas: no tempo da Comuna de Paris já devia ser adulto.

Sentiu que tinha recobrado fôlego e dirigiu-se a passos rápidos para o fim do caminho. O sol bateu-lhe em cheio e encandeou-o. Estava muito calor, e no entanto a brisa que soprava do oceano era fresca. A parte sul do jardim botânico terminava num enorme terraço suspenso sobre a cidade, com uma vista panorâmica completa, o vale ocupado pelos bairros pobres numa rede apertada de ruas e travessas, e as casas, brancas, amarelas, azuis. Lá do alto enxergava-se todo o horizonte, e ao fundo, à direita, para lá das gruas do porto, abria-se o mar. O terraço era delimitado por um murete que lhe chegava à altura do peito e onde um painel de azulejos representava a cidade. Procurou decifrar-lhe a topografia a partir daquele desenho de risco ingénuo: o arco de triunfo da cidade baixa donde arrancavam as três artérias principais, com a arquitectura iluminista da reconstrução subsequente ao terramoto; o centro, com duas grandes praças encostadas uma à outra, à esquerda a rotunda com um pesado monumento de bronze, e depois, para norte, a zona nova, com uma arquitectura tipo anos cinquenta e sessenta. Porque vieste até aqui, disse para consigo, que procuras?"

Tabucchi em O Tempo Envelhece Depressa.

Sunday, August 19, 2012

sidra

isto não é para lembrar pois a minha boca recorda bem. a sidra do norte de França é gloriosa, um pouco alcoólica. comi as pequenas maçãs que se traduzem para o copo com tal clareza. a cidra nórdica é leve e areada. a americana, que bebemos no meio dos pomares, é um puro sumo de maçã, cristalino e dourado.

Friday, August 17, 2012

Notre-Dame

entrámos na Notre-Dame de noite. de dia as filas são intermináveis e eu não tinha tanto interesse. de noite encontrámos a porta aberta e a entrada era livre. escapulimos lá para dentro, como se alguém se pudesse arrepender a qualquer momento de nos ter aberto a porta. em frente à fachada principal um grande círculo de gente fechava uma rapariga que fazia equilibrismo com aros em fogo. o fogo parecia a única luz.

lá dentro estava escuro também, algumas luzes tornavam-nos a todos sombras a caminhar. ele disse que era assustador. não achei. no lugar do altar tinham colocado uma ecrã gigante onde passavam um filme sobre ... a Notre-Dame. nas filas de cadeiras, pessoas em silêncio viam as imagens da imagem em que tinham entrado.

na Notre-Dame, as velas por alma dos mortos e para cumprimento de promessas aos santos são o dobro do preço.


s/n




nem calhou bem esta sequência de poder-poder-leitura. mas foi do mesmo golpe de pés que surgiu esta série. fiquei a pensar que esta livraria não tem assim tantos livros. não tem! no primeiro andar, encontram-se imobilizados no tempo os espaços que foram ocupados por (hoje) ilustres escritores. podia não dizer ilustres, que soa mal, mas digo. é por isso que aqui chegam resmas de turistas que querem tirar a foto no local onde estiveram ilustres escritores, embora seja proibido tirar fotografias dentro da livraria. uma rapariga sentava-se num dos sofás a fingir que lia um livro para o pai lhe tirar o retrato. outra reclinava-se no sofá, quase cama, também a fingir que lia. não deixo de ficar perplexa.

no primeiro andar encontra-se a biblioteca memorial a Sylvia Beach. os livros podem ser lidos mas não podem ser vendidos. uma nota nas prateleiras pede que os livros não sejam retirados da ordem em que estão. reparei que: ninguém os lê (a não ser na fotografia); que não estão na ordem que é suposto estarem; que a biblioteca original de Sylvia Beach era muito interessante (como Sylvia); que nesta colecção existem livros recentes: alguns de Gore Vidal, por exemplo, uma edição de 1998. a colecção continua sendo actualizada com a inclusão, imagino, de autores americanos relevantes.

não reparei se lá existia Richard Ford. mas vi o seu último romance, Canada, à venda no piso de baixo-

na Shakespeare & Co. não comprei livros, comprei um souvenir.

je t'aime




la tour






love me


terrasse



em Paris (4)



Thursday, August 16, 2012

em paris (3)


porque as viagens não começam no início nem acabam no fim, ainda viajo embora esteja agora em casa. esta viagem só acabará no início da próxima. estivemos no 8ème arrondissement que não era a minha memória mas a dela. as casas, as filigranas de metal e as flores nas janelas no hotel mais pétillant, o hotel Plaza Athenée, são todas dela e de um tempo em que tudo deve ser muito belo.

Les Cocottes de Constant






porque era preciso comer bem em Paris. e assim foi. falta aqui a entrada do dia, um tartare de dourada com manga e chutney de manga.

Wednesday, August 15, 2012

Antoni Muntadas





Muntadas, uma descoberta no Palais de Tokyo. é isto. vi  Medo, os discursos diversos de um lado e do outro. tem sido assim: o discurso totalmente alheado do outro, o desconhecimento dos dois lados de um conflito. o discurso dos media e do poder, a percepção que se tem baseada nos discursos oficiais.








para vermos.

waking up



em paris (2)


em paris


 
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