enquanto me ponho a hipótese de nas idas a norte optar pela viagem de comboio (o mesmo que colheu a vida e os corpos de dois jovens polícias), leio a do jovem Marcel asmático para Balbec e alinho-a a outras: a de Karenina com o livro no colo, a entrada de Gustav em Veneza, a das crianças alemãs de Sebald, os pastores de Sepúlveda no Patagonia Express.
light gazing, ışığa bakmak
Thursday, February 26, 2015
viagens de comboio
Publicado por
Ana V.
às
9:33 AM
0
comentários
TAGS Luis Sepúlveda, Marcel Proust, Stuff, Thomas Mann, Tolstoi, W. G. Sebald
Tuesday, November 25, 2014
obrigada, a.
ou porque aquele país nunca sairá dos meus sonhos.
um pouco ao encontro do livro que ando a devorar, Patasana, onde a "acção policial" se desenrola numa escavação perto de Gaziantep. (que bom Ühmit, um homem antes de autor na mesma prateleira de homens como Sepúlveda e Mia Couto, embora não tanto na escrita, dentro da ideia ainda viva da literatura mudando para melhor o mundo).
Seleucia, fundada 300 anos antes de Cristo por um dos generais de Alexandre o Grande (não exactamente pelos "gregos"). a escavação hitita que leio agora tem 1600 anos antes de Cristo. cada vez que erdogan constrói uma ponte, autoestrada ou barragem ou até o metro de Istanbul, as camadas de vidas que desenterra são a própria ilustração da existência humana. absolutamente fascinante.
de certo modo, nascemos deste rio, como Náiades saídas da água. (para ter uma ideia temporal, os fenícios - sírios e libaneses - fundaram Lisboa 1200 anos antes de Cristo como um entreposto marítimo. porque a água desta península é salgada.)
quanto a Seleucia-Zeugma, outra cidade do Eufrates.
the gipsy girl, da wiki.
(e cá como lá mas lá para muito pior: a política de construção de barragens como forma de poder, de escravidão, de manipulação, de soberania.)
Publicado por
Ana V.
às
2:07 PM
2
comentários
TAGS A arte pela arte, Ahmet Ümit, is13, is14, Lágrimas do teu sal, Luis Sepúlveda, Mia Couto
Friday, May 2, 2014
o que é a história
com um obrigada a Luis Sepúlveda pela nota: as crianças espanholas estudam hoje por estes manuais que mentem sobre as mortes dos poetas.
Publicado por
Ana V.
às
9:25 AM
0
comentários
Thursday, May 30, 2013
uma nota de Luis Sepúlveda
via fb
Publicado por
Ana V.
às
9:46 AM
0
comentários
TAGS Luis Sepúlveda, Mia Couto
Saturday, April 27, 2013
o Luis Sepúlveda tem um blogue
o que é um verdadeiro acontecimento, por ser ele, por se chamar Caleuche, e por conseguir ser ainda livre, ou seja, escrever sem ser sob o jugo das editoras.
(jugo é uma palavra tão gira, tão passé. o mal é que a sua prática está em alta)
Publicado por
Ana V.
às
5:39 PM
0
comentários
TAGS Luis Sepúlveda
Wednesday, December 26, 2012
ah os meus melhores livros
deste ano são tantos: Pamuk neste final de ano, valeu a pena esperar perante o enorme abismo e seguir em queda livre; Candide de Voltaire; Walk. depois: Au Japon (bem sei, a sequência é estranha) e O Velho que lia Romances de Amor. em meados de Abril, na Patagónia. no Inverno passado foi Gogol. que ano estrondoso.
- -
estes são alguns dos melhores do público mas listas não faltam na net. positivamente vendo: ter entrado para o goodreads pela mão do Armando (thanks!)
Publicado por
Ana V.
