light gazing, ışığa bakmak

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Friday, December 31, 2010

uma revolução

caseira tem crescido na minha mala desde que lá juntei Mamet de American Buffalo a César Vallejo. se o primeiro ganha em pujança física, já o outro se adianta nos argumentos. apesar da fome, do exílio e da doença.

"Matam o livro, disparam sobre os seus verbos auxiliares,
sobre a sua primeira página indefesa!"

César Vallejo, no poema Himno a los volontarios de la República.

Thursday, December 30, 2010

céu da boca

"na introdução de referências a pormenores autobiográficos que, sendo desconhecidos do leitor, são espaços herméticos pelos quais alguns têm querido espreitar e penetrar, procurando descobrir esses pormenores em testemunhos dos que conheceram o poeta, ou em cartas deste, aplicando-os a este ou àquele verso, a este ou àquele poema, não se rendendo à impenetrabilidade de versos e poemas inteiros, ao segredo que o poeta quis que eles fossem, quando a incomunicação é acaso a leitura final desses versos ou poemas, que são a expressão de um mistério, de um desejo ou de uma incapacidade de comunicar ou dizer tudo." no Prólogo de José Bento à Antologia Poética de César Vallejo, sobre o caso de coscuvilhice literária que tenta, tantas vezes, ligar versos a biografias [essa personagem não foi de avião por razões da autobiografia: Sam Shepard não voa nunca, não gosta de aviões]. e depois?, apetece dizer.

À mesa de um bom amigo então comi
com seu pai a recém-chegar do mundo,
com suas tias decrépitas que falam
em grisalho repintado de porcelana,
cochichando por seus alvéolos viúvos;
e com talheres efusivos de alegres tiroliros,
porque estão em sua casa. Assim, que graça!
E doeram-me as facas
desta mesa em todo o céu da boca.

parte do poema XXVIII do livro Trilce (1922), título inventado, diz o próprio, que gostou da palavra. lá fora está escuro e cinzento e começou a chover outra vez. nós temos o céu dentro da boca, quem fala inglês tem um telhado.

Wednesday, December 29, 2010

tinha um

projecto [umaespéciede]. começou hoje. "São as profundas quedas dos Cristos da nossa alma,/de uma fé adorável que o Destino blasfema. / Tais pancadas sangrentas são as crepitações / de um pão que à porta do forno se nos queima." César Vallejo, Antologia Poética da Relógio d'Água com tradução de José Bento.

aqui no original, que me escapa. ou aqui.

 
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