light gazing, ışığa bakmak

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Friday, November 9, 2018

tales of a dying blog #10

na literatura como na culinária como em... o vazio é sempre maior do que o não-vazio, o que não está maior do que o que está. porque lá cabe o que podia ter sido e tudo o que não foi.

Sunday, May 13, 2018

tales of a dying blog #4

"This is Wild River Expeditions out of Bluff. Pros. (...) Take great pride in cleaning after themselves. The drill now is they urinate right beside the river, so it dillutes fast. Everything else they carry out. Portable toilets. Build their camp fires in fireboxes so you don't get all that carbon in the sand. Even carry out the ashes. in The Thief of Time. Hillerman has carried me before and is still carrying me now. such an author. The Beauty Way.

Tuesday, March 6, 2018

o que ando a beber

de preferência a Cafuné da Musa.

o que ando a ler

uma mistura de alves redol e de piketty

das coisas boas

Wednesday, February 14, 2018

waking up


Tuesday, January 16, 2018

notas para um futuro

a escrever activamente, diariamente, a todas as horas do dia, mas linhas que não podem ser vistas, nem mostradas. o centro mudou de lugar, os centros estão noutro lado, por enquanto.

dito isto: as mulheres em Hollywood: acho bem e acho mal. perseguição a bruxas nunca me atraiu (ao contrário de um belo galante); presidência para estrelas da tv não faz muito a minha alegria; partido da oposição: que pobreza, deserto de ideias (Istanbul, que saudade); Presidente - abraços e beijos nunca são demais, tantas vezes são é de menos e por aí fora. mas desde que me enganei com o nosso querido líder, com o Carrilho e tive dúvidas com o presidente do eurogrupo, quero deixar as opiniões políticas de fora. o difícil é conseguir. de resto, sugiro e aconselho o livro Sombras do Louçã. está excelente.

a minha bancada não tem fissuras, o meu jogo não pode parar.



Monday, January 1, 2018

g'night

ah, o meu horóscopo é muito positivo.  esperando que o vosso seja também.
no último dia do ano descobri que adoro o pão da lagoinha. no primeiro dia, que arroz de miúdos de cabrito é bem bom (mas não deve ser interrompido por telefonemas, ou melhor, deve ser interrompido por telefonemas).

"Well, well, well. You’ve made it to the last day of the year, Scorpio. And with a Full Moon in Cancer taking place January 1, this is an auspicious moment in your life where everything seems to be aligning in a beautiful way. You should feel proud of who you are in this moment. You have overcome countless challenges and bounced back, stronger and wiser than before. You will find yourself feeling immense gratitude as this year ends and another begins. Jupiter will be in Scorpio for 11 out of 12 months in 2018, making you the universal favorite, Scorpio. The only question you should ask yourself is how you’re going to make the most of this abundance and bliss entering your life. You deserve every bit and more. Choose to believe. Choose to accept. Choose to soar."


Wednesday, December 13, 2017

auto-elogio primário


Monday, November 13, 2017

aos foforinhos que aqui vêm para tentar saber da minha vida privada:

esqueçam lá isso: não vai acontecer. ok?
beijokas.

Thursday, October 26, 2017

reconciliação

por várias razões adormeci e acordei a ouvir o último de Tito Paris, o maior responsável foi o Herman de ontem à noite enquanto passava a ferro (sim M., a ferro) e zappava pelas tvs. entre outras razões.
e fiquei-me na sua versão do Fado Triste. a música voltou. enquanto reconciliação é a palavra gravada a fogo em vários locais do pensamento.

Fado Triste

Vai ó sol poente,
vai e não voltes
sem trazer no primeiro raio
notícias de quem se foi.

Numa madrugada amarga e triste,
um navio de proa em riste
levou tudo o que eu guardei

Na caixa escondida dos afectos,
no lembrar dos objectos
que enfeitavam o meu quarto
Tudo perde a cor a forma o cheiro,
ficaram só coisas esquecidas da importância que tiveram.

Volto sempre ao rio
às sextas feiras p'ra lembrar
dias descuidados noites à toa.
Éspero que o navio sempre queira
trazer de volta o sussurro dos teus passos numa rua de Lisboa.





Saturday, September 2, 2017

ah marujo

de subir rios, linhas, estradas na monotonia, ultrapassar oceanos. esta noite com calçado confortável, assim sou aconselhada, para um prazer algo solitário mas, desta vez, sem a opção de parar para uma pausa quem sabe atribulada quem sabe já decidida no caminho de regresso.
no inicio de setembro, o mês mais dourado do calendário, estou exausta de agosto, do calor, das famílias. preciso de regressar à cidade.


