"He turned his face over a shoulder, rere regardant. Moving through the air high spars of a threemaster, her sails brailed up on the crosstrees, homing, upstream, silently moving, a silent ship."
Joyce, Ulysses.
para ler o Ulysses, um dos mais geniais livros de sempre e, tal como outros livros geniais, posto na prateleira da genialidade e raramente lido por alguém, sugiro vivamente que se sigam as instruções preciosas de Rui Manuel Amaral que contribuirão em grande medida para uma leitura sem costuras nem encontrões:
Livro dos feitiços e encantamentos #13.
comecei agora, depois de duas semanas (?), a seguir (follow) Leopold Bloom. consigo ver a foto da mesa do pequeno-almoço no face e a declaração "we love offal" no about me.
light gazing, ışığa bakmak
Sunday, September 28, 2014
silent
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Saturday, September 6, 2014
novidades imperdíveis da 'rentrée'
um título bombástico só para chamar a atenção, mas é verdade: há algumas novidades imperdíveis. (um parêntesis para lembrar o aniversário de uma data fatídica, a noite de 6 para 7 de Setembro em Beyoglu, a Septemvriana, quando uma multidão de arruaceiros e criminosos instigados pelo governo de então, assassinaram, violaram, destruíram e expulsaram os gregos da então Constantinopla. outra queda populacional: 119.882 cidadãos de origem grega em Istambul em 1927 para cerca de 7000 em 1978. esta noite está descrita por vários escritores turcos da actualidade que a lembram com desgosto e revolta, um deles Altun no Sultão de Bizâncio.)
e as novidades:
a abertura hoje de uma nova livraria em Lisboa, desde logo motivo para celebrar. é a livraria do Sr. Teste que até agora funcionava apenas online. a cara oculta é a de Ricardo Ribeiro da antiga Trama. a nova livraria está instalada na Sociedade Guilherme Cossoul na avenida dom carlos I. o que tem de especial? vende exclusivamente livros bons (quero ver alguém contrariar isto).
outra novidade é a criação da Maria Amélia. nem há nada a dizer senão expressar amor por este projecto. ficam as palavras da criadora, mais do que suficientes e que ultrapassam as que eu poderia dizer: "A Mariamélia nasce de um desejo de produzir, desenhar e redesenhar objectos que nos transportam — no espaço e no tempo — ao sítio das memórias.Inspirada em antepassados, em lugares antigos e num tempo diferente, é uma personagem a guiar-nos pelo desenho de peças únicas, de técnicas esquecidas e de práticas abandonadas. Inventa um conjunto de objectos que nos seduzem pelo desenho e por aquilo que evocam. As peças reunidas à volta dela são sempre únicas, com um autor e uma história por trás."
não é novidade nenhuma mas é preciso lê-lo sempre porque todos os textos podem ser classificados como 'novidades imperdíveis da rentrée", da entrada e da saída: Rui Manuel Amaral no Bicho Ruim.
outra não novidade mas uma história de memórias, de silêncio, do puro momento e da evocação, a série de Heidi Romano no instagram #insearchofstillness.
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Tuesday, July 8, 2014
uma questão de estilo:
a C. teria dito velhos, ou até velhas.
[confesso: prefiro velhotes. ultimamente chamo-lhes velhotitos. por vezes outras coisas, mas essas são só na estrada, esse antro]
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Friday, May 9, 2014
Nabokov. ............
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Wednesday, April 2, 2014
qualquer pessoa
sabe que sou fã incondicional de Rui Manuel Amaral. [parte censurada para não embaraçar o autor]
costumava lê-lo no ligeiramente apocalíptico last-tapes. depois da publicação do primeiro livro, acabou a leitura por assim dizer à borla. ultimamente, Amaral tem voltado a publicar, sempre em formato curto mas expandindo as possibilidades da forma: se Tristam Shandy fosse minimizado daria, sem dúvida, um texto de Rui Manuel Amaral. gostei (sou suspeita aqui) das receitas, faltam-me as palavras de elogio aos 'poemas', aos 'diálogos', aos 'retratos', os 'título de quadros' perecquianos, e à recente genealogia 'bíblica'.
a originalidade de Amaral devia vender-se à grama.