às
5:12 PM
0
comentários
TAGS Biblioteca de Babel, Elena Janvier, Gogol, Luis Sepúlveda, Orhan Pamuk, Robert Walser, Voltaire
Sunday, July 29, 2012
o português
"No período de ouro do 'milagre económico alemão', nos finais dos anos sessenta, na estação de Colónia, os alemães recebiam eufóricos o imigrante "um milhão", que aconteceu ser um português do Algarve, baixinho de estatura, tímido, e que, sem compreender uma palavra daqueles que o saudavam, agradecidos por ele ter chegado para a construção da Deutsche Wunder, recebia como prémio uma motocicleta e um ramo de flores. Um documentário daquela época mostra esse dia na estação de Colónia, era Outono, estava frio, e o presidente do patronato alemão cumprimenta aquele Gastarbeiter, cuja tradução mais precisa é "trabalhador convidado". Alguns dias depois, Willy Brandt, na sua qualidade de chanceler, pedia-lhe desculpas por aquela recepção indigna. Numa carta dizia-lhe: "O senhor é a pessoa número um milhão que chega para colaborar no maior esforço económico da história alemã. Estamos-lhe gratos por isso, e dou-lhe as boas-vindas como ser humano, como pessoa, como cidadão estrangeiro com os mesmos deveres e direitos de qualquer cidadão alemão".
Os franceses esqueceram-se de que os imigrantes são pessoas e não chusma ou canalha, como os classificou o ministro do Interior, Sarkozy."
Luis Sepúlveda em Crónicas do Sul.
Publicado por
Ana V.
às
1:49 AM
0
comentários
TAGS Luis Sepúlveda
Saturday, June 23, 2012
sobre isto
"Quinze minutos antes da meia-noite de 10 de Julho de 1985, duas poderosas bombas colocadas no seu casco [do Rainbow Warrior] por homens-rãs dos serviços secretos franceses tinham-lhe aberto brechas mortais no porto de Auckland, na Nova Zelândia. E as bombas assassinaram o ecologista português Fernando Pereira, que se encontrava a bordo.
O velho Rainbow Warrior travou muitas batalhas pacíficas em águas do Sul, pondo a nu a irracionalidade das experiências nucleares francesas no atol de Muroroa e sucumbiu vitimado por um odioso acto terrorista aprovado pelo governo gaulês.
Não há nada mais belo do que um veleiro sulcando os mares em silêncio, e nesse mesmo silêncio, em Dezembro de 1985, amigos vindos de todo o mundo rebocaram o adormecido Rainbow Warrior até à enseada de Matauri, em frente das costas neozelandesas e, numa cerimónia maori, deixaram-no visitar até às profundidades marinhas, até à fundura abismal e necessária para que se unisse à vida por que lutou."
Sepúlveda em Mundo do Fim do Mundo.
Publicado por
Ana V.
às
9:58 PM
0
comentários
TAGS Luis Sepúlveda
enseada
"As águas da Grande Enseada Sem Nome ofereciam uma quietude plana, e o Finisterre navegando com a pequena vela de proa abria nelas uma delicada cicatriz."
Luis Sepúlveda em Mundo do Fim do Mundo, que tem muitas partes a citar, talvez até grande parte ou quase tudo seja citável, nem tanto pelo delicado trabalho das frases, como a de cima, como pelas lições sobre a 'barbárie' , a que será, julgo, a palavra motivadora deste autor, tanto aqui como no Velho dirigida ao mundo selvagem mas, em livros anteriores, a de homens contra homens.
"A barbárie militar crioula não era diferente de outras barbáries uniformizadas, e descobrimos lentamente que os nossos pequenos sonhos eram egoístas. Tínhamo-nos autoconvencido da nossa capacidade de derrotar os inimigos da justiça, chamando-os à luta num terreno que supúnhamos dominar, mas no fundo, e por comodidade, deixávamos que eles continuassem a fixar as regras do jogo.
Ao fim de um longo, incómodo e doloroso tempo, o exílio, transformado numa espécie de bolsa de estudos, permitiu-nos entender que a luta contra os inimigos da humanidade se trava em todo o planeta, que não requer heróis nem messias, e que começa por defender o mais fundamental dos direitos: o Direito à Vida."
no mesmo livro, claro.
não sei quem disse que este livro é "prosa enxuta", que engraçado. não gosto de alegadas [palavra da moda} afirmações de gente importante ou desconhecida sobre o livro no próprio livro, como se eu própria andando a carregar tatuadas as opiniões dos outros sobre mim. e não faço a mais pequena ideia sobre a tal "prosa enxuta", -a que não deve ser molhada.
all in all, outro livro para oferecer. (houvesse uma edição bem feita mas, curiosamente, estes autores-estrela que vendem acabam nas mãos dos editores hipermercadistas, enquanto autores desconhecidos e por vezes até 'menores', têm direito a edições de luxo, luxo de qualidade obviamente, não me refiro ao preço do papel)
Publicado por
Ana V.
