caseira tem crescido na minha mala desde que lá juntei Mamet de American Buffalo a César Vallejo. se o primeiro ganha em pujança física, já o outro se adianta nos argumentos. apesar da fome, do exílio e da doença.
"Matam o livro, disparam sobre os seus verbos auxiliares,
sobre a sua primeira página indefesa!"
César Vallejo, no poema Himno a los volontarios de la República.
light gazing, ışığa bakmak
Friday, December 31, 2010
uma revolução
Publicado por
Ana V.
às
1:23 AM
0
comentários
Thursday, December 30, 2010
céu da boca
"na introdução de referências a pormenores autobiográficos que, sendo desconhecidos do leitor, são espaços herméticos pelos quais alguns têm querido espreitar e penetrar, procurando descobrir esses pormenores em testemunhos dos que conheceram o poeta, ou em cartas deste, aplicando-os a este ou àquele verso, a este ou àquele poema, não se rendendo à impenetrabilidade de versos e poemas inteiros, ao segredo que o poeta quis que eles fossem, quando a incomunicação é acaso a leitura final desses versos ou poemas, que são a expressão de um mistério, de um desejo ou de uma incapacidade de comunicar ou dizer tudo." no Prólogo de José Bento à Antologia Poética de César Vallejo, sobre o caso de coscuvilhice literária que tenta, tantas vezes, ligar versos a biografias [essa personagem não foi de avião por razões da autobiografia: Sam Shepard não voa nunca, não gosta de aviões]. e depois?, apetece dizer.
À mesa de um bom amigo então comi
com seu pai a recém-chegar do mundo,
com suas tias decrépitas que falam
em grisalho repintado de porcelana,
cochichando por seus alvéolos viúvos;
e com talheres efusivos de alegres tiroliros,
porque estão em sua casa. Assim, que graça!
E doeram-me as facas
desta mesa em todo o céu da boca.
parte do poema XXVIII do livro Trilce (1922), título inventado, diz o próprio, que gostou da palavra. lá fora está escuro e cinzento e começou a chover outra vez. nós temos o céu dentro da boca, quem fala inglês tem um telhado.
Publicado por
Ana V.
às
8:52 AM
0
comentários
Wednesday, December 29, 2010
tinha um
projecto [umaespéciede]. começou hoje. "São as profundas quedas dos Cristos da nossa alma,/de uma fé adorável que o Destino blasfema. / Tais pancadas sangrentas são as crepitações / de um pão que à porta do forno se nos queima." César Vallejo, Antologia Poética da Relógio d'Água com tradução de José Bento.
aqui no original, que me escapa. ou aqui.
Publicado por
Ana V.
às
2:53 PM
0
comentários