light gazing, ışığa bakmak

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Saturday, October 25, 2014

i can read now:

e está tudo dito.


se houvesse qualquer dúvida sobre que tipo de "emprego" terei daqui para a frente, ou melhor, não terei, essa dúvida estaria desfeita em trapos.

que bonita esta página de Ismail Kadare, o livro que alguém leu por mim no Funchal mas que ainda está na minha mesa. Dois parágrafos - um mundo. este é o verdadeiro tamanho das palavras (vs. o vazio aparente da linguagem social). talvez um dia se caminhe para um pouco de verdade. por enquanto, o caminho é o inverso.

esta semana surgiu um non-event na new yorker sobre a qualidade dos livros que os miúdos lêem, alguns argumentando que os miúdos devem é ler clássicos e não a tralha divertida e viciante em que andam metidos a toda a hora os sortudos que de facto lêem. é que nem me passa limitar o desejo da leitura, tipo gestapo do desejo leitor infantil ou juvenil. chama-se censura. pode-se dizer isto é bom ou gostei disto mas dizer -esse livro é uma porcaria, devias ler blabla... se me tivessem dito isto aos doze, provavelmente teria pensado muitas palavras impróprias para aquela idade para arremessar à hipotética pessoa.

literatura ou não: são os livros que têm um significado, diz ele. ah!! logo me chega a ilógica atracção para retornar à filosofia, denotação-conotação. posso já afirmar que desconfio da denotação, nunca gostei dela e não é agora. desconfio da sua confiança e do seu sentimento de posse. acabe-se já com essa sobranceria.

to read. to read.

não tem a ver mas stephen hawking está no face. omg!

o que é literatura é fácil: é o que está na Paris Review. aquela gente não se engana (embora possa ter muitas dúvidas).

para ler: o artigo dedicado a Ismail Kadare.

que me fez lembrar Mia Couto, o criador do português de moçambique:

INTERVIEWER

The Turks took Constantinople in 1454, and then the rest of the Balkans and Greece. What was the impact of Turkish on Albanian?

KADARÉ

Hardly any. Except in the administrative vocabulary or in cooking—words like kebab, café, bazaar. But it had no influence on the structure of the language for the simple reason that they are two totally different machines, and one can’t use the spare parts of one for the other. The Turkish language was not known anywhere outside Turkey. Modern Turkish has been constructed by Turkish writers of the nineteenth and twentieth centuries, while the dry, administrative Turkish was not a living language and therefore could not have any influence on the other languages of the Ottoman Empire. I have met Turkish writers who have told me that they have problems with their language.

INTERVIEWER

On the other hand, a great deal of foreign vocabulary has entered Turkish—Persian, Arabic, French, among others. Before modern times, Turkish authors wrote in Persian, or in Arabic if the subject was theology.

-
certo, este foi um detour sobre a língua turca.

e:

KADARÉ
 For me as a writer, Albanian is simply an extraordinary means of expression—rich, malleable, adaptable. As I have said in my latest novel, Spiritus, it has modalities that exist only in classical Greek, which puts one in touch with the mentality of antiquity. For example, there are Albanian verbs that can have both a beneficent or a malevolent meaning, just as in ancient Greek, and this facilitates the translation of Greek tragedies, as well as of Shakespeare, the latter being the closest European author to the Greek tragedians. When Nietzsche says that Greek tragedy committed suicide young because it only lived one hundred years, he is right. But in a global vision it has endured up to Shakespeare and continues to this day. On the other hand, I believe that the era of epic poetry is over. As for the novel, it is still very young. It has hardly begun.


. que grande artigo.


Tuesday, October 15, 2013

eid al adha

"The poor lamb," she said.
"You know why they sacrifice the lamb, don't you?"
"One day, when we go to heaven, that lamb will take us over the Sirat bridge, which is thin as a hair and sharp as a sword..."
Pamuk em Museum of Innocence


"Giving away what we most love without expecting anything in return, as the prophet Abraham and Füsun did, is an act that requires extraordinary strength and carries with it the equally strong suggestion that someday in the future we will remeber the here and now."
Pamuk em The Innocence of Objects

Thursday, October 10, 2013

future counts

o futuro é como a passagem do norte criada pelo degelo: ainda a comum pessoa não entendeu o que se passou nem como e já o espaço foi vendido, gasto e hipotecado por corporações e interesses multinacionais. a adição do 'futuro' no meu espaço alterou tanto o ponto de vista como viajar para Istanbul. Stamboul, Stamboul.

muitos conservadores têm uma visão política pouco desenvolvida, como as velhas cultas que caem aos pés do Guernica e dos Nenúfares que lindo! (eu própria uma delas) mas que morriam antes de entrar no Palais de Tokyo e de achar que "aquilo" é arte. a sua preocupação são os genocídios perpetrados pelos regimes comunistas do século passado e daí não passam muito. [os monárquicos um pouco pior. apesar da simpatia que tenho pela sua causa, e que se deve unicamente à crescente drescença na instituição política em geral, é preciso olhar bem para as monarquias europeias, bem e de lentes limpas, para entender que não vão muito além de bibelots para aparecer na hola espanhola. à monarquia inglesa descobriu-se um novo objectivo: "gerar riqueza" para londres, para o reino unido, etc. - este objectivo coaduna-se na perfeição com a mentalidade vigente da supremacia do dinheiro sobre todos os outros valores, ou seja, este objectivo, na verdade, destrói a justificação primeira de uma monarquia.]

poucos são julgados por crimes contra a humanidade que deveriam ser julgados: os tais autores dos genocídios dos regimes comunistas do século passado, Kissinger por quem tenho um desdém de cabeceira, as corporações multinacionais do século 21. todos, com as suas nuances próprias, demonstram que a percentagem do mal que fazemos enquanto raça é incrivelmente maior da percentagem do bem que fazemos enquanto raça.

quando fazemos algo perfeito chamamos-lhe belo ou perfeição e é só nesse momento que nos aproximamos um pouco daquilo que já cá estava antes de nós e que mal sobrevive apesar de nós.

 
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