Friday, September 1, 2017

bain marie

um blogue em banho-maria pelas mais variadas razões. de distração, de pausa, de trabalho, de tumulto, de revoluções internas, prostrações, entusiasmos, planos e ausência,  de jogo, reflexão, ataque, fuga, recolhimento, paixões e desconfianças, confianças, reviravoltas, momentos cruciais, silêncio e gritaria. a vida continua.

Thursday, August 17, 2017

enamoramentos

depois de meses fora de mim ou fora de contexto, li Enamoramentos de Javier Marías de rajada. trezentas e tal páginas em dois dias, e julgo que fiquei viciada, um pouco como aqui há alguns anos me sucedeu com Vila-Matas. mas se Vila-Matas é um elegante 'discursador', Marías é complexo, enredado, sofisticado (ah!). as citações não são listas de erudição, mas todo o livro se baseia nelas, não como citações, mas como pedaços que exemplificam sentimentos humanos universais, exemplificam e condensam, como se aquela frase fosse 'a frase', aquela que melhor faz viver aquele sentimento ou impressão, a mãe de todas as frases e a última, a melhor. como tal, a história roda em torno de meia dúzia de ideias que se encaixam e se largam como um jogo de tabuleiro.

o fio da narração tem vários planos ou motivações que se sobrepõem: a história do tipo policial (e verdade seja dita, a mentira é uma actividade muito interessante e digna de estudo ou análise), o jogo de ideias/citações; e o discorrer sobre as várias formas de amor e de enamoramento, o nome do livro. amor e morte, desde Freud será impossível separar este par de amantes.

e mais irei dizendo um pouco à frente.

à frente:

"Mas às vezes basta que alguém, em exclusivo e com todas as suas forças, se esforce por ser um pouco determinado ou por alcançar uma meta para que acabe por sê-lo ou por alcançá-la, apesar de não ter nascido para isso ou de Deus não o ter chamado por esse caminho, com antigamente se dizia, e onde mais isso salta à vista é nas conquistas e nos confrontos: há quem está em má posição na sua inimizade ou no seu ódio a outrem, quem carece de poder e de meios para o eliminar e ao lado dele se assemelha a uma lebre que tenta atacar um leão, e apesar disso esse alguém sairá vitorioso à força de tenacidade e falta de escrúpulos e estratagemas e fúria e concentração, por virtude de não ter outro objectivo na vida além de prejudicar o seu inimigo, exauri-lo e miná-lo e depois acabar com ele, ai de quem arranja um inimigo com estas características por muito débil e necessitado que pareça ser; se uma pessoa não tem vontade nem tempo para lhe dedicar a mesma paixão e responder com a mesma intensidade acabará por sucumbir diante dele, porque não é possível combater distraído numa guerra, seja ela declarada ou soterrada ou oculta, nem menosprezar o adversário desajeitado, ainda que o julguemos inócuo e sem capacidade para nos prejudicar, nem sequer para nos arranhar: na realidade qualquer um nos pode aniquilar, do mesmo modo que qualquer um nos pode conquistar, e essa é a nossa fragilidade essencial. Se alguém decidir destruir-nos é muito difícil evitar essa destruição, a não ser que abandonemos tudo o resto e nos centremos apenas nessa luta. Mas o primeiro requisito é saber que essa luta existe, e nem sempre o sabemos, as que oferecem maior garantia de êxito são as dissimuladas e as silenciosas e as traiçoeiras, como as guerras não declaradas ou aquelas em que o atacante é invisível ou está disfarçado de aliado ou de neutral" (...)



Monday, August 14, 2017

pente

o impensável acontece. embarco sem carregador de portátil, viajo sem carregador de telefone e, pico do picos, acordo sem escova de cabelo o que me obriga a um euro na toiletry dispenser machine (um nome ao nível de combine harvester do poema, 'High Windows' já agora). ou me ando a tornar demasiado sedentária, ou me ando a tornar demasiado confiante ou me ando a tornar demasiado distraída. seja qual for a hipótese, o melhor é corrigir isto depressa.