às
10:27 AM
0
comentários
TAGS Luis Sepúlveda, Stuff
Wednesday, June 20, 2012
Ahab
no Mundo do Fim do Mundo de Sepúlveda, Ahab aparece como Achab na página 14. achei que era erro tipográfico. mas não, na página 27 volta a surgir Achab, herói de Moby Dick. o que não me vai sair da cabeça nos próximos dias é porquê.
vi o 'novo' de Sebald: primeiro livro 'inédito' em Portugal, que não sei se estava publicado elsewhere antes da morte do escritor. uma espécie de Clarabóia estrangeira, milking the dead cow. o mesmo com Nabokov de Laura.
Publicado por
Ana V.
às
9:31 AM
0
comentários
TAGS Luis Sepúlveda, Melville, Nabokov
Friday, June 15, 2012
onça pintada
não é costume isto, mas faço-o agora: se há livro que aconselho é este - O Velho que Lia Romances de Amor (até com as maiúsculas por cada palavra como é moda anglística). leitura rápida e acessível, história apaixonante (talvez mais para rapazes mas raparigas também pode ser, as mais aventureiras), para amantes da natureza, para reformados, avós e avôs, para a mãe e para o pai, para o irmão adolescente que não lê nada, para o primo e para nós próprios, para ler dez vezes porque é um livro pequeno e porque há mais para ver de cada vez.
e comprem (de preferência em livraria independente), não copiem: o autor está vivo e merece receber pelo seu alucinante trabalho.
um preview, à moda do cinema: um excerto do início do capítulo sete, no momento da saída do grupo que se propõe caçar a onça (a propósito, se houver filme disto, ignorem-no - este vale pela selva que se cria com palavras e pelas cores que elas criam nas nossas congeminações):
" O grupo de homens reuniu-se com as primeiras difusas luzes da alvorada adivinhada sobre as nuvens densas. Um a um foram chegando aos saltos pelo atalho enlameado, de pés nus e de calças arregaçadas até aos joelhos.
O administrador ordenou à mulher que lhes servisse café e rodelas de banana verde, enquanto ele repartia cartuchos para as espingardas. Três cargas duplas para cada um, além de um feixe de charutos, fósforos de cera e uma garrafa de Frontera por cabeça.
- Tudo isto é a cargo do Estado. No regresso têm que me assinar um recibo.
Os homens comiam e enfiavam entre o peito e as costas as primeiras goladas do dia.
Antonio José Bolívar Proaño permanecia um tanto afastado do grupo e sem tocar no prato de folha.
Tinha tomado o pequeno almoço cedo e sabia dos inconvenientes de caçar com o corpo pesado. O caçador deve estar sempre com alguma fome, pois esta aguça os sentidos. Estava a dar pedra ao machete cuspindo de vez em quando na lâmina, e depois, olhando com um olho só, verificava a perfeição do aço afiado.
- Tem um plano? - perguntou um.
- Primeiro vamos ao Miranda. Depois se verá.
O gordo não era, evidentemente, um grande estratega. Depois de verificar aparatosamente a carga da sua Smith and Wesson, "mitiguesso" para os habitantes do lugar, embrulhou-se num impermeável de oleado azul que lhe fazia ressaltar o corpo amorfo.
Nenhum dos quatro homens fez o menor comentário. Gozavam vendo-o suar como uma enferrujada torneira interminável.
«Já vais ver, Babosa. Já vais ver que morninho é o impermeável. Até os tomates te vão cozer lá dentro.»
Com excepção do administrador, iam todos descalços. Tinham forrado os chapéus de palha com sacos de plástico, e em bornais de lona engomada protegiam os charutos, as munições e os fósforos. As espingardas descarregadas iam a tiracolo.
- Desculpe. As botas de borracha vão estorvar-lhe a marcha - observou um.
O gordo fingiu que não ouviu e deu ordem de partida.
Abandonaram a última casa de El Idilio e entraram na floresta. Lá dentro chovia menos mas caíam jorros mais grossos. A chuva não conseguia trespassar o espesso tecto vegetal. Acumulava-se nas folhas e, quando os ramos cediam sob o peso, precipitava-se, aromatizada por todas as espécies.