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Thursday, February 27, 2014
homens-bomba
de que me lembrei quando li Rui Manuel Amaral esta manhã-
Unreal City,
Under the brown fog of a winter dawn,
A crowd flowed over London Bridge, so many,
I had not thought death had undone so many.
Sighs, short and infrequent, were exhaled,
And each man fixed his eyes before his feet.
Flowed up the hill and down King William Street,
To where Saint Mary Woolnoth kept the hours
With a dead sound on the final stroke of nine.
There I saw one I knew, and stopped him, crying “Stetson!
You who were with me in the ships at Mylae!
That corpse you planted last year in your garden,
Has it begun to sprout? Will it bloom this year?
Or has the sudden frost disturbed its bed?
Oh keep the Dog far hence, that’s friend to men,
Or with his nails he’ll dig it up again!
You! hypocrite lecteur!—mon semblable,—mon frère!"
Waste land.
muito provavelmente contra a sua vontade.
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Monday, October 14, 2013
flash fiction
na folha de estudo vinham vários géneros literários que era preciso 'saber'. um deles era flash fiction, definido como prosa com menos de trinta linhas (seria isto?). deliciosa, a escola; neste caso, the innocence of definitions. terei de quebrar essa inocência, numa tarde destas, e revelar a dura realidade sobre as definições. são um pouco como deus - man made, arbitrárias e que vão sendo 'actualizadas', vulgo inventadas, conforme o contexto do momento.
comecei a ler José Gardeazabal na Granta 2 (e que título! - 'Várias versões de uma catástrofe'), um autor que desconhecia. lembrei-me logo do flash fiction e do non sense do presente cujo mestre e imperador absoluto é Rui Manuel Amaral. será que este non sense, bisneto do surrealismo, será o seguidor na linha da história literária do realismo mágico? o género começa a ser comum e a espalhar-se pelas massas. (ou talvez seja porque produzir este tipo de texto parece fácil, inocência..)
"I could look at her from the corner of my eye and deduce with remarkable accuracy what was happening on television (...)", Pamuk na p. 297 do Museum of Innocence, a Shirin dos sonhos: esta a diferença, entre o concentrado de significado que revela o não-sentido da vida, e o mergulhar na própria vida, ficar submerso, não respirar senão determinada personagem que se fez mais duradoura do que a própria vida.
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Friday, June 7, 2013
'don't save a prayer for me now'
é preciso ter a noção da dificuldade de ler qualquer outra coisa quando se lê uma das obras de Pamuk: a quantidade de planos diversos que se entrecruzam nas linhas aparentes é uma vertigem. encontro esta sofisticação de manipulação em Nabokov e perversidade é a palavra certa para descrever o processo. por outro lado, o que distingue Pamuk de Nabokov é a sua abertura total, colocar tudo no texto, todos as vírgulas da sua vida estão lá, mesmo aquelas de que não fala (a relação com as mulheres da sua vida, por exemplo), estão lá também e são visíveis. é provavelmente esta característica, bem como a mestria em manipular a realidade, na verdade em evocá-la (conjure) que torna difícil ler outros autores como injustamente tentei ler Rui Cardoso Martins. sempre pensei que é preciso escrever com o próprio sangue e é precisamente isso que não vi em 'Espelho da Água', agora que dormi sobre o assunto. o que me dá alguma curiosidade em relação ao conto de Dulce Cardoso pois parece-me, embora não a tenha lido, que o seu sucesso é precisamente esse. mas isto são congeminações, mais nada.
tal como imaginei, o capítulo 8 entra em velocidade cruzeiro: o capítulo seguinte não baixa o ritmo e apresenta outra magnífica personagem, mas em técnica hearsay, através da descrição de alguém (espelhos pois todas as palavras são ponto de vista de alguém): Saadettin é descrito por Ipek que é ouvida por Ka que é escrito pelo narrador, ou seja, nesta descrição há quatro personalidades simultâneas e todas são ouvidas claramente. por outro lado, este artifício cria enormes expectativas em relação à "realidade", ou seja, o Sheik ele mesmo visto por Ka descrito pelo narrador.
