Rui Chafes, acrescento agora este.
light gazing, ışığa bakmak
Wednesday, July 17, 2013
Tuesday, May 21, 2013
tudo
"22
Só a forma e o vazio são universais; tudo o resto é pó e cinzas."
Rui Chafes em "O Perfume das Buganvílias".
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Ana V.
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11:49 PM
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escombros
"16
Estamos a viver nos escombros dos últimos dias, mas ainda não sabemos que direcção tomar. Cada vez mais as pessoas estão a sofrer com o vazio desta época materialista que parece estar a chegar, finalmente, ao seu fim. Mas que cultura, que civilização nos resta do velho mundo? Que últimos sentimentos ainda de um mundo que tendia para a perfeição de um Palácio? Existe uma tristeza, uma melancolia e a nostalgia de um mundo perdido (...)"
Rui Chafes em "O Perfume das Buganvílias".
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bravura nobreza entrega
"9
A arte será sempre a fricção entre o mundo interior e o mundo exterior. A capacidade de transformar esse conflito numa forma possível é o trabalho dos artistas e dos poetas. Mas esse trabalho tem de ser feito segundo os valores mais antigos e eternos: «bravura, nobreza e entrega.» Que ninguém se iluda, os covardes não têm acesso à Beleza."
Rui Chafes em "O Perfume das Buganvílias".
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envelhecer
"6
Envelhecer é endurecer. Quando erguemos paredes de rigidez à volta da nossa vida, do nosso pensamento, estamos a envelhecer. Envelhecer é tornar-se rígido, duro e seco, como uma árvore que morre. «Se quiseres viver, tens de permanecer macio e flexível como um recém-nascido», disse-nos Arseni Tarkowsky pela voz das imagens do seu filho Andrej. Temos de, permanentemente, aceitar e acolher a instabilidade que altera os nossos hábitos para não ficarmos empedernidos, secos, fechados. Temos de aceitar, definitivamente, que o pensamento é sempre provisório, temporário. Só a permanente capacidade de mudança e de espanto para com o mundo nos poderá fazer viver (e não, apenas, existir). «Ser sábio é muito melhor do que se inflexível», escreveu o sábio poeta grego Teógnis."
Rui Chafes em "O Perfume das Buganvílias".
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10:49 PM
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Saturday, May 4, 2013
longe
22.
Só a forma e o vazio são universais; tudo o resto é pó e cinzas.
23.
Admiremos a soberana intemporalidade de Piero della Francesca, um espírito tão seguro da sua própria grandeza que não procurava nem a glória das cortes nem a protecção dos homens da Igreja influentes, preferindo trabalhar discretamente, longe do tumulto do mundo.
24.
Tento sempre fazer esculturas que sejam como a presença de um felino na sombra, do qual só apercebemos o brilho fugaz dos seus olhos, para que João Miguel Fernandes Jorge as consiga ver.
Rui Chafes em "O Perfume das Buganvílias".
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Thursday, May 2, 2013
desenhos cruzados
9. A arte será sempre a fricção entre o mundo interior e o mundo exterior. A capacidade de transformar esse conflito numa forma possível é o trabalho dos artistas e dos poetas. Mas esse trabalho tem de ser feito segundo os valores mais antigos e eternos: "bravura, nobreza e entrega." Que ninguém se iluda, os covardes não têm acesso à Beleza.
Rui Chafes em "O Perfume das Buganvílias".
'Listen,' Enishte Effendi said to me, 'here, draw a horse of your own imagining, right here.' For three days, like the great artists of old, I sketched hundreds of horses so I might come to know exactly what 'a horse of my own imagining' was. To accustom my hand, I drew a series of horses on a coarse sheet of Samarkand paper.
I took this sketches out and showed them to Elegant. He looked at them with interest and, leaning close to the paper, began to study the black and white horses in the faint moonlight. "The old masters of Shiraz and Herat," I said, "claimed that a miniaturist would have to sketch horses unceasingly for fifty years to be able to truly depict the horse that Allah envisioned and desired. They claimed that the best picture of a horse should be drawn in the dark, since a true miniaturist would go blind working over that fifty-year period, but in the process, his hand would memorize the horse."
Pamuk em My Name is Red que, embora muito feio acto, está aqui para ler.
Horse and Groom, by Haydar Ali, early 16th century
- -
tinha-me perguntado -ela- se podia escrever um livro e respondi ou respondi não respondendo. nem em um milhão de anos, tinha pensado então e penso ainda.
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Tuesday, April 30, 2013
beauty
3. Aprender a aceitar os limites da linguagem, aprender a alargar os limites da ideia. Ser sempre capaz de mais. A Beleza como dever, a coragem como único caminho para o futuro. Suave medo escuro.
4. Não falamos de deserto nem de isolamento, apenas recordamos que somos seres para a morte (no que isso tem de acto trágico e, ao mesmo tempo, tranquilo).
Rui Chafes em "O Perfume das Buganvílias", com o meu itálico intrometido.
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sem preparação
(para ler)
libertação, um anti-Fausto, inacreditável cena final.
a propósito, diz Rui Chafes nesse texto de harmoniosa luminosidade ("O Perfume das Buganvílias"): "Tentar ser um homem puro e íntegro."
de poucas palavras, depois da hora e tal que foi o meu filme deste ano, no Nimas onde eu não ia desde que fechou há alguns anos. uma sala indispensável em Lisboa, grande, com passado, até parte do meu passado, lembrando-me de todas as vezes que lá fui, ver o quê e as pessoas que me acompanharam.
cai a noite na cidade. há vinte anos atrás os escritórios de bancos e advogados expulsaram pouco a pouco as famílias que habitavam os lindos edifícios da 5 de Outubro. a ocupação deu-se de baixo para cima, primeiro as lojas depois os insidiosos gabinetes disto e daquilo. os velhos sobraram nos andares de cima dos prédios, escuros em contraste com as luzes berrantes dos andares térreos; uma Casa ocupada, como a de Cortazár, mas na vertical. hoje fecham os negócios, os escritórios, as repartições e os ministérios. nos gabinetes de advogados foram despedidos todos os funcionários, fica só o próprio no local onde estavam antes os velhos. --nas ruas vazias, alguns passantes que eu diria serem os últimos funcionários no regresso a casa são antes outra coisa e fazem a volta dos caixotes do lixo, apressados e com método, porque atrás deles há outros.
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Ana V.
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