Caminhavam lentamente por causa do lamaçal. à frente, dois homens abriam caminho a machete, a meio ia o administrador respirando agitadamente, molhado por dentro e por fora, e atrás os dois homens restantes fechavam o cortejo, podando as plantas que tinham escapado aos machetes da frente.
Antonio José Bolívar era um dos que iam atrás do administrador.
- Armem as espingardas. Mais vale andarmos preparados - ordenou o gordo.
- Para quê? É melhor levar os cartuchos secos nos sacos.
- Quem dá ordens aqui sou eu.
- Às suas ordens, excelência. Afinal os cartuchos são do Estado.
Os homens fingiram carregar as espingardas. "
Luis Sepúlveda em O Velho que Lia Romances de Amor
- - -
a gostar igualmente da tradução de Pedro Tamen.
Publicado por
Ana V.
às
12:08 PM
0
comentários
TAGS Luis Sepúlveda
Thursday, June 14, 2012
entre
estou entre felinos, ou melhor, felinas: entre a leoa do Mia Couto (afinal uma história que funde os tais factos reais com as histórias das pesquisas antropológicas do escritor, com a defesa da mulher, com uma nova ironia e auto-referência). talvez pela dor de dentes feroz que me acompanhou nos três capítulos finais, não os achei muito claros. talvez preferisse que não tivesse existido uma Luzilia, não sei bem. dizia: entre a leoa de Mia Couto e a felina de Sepúlveda, esta última num oposto divertido: se Mia Couto fosse a sobremesa, Sepúlveda seria o arroz de lampreia. delicadeza-brutalidade.
um como o outro: contadores de histórias.
"No momento não entendi. Mas depois Luzilia explica: na língua de Manila o termo Kusungabanga significa "fechar à faca". Antes de imigrar para trabalhar há homens que costuram a vagina da mulher com agulha e linha. Muitas mulheres contraem infecções. No caso de Martina Baleiro, essa infecção foi fatal."
Mia Couto n'A Confissão da Leoa.
para ver aqui também. está bem, aqui não foi assim tão doce. assim é a violência de Mia Couto: uma violência escondida em palavras doces.
- - -
"Os textos de história pareceram-lhe um chorrilho de mentiras. Era lá possível que aqueles senhorecos pálidos, de luvas até aos cotovelos e apertados calções de saltimbancos, fossem capazes de ganhar batalhas. Bastava vê-los de caracolinhos de cabelo bem cuidados, agitados pelo vento, para perceber que aqueles tipos não eram capazes de matar uma mosca. De tal maneira que os episódios históricos foram desprezados pelos seus gostos de leitor."
Luis Sepúlveda em O Velho que Lia Romances de Amor.
senhorecos e caracolinhos. não deixa de ter piada para quem não se deixa enganar por faixas e bandeiras. até porque, finalmente e depois de tudo dito, a primeira frase continua a ser muito verdadeira. a história tem tantas mentiras como o corpo tem água.
Publicado por
Ana V.
às
11:13 PM
0
comentários
TAGS Luis Sepúlveda, Mia Couto, Mulheres
Tuesday, June 12, 2012
'resistência pacífica, adaptação, evasão, imaginação'
era isto mesmo:
"Luis Sepúlveda:
Estoy contento, y espero que sea contagioso, porque mañana muy temprano me subo al auto y pongo rumbo a Portugal. Estoy contento, porque voy a presentar la edición portuguesa de Últimas Noticias del Sur, pero no sólo por ese motivo. Estoy contento porque me gusta Portugal, me gusta la manera de ser discreta de los portugueses, la cordialidad que no se ha perdido con la crisis, porque soy un amante de la cocina portuguesa, y del vino estupendo (soy adicto al Esporâo) que sirven sin mayores pretensiones ni aspavientos. Asisto a Correntes da Escritas en Povoa do Varzim, uno de los mejores festivales literarios de Europa y en que siempre, además de mesas interesantes, hay buen ambiente, buen clima entre colegas y lectores. Esa manera de ser de los portugueses debería contagiarse al resto del mundo; son lo que son, nadie presume de una "marca Portugal" y abren las puertas de su generosa hospitalidad como el hecho más natural de la vida. Cómo no voy a estar contento si mañana estaré en Portugal."
(Luis Sepúlveda no fb)
Publicado por
Ana V.