- -
a carta, ou introdução:
“Ka, my dear son:
“If you’d prefer me not to call you my son, I offer my sincere apologies. Last night I saw you in my dreams. It was snowing in my dream, and every snowflake that fell to the earth shone with divine radiance [meu itálico, para o que me parece ser o tema de Snow]. I asked myself if it was a sign, and then this afternoon I saw outside the same snow I’d seen in my dream falling right in front of my window. You walked past our humble home, number 18 Baytarhane Street. Our esteemed friend Muhtar, whom God Almighty has just subjected to a severe test, has explained to me the meaning you take from this snow. We are travelers on the same road. I am waiting for you, sir.
“Signed: Saadettin Cevher”
continuação:
“Listen. Go to our esteemed sheikh at once. He counts as a very important person here, much more important than you think; many people in this city go to see him, even people who regard themselves as seculars, lots of army officers. It’s even said the governor’s wife goes there, and lots of rich people, lots of soldiers. He’s on the side of the state. When he said that the covered girls in the university should take off their head scarves, the Prosperity Party didn’t make a peep. In a place like Kars, when a man this powerful invites you over, you don’t turn him down.”
“Was it you who sent poor Muhtar to see him?”
“Are you worried that the sheikh will discover a God-fearing part of you and send you scurrying back into the fold?”
“I’m very happy right now, I have no need for religion,” said Ka.
“And anyway, that’s not what brought me back to Turkey. Only one thing could have brought me back: your love. . . . Are we going to get married?”
I˙pek sat down on the edge of the bed. “Come on, go,” she said. She gave Ka a warm and bewitching smile. “But be careful, too. There’s no one better at finding the weak point in your soul, and like a genie he’ll work his way inside you.”
“What will he do to me?”
“He’ll speak to you, and then all of a sudden he’ll throw himself on the floor. He’ll take some ordinary thing you said and say how wise it is; he’ll insist you’re a real man. Some people even think he’s making fun of them at this point! But that’s His Excellency’s special gift. He does it so convincingly you end up believing that he really thinks what you’ve said is wise and that he believes as you do with all his heart. He acts as if there is something great inside you. After a while, you begin to see this inner beauty too, and because you have never before sensed the beauty within you, you think it must be the presence of God, and this makes you happy. In other words, the world becomes a beautiful place when you’re near this man. And you’ll love our esteemed sheikh because he’s brought you to this happiness. All the while, another voice is whispering inside you that this is all a game the sheikh is playing and you are a miserable idiot. But as far as I could figure out from what Muhtar told me, it seems you no longer have the strength to be that miserable idiot. You’re so
wretchedly unhappy that all you want is for God to save you. Now, your mind—which knows nothing of your soul’s desires—objects a little but not enough; you embark on the road the sheikh has shown you because it is the only road in the world that will let you stand on your own two feet. Sheikh Efendi’s greatest gift is to make the wretch sitting before him feel special, even more as one with the universe than His Excellency himself. To most men in Kars this feels like a miracle, for they know only too well that no one else in Turkey could be as wretched, poor, and unsuccessful as they. So you come to believe, first in the sheikh and then in the longforgotten teachings of your Islamic faith. Contrary to what they think in Germany and to the pronouncements of secularist intellectuals, this is not a bad thing. You can become like everyone else, you can become one with the people, and, even if it’s only for a little while, you can escape from unhappiness.”
“I’m not unhappy,” said Ka.