Saturday, August 12, 2017

bad omen

de manhã e uma mancha castanha enorme no chão da cozinha. a estranheza é tanta que à maneira apocalítica tenho de googlar barata para estar certa de que aquele Kafka de pernas para o ar pertence à raça. vai de vassoura com pernas decepadas e outras atrocidades, varrer para fora. meia hora depois volto para rever o cadáver e não é que a coisa se tinha endireitado e as antenas se moviam? de onde veio este alien? (melhor palpite: do minipreço local, com a fruta e a salada). dali não passou, agora esmigalhado em quase bolonhesa. mas caramba.  estou decidida a picar os bad omens com a mesma energia. and bed omens as well.

hoje em estilo selvagem desde a manhã, passaremos da tasca portuguesa à água tónica com hortelã.


há tipos que dizem que as minhas fotos não prestam porque as tiro com o telefone. não vou responder, mas há bons remédios e muitas fotos excelentes elsewhere.  e deixarem-me na paz e sossego das férias que não vou ter?




Friday, August 11, 2017

'In England and France he was the square peg in the round hole, but here the holes were any sort of shape, and no sort of peg was quite amiss.'


a trabalhar até às tantas com o shuffle play do Massena. a pensar nisto ou naquilo, ou sabendo sem pensar, pelo meio da arrumação. coisas tão díspares como o centro interpretativo das minas da borralha, os formulários de passagem de serviço ou os Serões da Província. ah, estás a ler? lembro-me de ler isto quando era miúda. não estou, na verdade, mas precisei de linhas destas no outro dia quando o mar me engalfinhava. "Os mais sisudos burgueses, que, durante o Inverno, revestidos da gravidade do seu paletó, e confiando os pés à impermeabilidade dos seus sapatos de guta-percha, passavam sérios e ponderosos, cortejando- se com irrepreensível compostura, agora vestidos de linho, de chapéu de palha de forma pastoril e leveza que não era de esperar da sua idade e posição, seguem prazenteiros caminho do campo, contando anedotas de índole pouco edificante, fazendo sentir o sabor do sal, não absolutamente ático, que as tempera; recordando as mais atrevidas coplas da Maria Cachucha, acompanhadas de exibições coreográficas de fazerem estalar de riso a parte feminina do rancho que capitaneiam." o corrector automático passa-se da cabeça. - e de quem julga que sou tão literária ou, pior, tão romântica, por tomar como verdades singelas o que são fabricações pouco sérias só porque gosto de inventar. ou porque tenho de me ocupar com irrealidades uma grande parte do tempo ou o que seria da coisa nua e bruta. esqueçam lá isso, desenganem-se. as palavras são mansas mas os olhos são crus.

Tuesday, August 8, 2017

para o m.

que nem costumo dar o endereço deste lugar, mas foi troca por troca e um reconhecimento curioso. as pessoas das palavras são sempre perigosas porque pegam nas nossas e as cozinham de outro modo, com novas combinações e invenções. quem sabe onde vão parar o marujo, as mãos e a gentileza.


gosto de Matosinhos e da rua principal. as casas são sui generis e o ambiente também. o junto ao mar já é outra coisa, com os passeios largos e os apartamentos de enormes varandas. nas ruas interiores passeia quem não se ausenta durante a semana. a recente transformação do mercado atrai alguns turistas, esta gente que se espalha agora por toda a parte como uma erva daninha, dizem uns. ninguém gostava, ninguém recuperava. quando os outros querem, todos querem também. não é novo. gosto de forasteiros.

noutra ocasião e à saída do mesmo porto estavam dois asiáticos que julguei na altura serem filipinos. precisaram de mostrar uma batelada de papéis e autorizações para sair da zona portuária, talvez mais para entrar se calhasse mudar o turno do securitas de serviço. depois de muita conversa de surdos, e de um receio latente que lhes senti, diluíram-se como eu nas ruas de Matosinhos a olhar para as montras e a falar, embora pouco, entre si. naquele momento, o da dissolução, tinham desaparecido, como se costuma dizer, por entre a multidão embora não existisse multidão. esse é o efeito dos navios nos marujos. sobem a escada do portaló e logo adquirem uma identidade única, um lugar de origem, manias e famílias, necessidades, preferências e manias. alcunhas. sair desse lugar ao mesmo tempo desabrigado e fechado implica perdas imprevistas. um dia revejo o Conrad deste ponto de vista, mas não precisaria de ir mais longe: a abertura do Heart of Darkness já diz tudo. é o apelo do mar e o desejo de terra.

e aqui está. estender a mão gentilmente mas baixando a cortina.

Sunday, July 16, 2017

una giornatta


a different story altogether




 tarkovsky

 
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