às
6:27 PM
0
comentários
Monday, June 4, 2012
a truta sou eu
disse Roger Vaillant sobre o livro, sobre Fredérique. « La truite c'est moi-même m'interrogeant sur les personnages que je sue à mesure que je les sue. On ne peut pas être plus nu (et j'en suis sorti complètement vidé), mais personne ne s'en est aperçu. »
de 1964, que afasta mais do que competel, tal como Pynchon do outro lado do grande lago. porque se obceca com o poder e a dominação; porque as relações entre um e outro se baseiam na expropriação, no roubo e na mentira.
é elucidativo, augura as quatro décadas do estender do capitalismo a todas as áreas da actividade humana, desde a mais fraca, o poder político, até à mais resistente, a cultura.
a mulher-animal vejo-a insultuosa, -para ambas as partes. o real politik que entrevejo na descrição da truta que engole as bolhas de ar antes de qualquer outra enoja-me, de certa maneira.
a escrita angulosa e matematicamente concreta: é assim que o leio.
sendo a escrita -e quem escreve- o melhor estudo ou retrato de um determinado espaço de tempo, Vaillant é documental. nele vive Marx (sempre vivo e glorioso até hoje) e por ele se justifica Sepúlveda. aliás, muitos Sepúlvedas.
Publicado por
Ana V.
às
10:38 AM
0
comentários
Friday, April 20, 2012
Chile
"Chile hurts. A poet once said that “Chile is long as a rancher’s lasso and thin as the poor man’s cot. We live between the mountain range and the sea, balancing like drunks. With our hands clinging to the mountains and our feet wet from the sea, more cold than this world.” What makes the Chilean an insistent, uncontrollable, stubborn persistent being? I don’t know. Perhaps it is the extraordinary mix of races and cultures that gives us an extravagant air, much of the time dark, frugal with words, and brief with incoherent actions and behaviors. The fact is that the whole world waited so long for the compromise that governs after the dictatorship and despite the fact that the parties have made many notable advances for its history today, Chile wants more to the point where we are being devoured by our appetites and uncontrollable desires of consumption only compared to a global level. History has passed through this world without leaving any obvious tracks or traces. Chile also is a country of oversight — a land of negligence and sudden insanity. In this Utopian land reigns under customs disguised as a bad carnival of pragmatism and Cartesiana reason. The reality is that Chile is a line in the air.", Miguel Littín em entrevista sobre o filme Isla 10, que me levou de volta aos prigués de Sepúlveda.
[dia de dizer: é sexta-feira, yeah-]
Publicado por
Ana V.
às
9:13 AM
0
comentários
TAGS García Marquez, Luis Sepúlveda, O meu cinema é o meu cinema
Wednesday, April 18, 2012
diário de um killer
Felizmente entrei na casa do autor pelos fiordes da Patagónia. Se o tivesse feito por este Diário de um killer sentimental, era provável que não tivesse passado a noite. À primeira vista está no patamar da M80.
Publicado por
Ana V.
às
11:40 AM
0
comentários
TAGS Luis Sepúlveda
Friday, April 6, 2012
textual traveling
"Tracing the footsteps of itinerant precursors is a commonplace of contemporary travel writing: indeed, as a number of scholars have pointed out, the experience of travel is fundamentally intertextual." Claire Lindsay em 'Luis Sepúlveda, Bruce Chatwin and the Global Travel Writing Circuit'.
Publicado por
Ana V.
às
11:24 PM
0
comentários
TAGS Chatwin, Luis Sepúlveda, W. G. Sebald
Monday, April 2, 2012
s/n
reconhecendo que a literatura dos povos índios norte-americanos alterou sem regresso o modo de v/ler literatura. ainda assim, foi pura sorte ter entrado na Patagónia pelo meio marítimo, navegando nos fiordes chilenos. não sei se teria sido o mesmo se tivesse tido Chatwin por guia. afinal chegar aqui ou ali, destinos transitórios, depende, vejo agora, do caminho tomado. normalmente, e talvez por uma qualquer disposição humana, mantém-se uma fidelidade aos primeiros.
há anos perguntavam-me se não me ofendia com os artigos do the news. na altura nem sequer lia o jornal, que continuo a não ler. de algum modo, Chatwin relaciona-se com isto.
há muito tempo que não lia um autor do Reino Unido.
Publicado por
Ana V.
