uma excelente notícia depois de 'Iran', a notícia do dia, para ler até à última linha.
Food is the mirror of society.
Food
What we need to question is bricks, concrete, glass, our table manners, our utensils, our tools, the way we spend our time, our rhythms. To question that which seems to have ceased forever to astonish us. We live, true, we breathe, true; we walk, we open doors, we go down staircases, we sit at a table in order to eat, we lie down on a bed in order to sleep. How? Why? Where? When? Why?
Georges Perec
The Infra-Ordinary
Extract first published 1973
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Food
We dug in. We ate everything there was to eat on the table. We ate like there was no tomorrow. We didn’t talk. We ate. We scarfed. We grazed that table. We were into serious eating. The blind man had right away located his foods, he knew just where everything was on his plate. I watched with admiration as he used his knife and fork on the meat. He’d cut two pieces of meat, fork the meat into his mouth, and then go all out for the scalloped potatoes, the beans next, and then he’d tear off a hunk of buttered bread and eat that. He’d follow this up with a big drink of milk. It didn’t seem to bother him to use his fingers once in a while, either. We finished everything, including half a strawberry pie. For a few moments, we sat as if stunned. Sweat beaded on our faces. Finally, we got up from the table and left the dirty places.
Raymond Carver
Cathedral, 1983
Knopf, 1983
light gazing, ışığa bakmak
Friday, September 12, 2014
food at landscape stories
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Thursday, September 12, 2013
a bookseller's heart (2)
Conrad will be a must, probably several of them. like Verne, may be the adventures of captain hatteras. or other. Kipling's Kim. or Captain Courageous. the cruel sea and so many others from here, amazing bibliographic work. Salgari. the Maqroll adventures. the Sargasso Sea Stories. Melville's Billy Budd. Stevenson. South Sea Tales, Tales of the Pacific, London. and yes, The War of the Worlds. (and on-going).
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parenthesis: Perec once commented: "When Jules Verne lists all the names of fish over four pages in Twenty Thousand Leagues under the Seas, I feel as though I am reading a poem."[127] (da wiki)
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Friday, August 23, 2013
psicologia
nesta idade em que me deram duas vezes lugar no tram não muito longe de Tophane tenho maior acesso a histórias, o que dá bem comigo: cada vez me sinto melhor dentro de histórias, sejam quais forem. tenho pena que os contadores de histórias de Gogol, à volta do fogo na estepe escurecida, fossem sempre homens, como homens eram a maior parte dos contadores de histórias das coffee houses de Istambul, na sua cadeira elevada, ou os contadores de história índios da américa do norte, que com as história transportavam a história da tribo, de todos os seres vivos, dos seres do ar, de todos os animais e do futuro. na praça a mulher disse-me que tinha feito anos ontem e que tinha posto a toalha para trinta pessoas, entre estrangeiros e portugueses, uma fila de mesas e cadeiras pela rua fora, uma espécie de iftar de aniversário. mas de manhã já estava no mercado a comprar chocos, queria desenjoar do peixe grelhado, para nova leva de convidados. a blusa era amarela com flores pequenas e vermelhas. a mulher era baixa e tinha um peito grande, ao pescoço um fio de ouro com uma cruz mínima. deu-me a receita, assim por alto, mas podíamos ter falado mais tempo. nas histórias de Kelile e Dimme um caminho diferente mas não tão distante de Sherazade, a que sustinha a vida à força de fábulas: as histórias nunca terminam, cada história começa a partir da barriga da história anterior, uma forma de eternidade.
o catálogo de Pamuk leva-me para o livro catálogo de Perec. se um descreve objectos imaginários, o outro imagina a descrição depois dos objectos. tantas histórias.
o vendedor de bolas de berlim da praia é do sul do brasil e dizia para o f.: não descures a escola porque depois pagas com o resto da vida. e continuava: que a mãe lhe tinha pago o curso de psicologia e ele nem ligava. que a mãe tinha morrido e ele descoberto que afinal era pobre e que não podia estudar. nem vivia mal, acrescentou, mas era soberbo, andava sempre de nariz no ar. agora sou mais feliz, a minha vida é simples. por vezes canta quando passa pelas toalhas, muitas vezes dá poemas e outras rimas com o troco. quem sabe a esta hora eu era um psicólogo famoso, o melhor do mundo.
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Wednesday, July 3, 2013
'a personal list'
"After The Wild Palms was translated into Spanish by Borges, it influenced an entire generation of Latin American writers. A series of brilliant, semi-Dadaist novels followed in the footsteps of The Wild Palms, and transformed the pleasure of reading into the quest for a center. Here is a personal list: Vladinir Nabokov's Pale Fire (1962), Julio Cortázar's Hopscotch (1963), Guillermo Cabrera Infante's Three Trapped Tigers (1967), V. S. Naipul's In a Free State (1971), Italo Calvino's Invisible Cities (1973) and If on a Winter's Night a Traveler (1979), Mario Vargas-Llosa's Aunt Julia and the Scriptwriter (1977), George Perec's Life: A User's Manual (1978), Milan Kundera's Unbearable Lightness of Being (1984), and Julian Barnes's History of the World in 10 1/2 Chapters (1989). These novels, all of which were received with great interest and immediately translated into many languages, reminded readers worlwide and budding novelists like me of something that had been known since Rabelais and Sterne - namely, that anything and everything could be included in a novel (...)"
Pamuk em The Naïve and Sentimental Novelist.