“In fact, someone that unhappy is not unhappy at all. Even the most miserable people have hidden consolations and hopes they secretly embrace. It’s not like Istanbul; there are no mocking nonbelievers. Things are simpler here.”
Pamuk em Snow.
- -
(escrever com o próprio sangue é uma imagem que induz em erro. Cardoso Pires não escreve eu muitas vezes, como na Valsa Lenta, mas toda a sua existência está presente em cada palavra. não há outro modo, há autores que lhe chamam honestidade na escrita e penso que esse qualificador é correcto. Rui Manuel Amaral não escreve eu jamais e a sua realidade não é a realidade - o meu mundo não é deste mundo - mas também ele faz isso: cada palavra é ele próprio e não julgo que pudesse ser mais ninguém.)
também há que dizer que enquanto Ipek fala de sua excelência o sheik, Ka está a tentar levá-la para a cama, a ler-lhe o seu poema e a perguntar dez vezes se o seu poema é bonito. em resumo, um fantástico auto-retrato.
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Wednesday, February 13, 2013
a nova arte poética
ultimamente tenho reparado que Rui Manuel Amaral escreve poesia. esse hipotético futuro livro entrou já nas minhas contas como "investimentos futuros".
Ars Poetica
Rui Manuel Amaral
Nem tudo
se pode dizer
em prosa.
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Friday, September 28, 2012
poema
de amor
(com a curadoria de R. M. Amaral, excelente o poema e sempre excelente a curadoria, palavra que cresce no quotidiano actual. pensei de início que fosse alguma tradução de Billy Collins, o mais in-your-face dos poetas)
que quem não tem cão caça com gato. (expressão que não serve para dizer mal de, mas que neste caso uso para expressar todos os desvios.)
quem é Peter Reading. (prazer em conhecê-lo)
"For all his ability to match the most technically accomplished poets of his time, he enjoyed the position of the “outsider”, as his double haiku about the literary world reveals: “In last week’s press, X / reviewed Y: One of the best / poets now writing. // In this week’s press, Y / reviews X: One of the best / poets writing now.”" (no artigo do Telegrapgh), ah! o que eu digo sempre ao J. quando lhe chamo mafioso.
que também me lembrou Bénédict Houart, embora haja muito sabão azul e branco nos seus dedos pequenos. again, isto não é um mal. pelo contrário. também os meus têm restos de espuma.
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Tuesday, July 26, 2011
"scomposizione della personalità"
diz Pirandello do seu romance Uno, Nessuno e Centomila - que começa com um nariz. (Gogol-Pirandello). ou 1809-1867. Pirandello também é uma visita de Rui Manuel Amaral. descontando o outro humor mais básico, o da humilhação (que existe sobretudo fora da literatura), seria interessante fazer uma genealogia do absurdo físico: quando uma parte do corpo se rebela ou se revela autónoma, o que sucede em quase metade dos contos de Doutor Avalanche.
para ler também, aqui.
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Friday, July 22, 2011
repolho
há um conto de Rui Manuel Amaral que fala deste vegetal e que não me sai da cabeça. coleccionar possíveis significados simbólicos, preferencialmente psicanalíticos, visualizar comunidades orgânicas e em comunhão com o seu inner algo, ou listar mentalmente todas as sombras sexuais da palavra quando dita em português. um absurdo cubo de Rubik.
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Wednesday, July 20, 2011
rir
alguém nas literaturas comparadas podia pôr lado a lado o heyoka e Falstaff.
ou alguém já o fez.
o que me faz rir, a mim, mas que não é clown:
(entre Gogol e Bartleby)
"Aproveitou ainda para corrigir o próprio estilo do texto." na p.64.
"*** Como se prova pela fotografia incluída nesta página." na p.68
"A folha em branco, por sua vez, observa com atenção o rosto do escritor." na p.109
Rui Manuel Amaral em Doutor Avalanche.
como o heyoka, pegar nas Grandes Questões e virá-las ao contrário.
