"Venècia es veu a l'horitzó. S'endevina, tot just, mig submergit, el perfil de taques baixes i apaïsades de color de canyella. A sobre hi ha uns torterols de fum, d'una blancor mòrbida, i uns grumolls tórtora. A mesura que el tren avança, sense córrer, els seus sorolls s'ofeguen en el gruix de les aigües. Hi ha un moment que us sembla haver girat una cantonada de silenci. Us aneu acostant a la vila i sentiu com si us anéssiu amollant a baix d'un pou profund. Una quietud de to llunyanament greu, digitejada pel xipolleig de les aigües, ja no us deixa més à Venècia. És la impressió d'arribada."
diz Josep Pla em Cartes d'Itàlia.
light gazing, ışığa bakmak
Monday, July 25, 2011
'pou profund'
Publicado por
Ana V.
às
12:29 AM
0
comentários
Sunday, July 24, 2011
s/n
(poucas imagens depois de alguns desaires fotográficos e uma trabalhadora down). em Évora contento-me sendo turista, chegar e abrir a boca a tudo como se fosse extraordinário e nem querer saber se aquele gaspacho é desta aldeia ou daquela mas comê-lo e calar. em Lisboa, os autocarros turísticos param ao meu lado no trânsito trabalho-casa, quarenta olhos curiosos a imaginar a minha vida local - o que fazem eles aqui, como dormem como comem onde vão. essa vida que lhes é alheia e que não é fotografável para os álbuns. ou quase todos, talvez, queiram ser como eu em Évora, turista só.
à minha falta de registo se une o catalão de Josep Pla, em Viagem a Itália.
Wednesday, June 15, 2011
"'Imprescindibles' : Josep Pla, a 30 años de su muerte"
se não me engano, na 2 da TVE, excelente documentário sobre Josep Pla, que retomarei assim que tenha liberdade de leitura. "Dali es un comerciante tremendo que ha tratado de hacer una fortuna y la ha hecho. Ahora, si esto le ha ido bien o mal, yo no lo sé."
(à escrita sacrificarei tudo na vida.. é uma frase muito típica de um verdadeiro escritor.)
uma bela série.
e a entrevista, a única, de 1976.
que não era escritor da imaginação, era escritor da observação.
Publicado por
Ana V.
às
2:29 PM
0
comentários
TAGS Biblioteca de Babel, Josep Pla
Thursday, April 28, 2011
alguns títulos reunidos
uma brincadeira, claro. uma marca inequívoca da solidão: um colarinho mal posto. ninguém olhou para ti antes de mim, ninguém que tivesse um sentimento forte o suficiente para te dizer ou para te aprumar com as próprias mãos. hoje abriu a feira do livro e Fernando Alves apontou-me Ana Maria Matute, escritora nascida em Barcelona com a qual ainda não me cruzei. talvez venha a estar publicada na colecção de literatura catalã da Cotovia. este ano, da feira quero apenas as imagens de Walser e talvez algum Sebald que me tenha escapado, penso haver um (cá está ele, da teorema). como qualquer árvore centenária do bosque encantado de Fernando Alves (quem sabe ao fundo depois das árvores se esconde um lago sobre o qual a neblina paira. como nos romances medievais ou como nos romances, mais prosa que nunca, do romantismo que se tornaram vida para muitos imitadores; todos os suicidas do lago Como nessa neblina. -imagino que a Oriente numerosos sejam os lagos, mas não os conheço senão das imagens de papel de arroz, poucas).
[na lista de episódios estranhos: "Sessões de Autógrafos - Sessão de autógrafos com Greg, personagem de O Diário de um Banana"] penso que esse tal Greg personagem vai lá estar todos os dias.
ao fundo, rosado, foi este clipper que vi seguir de frente para o mar, abandonando Lisboa (Alexandra leaving e um homem de olhos postos na entrada do oceano, ou saída, coleccionando embarcações).
como qualquer obra literária, o Caderno Cinzento tem feito o que eu esperava dele- alterar o estado do mundo.
Publicado por
Ana V.
às
10:01 AM
0
comentários
TAGS Biblioteca de Babel, Josep Pla, Robert Walser, Stuff, W. G. Sebald
Wednesday, April 27, 2011
s/n
"As gaivotas, as gaivotas, circundam círculos puros, a tocar a água com uma pontada do bico. Passam zumbidoras, a gritar, e chega a ouvir-se o bater das asas. Devem sentir um estremecimento de prazer quando a desordem da plumagem deixa entrar, até ao calor da pele, os salpicos da água salgada." Pla no Caderno Cinzento.
