light gazing, ışığa bakmak

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Saturday, September 6, 2014

novidades imperdíveis da 'rentrée'

um título bombástico só para chamar a atenção, mas é verdade: há algumas novidades imperdíveis. (um parêntesis para lembrar o aniversário de uma data fatídica, a noite de 6 para 7 de Setembro em Beyoglu, a Septemvriana, quando uma multidão de  arruaceiros e criminosos instigados pelo governo de então, assassinaram, violaram, destruíram e expulsaram os gregos da então Constantinopla. outra queda populacional: 119.882 cidadãos de origem grega em Istambul em 1927 para cerca de 7000 em 1978. esta noite está descrita por vários escritores turcos da actualidade que a lembram com desgosto e revolta, um deles Altun no Sultão de Bizâncio.)

e as novidades:
a abertura hoje de uma nova livraria em Lisboa, desde logo motivo para celebrar. é a livraria do Sr. Teste que até agora funcionava apenas online. a cara oculta é a de Ricardo Ribeiro da antiga Trama. a nova livraria está instalada na Sociedade Guilherme Cossoul na avenida dom carlos I. o que tem de especial? vende exclusivamente livros bons (quero ver alguém contrariar isto).

outra novidade é a criação da Maria Amélia. nem há nada a dizer senão expressar amor por este projecto. ficam as palavras da criadora, mais do que suficientes e que ultrapassam as que eu poderia dizer: "A Mariamélia nasce de um desejo de produzir, desenhar e redesenhar objectos que nos transportam — no espaço e no tempo — ao sítio das memórias.Inspirada em antepassados, em lugares antigos e num tempo diferente, é uma personagem a guiar-nos pelo desenho de peças únicas, de técnicas esquecidas e de práticas abandonadas. Inventa um conjunto de objectos que nos seduzem pelo desenho e por aquilo que evocam. As peças reunidas à volta dela são sempre únicas, com um autor e uma história por trás."

(imagem Maria Amélia)

não é novidade nenhuma mas é preciso lê-lo sempre porque todos os textos podem ser classificados como 'novidades imperdíveis da rentrée", da entrada e da saída: Rui Manuel Amaral no Bicho Ruim.

outra não novidade mas uma história de memórias, de silêncio, do puro momento e da evocação, a série de Heidi Romano no instagram #insearchofstillness.



Tuesday, September 2, 2014

Küf or Mold, by Ali Aydın




The greenish hues, the stillness, the outdated and worn out buildings and people are closer to the American conspiracy movies of the seventies than anything else, with a strong melancholy Anatolian twist. If one watches Mold unprepared, the film will be placed somewhere in the past. As it is, the story is closer to home than one might think. Exhibited in festivals and art houses in 2013, the film provides an eery context to the Istanbul events of June 2013.

Mass graves are uncovered almost every year in Istanbul, many of the dead are Kurds from the PKK, but not only. Mold is about one father whose son has disappeared and has been missing for the last 18 years.
(...)

“In the past, Turkey was proud of its underground mine treasures; now Turkey has more to be proud of, such as skulls and bones from unsolved murders,” Republican People’s Party (CHP) Deputy Chairman Sezgin Tanrıkulu said Jan. 15 during a visit to the area.

Kül
is Ali Aydın's debut film. It has been screened in MoMA and has won the Lion of the Future Award at the Venice Film Festival. Aydın comes from the field of contemporary art and, in his own words, ended up being a director by chance. Küf took him six years to write. Like Pelin, Aydın chose a transportation station for his set: this small place where people and carriages are always coming and going symbolize the crossroads in the character's lives. In Küf, the immobilism of the father, waiting for news for 18 years, contrasts darkly with the nature of his workplace.

site. Slant review. Rapporto confidenziale review.

The greenish hues of the film, the beautiful melancholic landscapes, the masterfully crafted sets with their carefully chosen objects, the diffuse light: a story of loss and longing that reads as a true work of art.


- -
chego a pensar que há tantos mortos na cidade como vivos, todos habitando as mesmas moradas, como no cemitério da colina de Eyüp. nos livros de Altun, para quem os mortos estão mais vivos do que os próprios, os edifícios são divididos entre soulless e os outros. esta noção, que carrego para o meu próprio olhar sobre todas as construções e cidades, altera paisagens. Hamburgo é uma cidade onde os mortos falam alto, parece-me, porque foram apagados das paredes das suas casas. 'reconstruir do nada', uma noção curiosa e que só cabe na inocência de alguns: a aldeia da luz reconstruída é um desses lugares soulless, que os vivos abandonam (e talvez onde nem os mortos queiram estar), os programas televisivos de decoração, ou bem - todas as coisas decorativas, se encarregam desse trabalho de retirar a memória e os mortos. como em Casa Ocupada, um dos meus contos favoritos de sempre, o que significa ocupar a casa? quem a ocupa? como somos expulsos de nós mesmos?

violento, este Kül.



Friday, August 29, 2014

vira-se as costas um minuto

e tudo se enche de novidades.


o livro de Altun deixa dúvidas quando ao 'género'. o marketing diz que é um thriller, mas o Sultão de Bizâncio tomou vida própria e mudou o curso da sua própria história. se o início é o de um romance comum, a partir de certa altura a voz que fala passa a ser a de um guia de arquitectura bizantina, um livro de viagens a monumentos do passado e a algumas cidades do mundo. seria interessante fazer um mapa deste livro com longas citações. desde Sebald que sou parcial por livros cartográficos que podem ser mapeados e as personagens seguidas por anónimos, nós. o objectivo (como os objectivos de Ümit) é pedagógico: fazer as vezes de disciplinas e de livros didácticos que não existem, de catálogos por publicar, fotos por tirar, levantamento de património por fazer, enfim: um estilo de obra que nos serviria como uma luva, neste país.


Tuesday, August 26, 2014

'querulous gourmand', um banquete

"Thanks to my mother's unfailing attention, my father turned into a querulous gourmand. Favorite foods were specially ordered - fresh halloumi from Kyrenia, lean pastrami from Kayseri, mildly hot sausage from Afyon, hazelnuts double-roasted from Giresun and spicy chickpeas from Çorum."

Selçuk Altun em Tales my Mother Never Taught Me.

(pastrami as in pastirma)

Monday, August 25, 2014

go east young man

"I understand your passion to face the West. It is the passion for the extinction if yourself and the knowledge of the triumph of your own will in your body's extinction. But in great periods, when man was great, he faced East."
em Altun citando Iain Sinclair em Suicide Bridge, citando D. H. Lawrence, nas cartas. uma espécie de thriller brilhante. penso já me ter encontrado com esta frase, talvez no Orientalismo de Said.

Altun nas mesmas águas: citações de citações; e nos mesmo jogos: poemas de determinados versos de outros poemas ou livros. labiríntico e borgiano como convém a uma espécie de thriller.

Sunday, August 24, 2014

 
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