às
11:37 AM
0
comentários
TAGS Chatwin, Luis Sepúlveda
Tuesday, March 20, 2012
treinos
celebrar o fim do inverno do descontentamento, já sem desculpa para ligar o aquecedor, iniciando os treinos para o verão. ou retomar a vida.
ainda na porta da entrada de Chatwin, não me sai da cabeça o diálogo com Sepúlveda na espanada da plaza Cataluña (meia hora no aerobus por cinco euros) em que trocaram palavras como os cães trocam fungadelas: reconhecimento territorial. e ocorreu-me que a chamada literatura de viagens, etiqueta que me desagrada até porque toda a literatura são viagens, se tem regido por normas dentro daquela lógica. foi toda ela masculina e masculinizada, dentro do ideal aventureiro corto maltese. neste arrumar do mercado de certos livros em certas prateleiras - para além da (i)lógica suja dos mercados e dos vinte dias de visibilidade prateleiral, faz-se prolongar esta ideia que de certo modo tolhe a minha liberdade de pensar. estando no hall de entrada de um autor que descreve uma casa como cheirando a missa, o melhor que tenho a fazer é limpar os pés.
Publicado por
Ana V.
às
12:46 PM
0
comentários
TAGS Chatwin, Luis Sepúlveda, Stuff
Wednesday, March 14, 2012
'Un hombre llamado Saramago'
artigo de Luis Sepúlveda para o Monde Diplomatique em Junho de 2010. e o blogue.
Un hombre llamado Saramago
“Caín”, la última novela de José Saramago me llegó un día de lluvia y el sobre que contenía el libro venía medio desecho, pero la tinta de bolígrafo es por fortuna resistente y la dedicatoria no había sufrido daños. También llovía hace dieciocho años en Bad Homburg, un lugar cercano a Frankfurt donde, cada año, empezaba realmente la Feria del Libro, la mítica Buchmesse, durante una cena ofrecida por Ray-Güde Mertin, nuestra agente literaria. Y en esa tarde de lluvia, mientras todos bebíamos estupendos vinos alemanes, mientras escritores y editores de todo el mundo nos encontrábamos, tocábamos, narrábamos lo que en ese momento nos ocupaba, nadie se percató de que el timbre de la casa no funcionaba.
De pronto, uno de los camareros se acercó a la anfitriona y le susurró: “en la puerta hay un hombre llamado Saramago”. Entonces entró ese hombre flaco acompañado de un ángel llamado Pilar, ese hombre que miraba a los ahí reunidos con ademanes de estar perdido, hasta que reconoció al novelista uruguayo Mario Delgado Aparaín y ambos se fundieron en un abrazo. A partir de ese momento se formó el rincón de los latinoamericanos que tratábamos de responder a las mil preguntas que nos hacía José Saramago, que sabía de nuestros países más que muchos de nosotros mismos.
José Saramago entendía la solidaridad como un hecho consustancial a vivir, nadie se jugó tanto por tantas causas justas y en tan poco tiempo. Los que alguna vez lo invitamos a Chiapas, a los campamentos del Tinduf, a la Araucanía, a cualquier territorio del continente americano donde se precisara, no un mensajito esperanzador carente de médula, sino un discurso fuerte sobre los derechos humanos, la justicia y la dignidad de los pobres, sabíamos que lo más probable es que aceptara, poniendo en juego su propia salud y su precioso tiempo de escritor enorme.
José Saramago llegó a todos los lugares a los que creyó que tenía que llegar. Supo definir mejor que nadie lo que significaba ser un comunista en el confuso siglo XXI: es una cuestión de actitud, dijo, una cuestión de ética frente a los acontecimientos y la historia.
Y ahora llueve también en Asturias cuando la radio me informa del deceso de ese hombre llamado Saramago, cuyo ejemplo es un icono de la decencia social, y autor de libros que permanecerán en la memoria de los siglos.
Será dura y difícil la senda de los preocupados por la ética sin la presencia de José Saramago. Será duro saber que no está cuando precisemos de su voz alentadora en las mil batallas pendientes contra un sistema feroz. Pero sé que una voz en nuestras conciencias, en los momentos de dudas o peligros, nos recordará que con nosotros todavía sigue el ejemplo de ese hombre, de ese hombre llamado Saramago."
- -
Publicado por
Ana V.
às
12:12 AM
0
comentários
TAGS Luis Sepúlveda, Saramago