Publicado por
Ana V.
às
11:12 AM
0
comentários
TAGS Biblioteca de Babel, Josep Pla
Saturday, April 23, 2011
Pla
"Yo probablemente tengo una vaga disposición para escribir las cosas que he visto. Mi vocación más visible es ésta". Fue su primer libro, Coses vistes. Su juego literario consistía, a la manera de Heine, en rebajar las ideas sublimes con palabras vulgares y en elevar las pequeñas cosas humildes con frases trascendentes.
(daqui)
Publicado por
Ana V.
às
11:14 PM
0
comentários
TAGS Biblioteca de Babel, Josep Pla
Monday, April 18, 2011
hoje, a propósito de chuva (e uma cantilena)
depois de longa espera e depois de me ter decepcionado com a Casa del Libro das Ramblas por causa dele, chega El Quadern Gris. não sei se é legítimo cair de amores por um título e alargar a atracção a uma língua inteira, mas nada me soa melhor. como Els Quatre Gats também. a Cotovia a editar a 'grande literatura catalã', uma excelentíssima editora.
"A meio da tarde começa a chover - uma chuva fina, densa, miúda, pausada. Não está vento nenhum. O céu está cinzento e baixo. Sinto a chuva a cair sobre a terra e as árvores do jardim. Há um fragor surdo e longínquo - como o do mar no Inverno. Chuva de Março, fria, glacial. à medida que a tarde vai caindo, o céu passa de cinzento a um branco de gaze - lívido, irreal. Sobre a aldeia, pesando sobre os telhados, há um silêncio espesso, um silêncio palpável. O fragor da água que cai alarga-se numa música vaga. Sobre esta cantilena vejo flutuar a minha obsessão do dia: vinte e um anos!"
[itálico meu, claro, cantilena aqui era sonsònia]
para ler aqui, no original.
a necessidade de expressar, de fazer criar uma nova imagem em outra pessoa, presente mas na qual não se pensa. como um músico que gosta de uma grande sala cheia mas que se distrai ao olhar para a cara de um espectador num pequeno auditório onde cinco pessoas estão sentadas para o ouvir. o X vai ler isto a ser aquela cara. e entretanto recordo que o silêncio de cinco pessoas é tão diferente do silêncio de mil pessoas.
Publicado por
Ana V.
às
9:26 AM
0
comentários
TAGS Biblioteca de Babel, Josep Pla
Friday, April 15, 2011
não acredito
que o Caderno Cinzento de Josep Pla (yay!) é de um vermelho tão gritante.
Publicado por
Ana V.
às
3:03 PM
0
comentários
TAGS Josep Pla
Wednesday, April 6, 2011
miscelânea
para o final da semana será possível ler O Caderno Cinzento, ao fim de muito tempo de espera. em breve ingressarei nas longas fileiras de viciados em fotos com efeito de formato quadrado que inundam photoblogs, streams, páginas pessoais, sociais, redes e readers. já são quatro meios de roubar luz e pouco tempo para o fazer, devo ficar por aqui. prosseguindo para Luci Tapahonso, depois de Ceremony. e vi que era uma história que se desenrolava num plano paralelo mas sem contacto, totalmente outra se pode haver noção de outro, de muito difícil tradução. o encontro foi violento e seguiram, como tem sido com todas as outras -culturas: trocas, diálogos, imposições, furtos, nascimentos e transformações. a mistura atenua cores vivas. neste momento, caminha-se para um cinzento universal nesse sentido. uma cultura única. não creio que seja possível, mas é para esse ponto abstracto que se caminha. última semente: Plants for a Future, onde gosto do a.
Publicado por
Ana V.
às
3:12 PM
0
comentários
TAGS Biblioteca de Babel, Ecos, Josep Pla, Leslie Marmon Silko, native american literature, Photos, Stuff
Saturday, February 12, 2011
1924
"En la primavera de 1924 vingué a Barcelona Paul Valéry. Encara que llavors la seva personalitat tenia una transcendència puramente críptica, limitada a nuclis molt escollits i limitadíssims, la presència del gran poeta produí en el nostre petit món intel.lectual una gran impresió."
Josep Plan em Cartes d'Itàlia, na p. 73, para continuar mais tarde. não há sinal mais apelativo do que aquele ponto no meio das palavras. uma mona lisa gráfica.
Publicado por
Ana V.
às
11:15 AM
0
comentários
TAGS bar11, Biblioteca de Babel, Josep Pla