(o diabo para 'tagar')
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Friday, September 7, 2012
'L’art et la manière d’aborder son chef de service pour lui demander une augmentation', G. Perec
a ansiedade e indecisão em setenta e uma páginas sem pontuação em publicação quase póstuma de 2008 pois tinha surgido apenas no número quatro da revista Enseignement Programmé, em 68. a engenharia da literatura ou literatura de contingência.
este livro ilustra de modo exemplar a 'arte e a maneira' através da qual a chamada 'troika' chegou às importantes medidas de austeridade impostas ao nosso país. isto a montante. a jusante, a semelhança também é bastaste evidente.
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Sunday, August 19, 2012
walk
depois de Walk, lembro outros caminhantes. Rousseau e Thoreau. o flâneur de Baudelaire, Sebald. um universo limitado, por agora. a poesia de Pasolini é caminhante também. um grande número de personagens caminha. os anos cinquenta e sobretudo os sessenta deram velocidade ao fugir da paisagem. Perec escreveu um livro sem 'e' (foi ele? foi); assim fujo aos acentos que a máquina infernal ignora.
a caleche de Gogol fica a meio caminho: entre o solitário caminhante e a 'road trip'.
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Friday, January 20, 2012
de qualquer modo
grandes planos: The Ballad of the Sad Café and Other Stories a correr paralelamente a Perec. uma caixa de guaches. almoço. trabalhar domingo, tirar a cola do tecto (não, não vou dizer têto, seria estranho). cinema ou teatro, talvez. ver o eixo do mal só para ouvir outra vez o presidente a dizer que o dinheiro não lhe chega. e o que calhar.
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Thursday, January 19, 2012
crítica
"Quanto aos críticos de arte dos jornais americanos de língua alemã, contentaram-se geralmente em alinhar alguns nomes de artistas e alguns títulos de quadros, acrescentando-lhes por vezes daqueles breves comentários que servem para tudo: na secção «Naturezas-Mortas», podemos admirar O Bule sobre a Mesa, de Garten, cuja paleta domina admiravelmente todos os tons de azul, uma elegante Compoteira, obra do robusto pincel do famigerado Sigmund Becket, e O Banco, de James Zapfen, que parece ter conseguido temperar com uma secreta ternura o seu realismo um tanto pesado, etc."
Perec em Gabinete de Amador, edição da Presença, que me ofereceram em 1994. lá dentro encontrei uma folha seca de carvalho.
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Wednesday, January 18, 2012
species of spaces,
Espèces d'espaces, 1974, Perec.
"This is how space begins, with words only, signs traced on the blank page. To describe space: to name it, to trace it, like those portolano-makers who saturated the coastlines with the names of harbours, the names of capes, the names of inlets, until in the end the land was only separated from the sea by a continuous ribbon of text. Is the aleph, that place in Borges from which the entire world is visible simultaneaously, anything other than an alphabet?"
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Perec / Sebald
o livro acima, que provavelmente desaparecerá daqui com o tempo, tenta descobrir os europeus, de um ponto de vista antropológico e serve-se para isso da literatura, particularmente aquela que é fortemente autobiográfica como as obras de Sebald e Perec, que o autor considera autores do Holocausto. estudar a literatura como não-literatura é um jogo de escondidas. Perec e Sebald, mestres do disfarce. lembro a passagem do narrador/Kafka por Riva, um dos episódios mais fascinantes que já li, e todo o Gabinete de Curiosidades (em português) de Perec, a testar no limite a nossa capacidade de ser crédulos, ou seja, de ter fé nas palavras, como aqui:
"a la imagen mental del objeto referido. Incluso cuando éste no es
conocido, o ni tan siquiera real, el origen lingüístico supone una adscripción geográfica
que permite asociar a dicho nombre una serie de rasgos formales y estilísticos
característicos de los autores de similar procedencia. Así, nombres como Bernie
Bickford o Walter Greentale evocan una tradición artística muy distinta a la de un
Giovanni Paolo Pannini o un Gérard van Honthrost."
de um interessante ensaio (aqui, em .pdf) de Illanes Ortega, (D)escribir la pintura: Un cabinet d'amateur de Georges Perec.
"Ante el desafío de esta compleja representación, el autor no podría limitarse al
uso tradicional de la écfrasis, en forma de descripción, más o menos extensa, de los
objetos artísticos evocados. Antes bien, la presencia de la descripción es bastante
limitada en el texto de Un cabinet d’amateur, especialmente si tenemos en cuenta el
importante número de cuadros presentes, tanto en el relato, como en la pintura que lo
protagoniza."
a tradição anglo-americana é estrábica (talvez assim sejam todos os contextos) e insiste em desconhecer autores que de um sopro apagam one-month-bookstores.
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Tuesday, January 17, 2012
how old am I
Perec morreu no meu ano passado.
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Sunday, January 8, 2012
Un Homme Qui Dort, Perec
every Perec piece is a master-one.
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Sunday, September 5, 2010
herbário
ainda com a ideia de Rousseau, perseguido, a ocupar o seu tempo com o catálogo da flora na ilha de Saint-Pierre, nesse gesto de miniatura e listagens e sistemas de organização obsessivos que me vejo tanto a ter que quero começar já amanhã. todas as colecções me atraem dessa maneira e todos os coleccionadores que vejo absortos descobrindo detalhes e coisas ínfimas, elaborando esquemas complicados para o registo sistemático, ter de escolher e imaginar recipientes por exemplo e todas as condições de espaço e de permanência que rodeiam a colecção. Nabokov e as borboletas ou o Gabinete de Amador (grande mentira a verdade) de Perec. também podia inventar espécimes de folhas, agulhas, ramos, pétalas, frutos.
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TAGS Georges Perec, Jean-Jacques Rousseau, kiddos, Stuff, W. G. Sebald

