que hoje é bloomsday. dêem-me um Proust recheado de madalenas todos os dias.
(a segunda série deu um salto de alcance que a primeira não tinha, enredada em problemas de mulheres, desse modo mesmo, com a conotação negativa antiga. a segunda anunciava, logo com o cerco austríaco, uma mudança de ponto de vista. o horror à altivez da representação humana, contrapor Rumi a Dante, e dizer 'o teu inferno é aqui, na palma da minha mão'. de novo, um tratado sobre o poder e, sobretudo, ver que os velhos tronos e dominações são como hoje, como sempre. essa guerra não terminou, alguma guerra chega a terminar?)
light gazing, ışığa bakmak
Tuesday, June 16, 2015
bloomsday e o século magnífico
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Ana V.
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Wednesday, November 12, 2014
Tuesday, September 30, 2014
e como pérolas,
as esferas continuam a rolar, fora de controle, fora do meu controle.
sobre a passagem de Joyce por Trieste, essa cidade da escadaria que me falta visitar. quem sabe um dia Trieste - Tessalonika - Istanbul.
"Ireland, where James was born, was not represented at the funeral. Irish president Eamon de Valera, after inquiring whether Joyce had died a Catholic and being informed to the contrary, had ordered that no Irish diplomatic official be present.
Ironically, in May 2002 the granddaughter of the late President de Valera, Irish Minister of Arts and Heritage Síle de Valera stepped off the government jet in Dublin carrying a suitcase containing about 500 pages of Joyce’s original early drafts of parts of Ulysses and some of the corrected proofs of Finnegans Wake. The Irish Government had purchased the papers in Paris from Alexis Leon, whose father Paul had rescued them from the Joyce apartment in Paris, where they were in danger of being auctioned off by the landlord who had not been paid before the Joyces left Paris for Zurich, or in peril of being looted by the occupying Nazis. The papers for which the government had paid €12.6 million (about $15.5 million), were destined to the Irish National Library and the proud minister, on stepping on Irish soil, declared that the return of the papers home was a “monumental event in Ireland’s literary and cultural history.”"
ironia.
"In April 1903, he received a telegram from his father that his mother was seriously sick with cancer,"
já li isto, onde estava?
daqui.
(daqui)
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Monday, September 29, 2014
Full fathom five thy father lies; / Of his bones are coral made; / Those are pearls that were his eyes:
Full fathom five thy father lies;
Of his bones are coral made;
Those are pearls that were his eyes:
Shakespeare.
no Ulysses, no Waste Land e em Pollock.
porque nunca posso escrever pearls sem me lembrar deste verso.
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Ana V.
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2:39 PM
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Sunday, September 28, 2014
silent
"He turned his face over a shoulder, rere regardant. Moving through the air high spars of a threemaster, her sails brailed up on the crosstrees, homing, upstream, silently moving, a silent ship."
Joyce, Ulysses.
para ler o Ulysses, um dos mais geniais livros de sempre e, tal como outros livros geniais, posto na prateleira da genialidade e raramente lido por alguém, sugiro vivamente que se sigam as instruções preciosas de Rui Manuel Amaral que contribuirão em grande medida para uma leitura sem costuras nem encontrões:
Livro dos feitiços e encantamentos #13.
comecei agora, depois de duas semanas (?), a seguir (follow) Leopold Bloom. consigo ver a foto da mesa do pequeno-almoço no face e a declaração "we love offal" no about me.
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11:34 AM
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Friday, September 26, 2014
Tuesday, September 16, 2014
uma série de dinossauros inúteis
a discutir assuntos "tecnológicos", alegria, alegria. (Vitorino: amor profundo)
outras cenas:
"England is in the hands of the jews. In all the highest places: her finance, her press. And they are the signs of a nation's decay. Wherever they gather they eat up the nation's vital strength." tantos anos passaram, quase tantos inícios a ler este livro e outras tantas desistências, dois casamentos atrás, quantas mais profissões declaradas e não declaradas. agora vejo-o claramente, nem sei se seria sério ou possível a leitura aqui há quase trinta anos. tudo se torna mais fácil, tantas ajudas, mas a liberdade de ler palavra a palavra. quase apenas Shakespeare é tão pronto a ser memorizado como este Joyce, não me admira ser tratado como bíblia. depois deste livro ou, lendo este livro, como olhar para a maior parte do que se publica hoje? este exercício de liberdade vasta, assim o vejo. (e o lobo antunes que tem de publicar primeiro na hungria, seja onde for, e depois no seu país por causa do marketing da editora). liberdade total.
. .
— Just one moment.
— Yes, sir, Stephen said, turning back at the gate.
Mr Deasy halted, breathing hard and swallowing his breath.
— I just wanted to say, he said. Ireland, they say, has the honour of being the only country which never persecuted the jews. Do you know that? No. And do you know why?
He frowned sternly on the bright air.
— Why, sir? Stephen asked, beginning to smile.
— Because she never let them in, Mr Deasy said solemnly.
A coughball of laughter leaped from his throat dragging after it a rattling chain of phlegm. He turned back quickly, coughing, laughing, his lifted arms waving to the air.
— She never let them in, he cried again through his laughter as he stamped on gaitered feet over the gravel of the path. That's why.
On his wise shoulders through the checkerwork of leaves the sun flung spangles, dancing coins.
- -
sentimentos contraditórios: não fosse este livro e eu não seria quem sou, ou o mundo não seria como é. os sonhos diurnos do autor, crípticos e obscuros, citações mil em línguas vivas e mortas, alusões, evocações, excertos e citações, a memória do artista, várias demãos. entre este livro e o contador, a distância entre uma história e um retrato. eu não faço mais do que retratos ténues não conto nada, vejo e mostro.