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Monday, July 18, 2011
"My work is a game, a very serious game." diz-se que disse Escher
..."colectânea de micro-contos que sabotavam de várias formas as convenções ficcionais, quase sempre recorrendo à ironia, ao sarcasmo e ao absurdo, através de pequenos jogos narrativos cheios de paradoxos e brincadeiras meta-literárias. A escrita revelava uma precisão cirúrgica: efeito máximo com o mínimo de palavras; o rigor verbal do poeta aliado à capacidade de síntese do aforista.", o Bibliotecário de Babel sobre Rui Manuel Amaral. e continua manifestando desejo de ampliação: "mas fica a sensação de que RMA se limita a explorar um formato que já domina bastante bem, arriscando menos do que seria talvez exigível a quem elevou tanto as expectativas com a qualidade do primeiro livro.".
como se é apanhado pelo engano, subimos uma escada de Escher no início de cada conto, também se é apanhado pela armadilha própria da prosa curta. ela não quer crescer, ela vive precisamente do final abrupto e esse corte causa sintomas de abstinência. quer-se mais, quer-se outro cigarro. se as construções de Rui Manuel Amaral crescerem serão outra coisa (será legítimo pedir a um soneto que tenha mais versos?).
estes contos crescem para dentro. em cada um se podem ver outros lugares literários, imagens de outros livros ou pontos na história. as referências nunca são referências honestas com nota de rodapé legítima, mas labirinto de espelhos que se serve do coloquialismo para mais confundir as muitas paternidades. tenho gostado de viajar nestes espaços e recordar autores que há muito não encontrava.
(é que ainda vou a meio da leitura)
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Sunday, July 17, 2011
metafiction
ou parte de uma tarde a brincar e ainda na página 27.
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'self-evident sham'
"[A] satisfactory novel should be a self-evident sham to which the reader could regulate at will the degree of his credulity. It was undemocratic to compel characters to be uniformly good or bad or poor or rich. Each should be allowed a private life, self-determination and a decent standard of living. This would make for self-respect, contentment and better service. It would be incorrect to say that it would lead to chaos. Characters should be interchangeable as between one book and another. The entire corpus of existing literature should be regarded as a limbo from which discerning authors could draw their characters as required, creating only when they failed to find a suitable existing puppet."
Flann O'Brien em At Swim-Two-Birds.
para ler, e Big Other para seguir.
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'uncertainty of the narrator'
"In reality, we are stuck with third- and first-person narration. The common idea is that there is a contrast between reliable narration (third-person omniscience) and unreliable narration (the unreliable first-person narrator, who knows less about himself than the reader eventually does). On one side, Tolstoy, say; and on the other, Humbert Humbert or Italo Svevo's narrator, Zeno Cosini, or Bertie Wooster. Authorial omniscience, people assume, has had its day, much as that "vast, moth-eaten musical brocade" called religion has also had its. W. G. Sebald once said to me, "I think that fiction writing which does not acknowledge the uncertainty of the narrator himself is a form of imposture which I find very, very difficult to take. Any form of authorial writing where the narrator sets himself up as stagehand and director and judge and executor in a text, I find somehow unacceptable. I cannot bear to read books of this kind." Sebald continued: "If you refer to Jane Austen, you refer to a world where there were set standards of propriety which were accepted by everyone. Given that you have a world where the rules are clear and where one knows where trespassing begins, then I think it is legitimate, within that context, to be a narrator who knows what the rules are and who knows the answers to certain questions. But I think these certainties have been taken from us by the course of history, and that we do have to acknowledge our own sense of ignorance and of insufficiency in these matters and therefore to try and write accordingly."
em How Fiction Works, de James Wood.
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"colorless green ideias sleep furiously"
a frase de Chomsky quando sintaxe e semântica eram o centro de infinitas conversas. a sintaxe correcta, a semântica nonsense.