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Ana V.
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Wednesday, September 10, 2014
stairhead
or Joyce's tower agora parte do complexo de museus Joyce e das comemorações do bloomsday e da oferta turística da cidade. na altura alugada por Joyce e colegas de universidade para 'helenizar' a Irlanda.
a história das torres de Martello também é interessante mas não sei qual a sua eficácia, para além de terem ajudado a gerar um primeiro capítulo tão estrondoso para a literatura universal. a arquitectura da construção original é genovesa, senhores temporários dos mares. uma certa torre na Córsega resistiu aos ingleses durante dois dias, o que os inspirou a construir um grande número de torres deste tipo no seu país e pelo império fora, sobretudo durante o terror napoleónico (um pouco como são francisco a construir estranhas formas defensivas à espera dos japoneses, assim o reino unido a guardar-se de napoleão). a cópia da cópia chegou aos estados unidos com desenho alterado e utilidade muito limitada.
as torres foram derrotadas não pelos inimigos imaginados mas pela tecnologia e ciência próprias (Sebald). no entanto, a simbologia da torre já me fascina desde que aprendi a ler o tarot e fazia sessões de leitura vagamente literárias no chão da sala para um grupo de amigos em maior ou menor estado de estupor (poético, digamos).
culpa de la tour abolie no El Desdichado de Nerval.
Je suis le Ténébreux, – le Veuf, – l’Inconsolé,
Le Prince d’Aquitaine à la Tour abolie :
Ma seule Etoile est morte, – et mon luth constellé
Porte le Soleil noir de la Mélancolie.
Dans la nuit du Tombeau, Toi qui m’as consolé,
Rends-moi le Pausilippe et la mer d’Italie,
La fleur qui plaisait tant à mon coeur désolé,
Et la treille où le Pampre à la Rose s’allie.
Suis-je Amour ou Phébus ?… Lusignan ou Biron ?
Mon front est rouge encor du baiser de la Reine ;
J’ai rêvé dans la Grotte où nage la sirène…
Et j’ai deux fois vainqueur traversé l’Achéron :
Modulant tour à tour sur la lyre d’Orphée
Les soupirs de la Sainte et les cris de la Fée.
- -
com tradução e notas.
- -
[coisas tão divertidas que até doem: o jogo a que o dito-jornal Público chama um 'produto cultural' é o mais caro de sempre, 500 milhões de dólares. blablabla aliens, 'luta para manter a paz', blablabla, terra em perigo, blabla. o dinheirinho não servia para coisas melhores, pois não.]
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Ana V.
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Tuesday, September 9, 2014
woodshadows
"Woodshadows floated silently by through the morning peace from the stairhead seaward where he gazed. Inshore and farther out the mirror of water whitened, spurned by lightshod hurrying feet. White breast of the dim sea. The twining stresses, two by two. A hand plucking the harpstrings, merging their twining chords. Wavewhite wedded words shimmering on the dim tide."
um poema no pensamento de Stephen Dedalus, dizem-me.
Stephen Dedalus
(from Ulysses seen)
Who goes with Fergus?
W. B. Yeats, 1865 - 1939
Who will go drive with Fergus now,
And pierce the deep wood’s woven shade,
And dance upon the level shore?
Young man, lift up your russet brow,
And lift your tender eyelids, maid,
And brood on hopes and fear no more.
And no more turn aside and brood
Upon love’s bitter mystery;
For Fergus rules the brazen cars,
And rules the shadows of the wood,
And the white breast of the dim sea
And all dishevelled wandering stars.
- -
"Yeats turns an old Irish prose story about the king, who gives up his throne to search for beauty, into an haunting lovely poem with personal significance."
do que estou a falar: de começar a ler o Ulysses. ler o Ulysses não é ler só o Ulysses.
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Ana V.
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Thursday, January 24, 2013
Tuesday, January 10, 2012
"Quem era M'Intosh?"
desde Lobo Antunes que não demorava tanto num livro, uma espécie de subida dos degraus do senhor do monte, seja que monte for.
aqui sobre Mackintosh, o homem da gabardine no Ulysses. o rosto do autor e a cara de deus.
"Existem as mais variadas interpretações. (...) Depois de ter lido as opiniões de tantos investigadores, Nabokov deduziu que a chave do enigma do desconhecido se encontrava no capítulo quatro da segunda parte de Ulysses, na cena da biblioteca. Aí, Stephen Dedalus está a falar de Shakespeare e defende que este se inclui a si mesmo nas suas obras. Muito tenso, Stephen diz que Shakespeare «ocultou o seu próprio nome, um nome belo, William, nas suas obras: é um comparsa aqui, acolá, assim como o pintor da velha Itália colocava o seu rosto num canto escuro da sua tela.»
É isso o que, segundo Nabokov, Joyce pode ser feito no Ulysses: colocar o seu rosto num canto escuro da sua tela. O homem da mackintosh que atravessa o sonho do livro não é outro senão o próprio autor. Bloom chega a ver o seu criador! (...)
[movimento de olhar, nota minha]
Durante um bocado, à janela, ocupa-se a observar o que se passa quando não se passa nada. Quando abandona a vista geral de Barcelona e baixa os olhos para se centrar no que acontece lá em baixo na sua rua, dá-se conta que avança por ela um homem com um sobretudo Burberry cinzento (...) "
Vila-Matas em Dublinesca.
uma prática antiga da pintura [que poderia ter sido Michelangelo, uma notícia de 2009 (durante a escrita de Dublinesca), ou qualquer outro.] e do cinema.
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Ana V.
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