"Sem dúvida que o leitor não esperava este desenlace, que não tem qualquer relação com a lógica mais elementar. E a própria sintaxe é um tanto discutível. Mas nem tudo no mundo tem de ter lógica ou obedecer a uma sintaxe perfeita.", Rui Manuel Amaral em Doutor Avalanche.
o nonsense (porque é que o vejo tão língua inglesa?) é poético. o nonsense ritmado e rimado é infantil e é Lewis Carroll. o som e o jogo primeiro, significados depois, ou nulos.
["On a topographical map of Literature Nonsense would be represented by a small and sparsely settled country, neglected by the average tourist, but affording keen delight to the few enlightened travellers who sojourn within its borders. It is a field which has been neglected by anthologists and essayists; one of its few serious recognitions being in a certain "Treatise of Figurative Language," which says: "Nonsense; shall we dignify that with a place on our list? Assuredly will vote for doing so every one who hath at all duly noticed what admirable and wise uses it can be, and often is, put to, though never before in rhetoric has it been so highly honored. How deeply does clever or quaint nonsense abide in the memory, and for how many a decade--from earliest youth to age's most venerable years."
introdução a A Nonsense Anthology, aqui.]
no Doutor Avalanche, num ponto que fica entre Kafka e Lewis Carroll (talvez pudesse ser entre outro e outro) o humor faz repensar o significado, a língua revolta-se a rir contra o seu abuso.
os vários véus de significado (como de memória- a motora, a recente, o conhecimento, a de imagem, a afectiva): os mais próximos e os mais longínquos. qualquer anúncio faz superficialmente muito sentido, mas profundamente sentido nenhum. lembro-me disto, sobre fotografia, neste caso publicitária, e realismo:
"While travelling on the New York City subway, Ritchin imagines that the advertising photographs inside the train are 'unreal' and that "everything depicted in them had never been'. The result is quite striking:
'As I stared more, at images of people in business suits, on picnics, in a taxi, I became frightened. I looked at the people sitting across from me in the subway car underneath the advertisements for reassurance, but they too began to seem unreal... I became very anxious, nervous, not wanting to depend upon my sight, questioning it. It was as if I were in a waking dream with no escape, feeling dislocated, unable to turn elsewhere, even to close my eyes, because I knew when I opened them there would be nowhere to look and be reassured.'
"Photography and Realism" em The Photography Reader.
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Friday, July 15, 2011
the photography reader
"Good composition is only the strongest way of seeing the subject. It cannot be taught because, like all creative effort, it is a matter of personal growth. In common with other artists the photographer wants his finished print to convey to others his own response to his subject." Richard Weston em "Seeing Photographically", em The Photography Reader. um livro perdido que afinal chegou e que vou atirar à literatura com alguma força: writer por photographer, book por print e ver até onde é possível andar. [e até desgostei deste modo um tanto dado a melodrama de dizer as coisas. a propósito: uma das coisas que mais gosto em Rui Manuel Amaral é a auto-referência destruidora. triste é -tendo em conta os constrangimentos da finança- eu precisar de pedir emprestado um dos livros que dei no Natal para ler finalmente, e com espaço, Doutor Avalanche]. ficará entalado na sequência senhor Klum - contos de Thomas Mann.
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Wednesday, July 13, 2011
micro-continhos
"A confusão repete-se, involuntariamente, não só pela inclusão da obra numa colecção que se afirma especialmente vocacionada para a micronarrativa, como também por, mais uma vez, vir no final do livro um desafio editorial bastante peculiar: «seja também um microcontista». Sem pretender decalcar a toada absurda que envolve os contos de Rui Manuel Amaral, imagine-se o que seria se no final dos livros de Lobo Antunes a Dom Quixote começasse a desafiar os leitores do eterno candidato ao Nobel a tornarem-se romancistas. O pormenor não é despiciendo, induz a ilusão de um facilitismo que está longe de ser um dado adquirido.", daqui.
lógicas do mercado que têm pouco interesse. há literatura e há outras coisas. para além do que, depois dos anos 70-80, não me parece que muitos géneros tenham ficado de pé.
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