a mesa de luz

Tuesday, June 30, 2015

Monday, June 29, 2015

ah

"Men who do not work themselves and who undertake nothing in their lives easily lose patience and fall into error when judging the work of others."

Ivo Andrić

Sunday, June 28, 2015

belo livro

que o j. me devolveu depois de sei lá quantos anos extraviado. são as Líricas Portuguesas, uma colecção escolhida por Jorge de Sena e este é o primeiro volume. Sophia e Ruy Cinatti. e muitos outros.

Paisagem

Passavam pelo ar aves repentinas,
O cheiro da terra era fundo e amargo,
E ao longe as cavalgadas do mar largo
Sacudiam na areia as suas crinas.

Era o céu azul, o campo verde, a terra escura,
Era a carne das árvores elástica e dura,
Eram as gotas de sangue da resina
E as folhas em que a luz se descombina.

Eram os caminhos num ir lento,
Eram as mãos profundas do vento
Era o livre e luminoso chamamento
Da asa dos espaços fugitiva.

Eram os pinheirais onde o céu poisa,
Era o peso e era a cor de cada coisa,
A sua quietude, secretamente viva,
E a sua exalação afirmativa.

Era a verdade e a força do mar largo,
Cuja voz, quando se quebra, sobe,
Era o regresso sem fim e a claridade
Das praias onde a direito o vento corre.



Sophia de Mello Breyner Andresen

uma boa maneira de dizer adeus a Buket Uzuner

"Like nearly everyone in Turkey, she, too, appreciated a refreshing splash of lavender eau de cologne, a ritual widely observed when welcoming guests, sending off restaurant customers or as a staple of long-distance bus travel, during which, every few hours, passengers cupped palms to an attending proffering cologne from a bottle. Belgin had even tried orange, lilac and pine cologne, as well as novelties like tobbaco, tea and banana, but nothing compared to lavender. Nothing."
Buket Uzuner em I Am Istanbul.

Atlântida

Is now Norway Explorer flying the Norwegian flag.

Saturday, June 27, 2015

thank you karim (e outras três)





episode 1 the ottomans europes muslim emporers doc full arabic subtitles from karim o on Vimeo.




episode 2 the ottomans europes muslim emporers doc full arabic subtitles from karim o on Vimeo.




episode 3 the ottomans europes muslim emporers doc full arabic subtitles from karim o on Vimeo.


to read as well:
Balancing Sharia: the Ottoman Kanun, da bbc.

The reign of Suleiman the Magnificent was a perfect example of this. Religion was gradually brought under state control by the setting up of a hierarchical structure centred in the capital, Istanbul. Any important member of the religious administration had to undergo a centralised process of formation and selection and would depend entirely on the state for any position and promotion.

A new office was also invented to top this structure: that of the sheikhulislam, literally the "leader of Islam". This individual would oversee the whole system and answer to the sultan, much like the grand vizier would do for secular matters.

Ebussuud Efendi - Suleyman's sheikhulislam saw to it that conformity between Kanun and Sharia was maintained, at least on paper. The flexibility of his jurisprudence was such that he managed to find ways of legalising interest-bearing loans, a most reprehensible practice by stricter standards of Sharia.

It is rather telling that Suleiman's nickname in Turkish is not "Magnificent," but Kanuni, the "Lawgiver," for it was under his reign the use and formulation of secular law reached its institutional peak.

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3 coisas muito boas

madalenas. gelado. insecticida caseiro.

festas





a receita foi esta corrigida porque não prestava, lemon curd, mas para a próxima é preciso ver a Martha. (cheesecake)

Friday, June 26, 2015

street food istanbul, sokak lezzetleri






mas há uma série inteira sobre isto e começa aqui.







İstanbul'un sokak lezzetleri
Posted by İstanbul on Friday, June 26, 2015

quinta da ribafria (2)

triste ver os maus tratos que a câmara de sintra tem imposto à quinta. para que a comprou? um conjunto de ideias peregrinas infelizes, total falta de respeito e conhecimento, a construção de um pavilhão de décima categoria que destruiu as cavalariças e que apesar de ter um par de anos está mais a cair do que a torre altaneira. primeiro usam a quinta para "eventos", essa grande treta. depois como desculpa para a escola do património, outra treta já que o que restauraram foi meia dúzia de estátuas (?), depois como local para depositar uma série de estátuas não queria dizer mas são horrendas e finalmente, como se tudo não bastasse, como circuito de manutenção (!) com umas máquinas de exercício no que deveria ser um pomar de árvores de fruto. tristeza.

aqui, um trabalho excelente sobre os Ribafria e sobre esta família. absolutamente a ler.

um excerto:

O Palacete Ribafria na Vila, chamado «do Marquês de Pombal»: «A Casa dos Ribafrias,
exemplo da transição do gótico para a época renascentista, foi concluída em 1534 por Gaspar
Gonçalves de Ribafria, Alcaide-Mor de Sintra. Embora posteriormente tenha sofrido obras de
beneficiação que lhe alteraram bastante o aspecto primitivo é, mesmo assim, um bom exemplo
dessa época de transição, conservando ainda, no átrio, uma abóbada gótica com nervuras apoiadas
sobre mísulas. Esse átrio abre para um pátio interior por meio de dois arcos redondos que repousam
sobre colunas com capitéis trabalhados, já de feição italianizante.

Toda esta zona é obra de 1534, data que aparece numa inscrição do capitel da coluna central,
de grande interesse por revelar também o nome do mestre da obra - Pedro Pexão: «Esta obra fez
Pêro Pexão no anno de myl e quinhetos e xxxIII anos». Do pátio parte para o andar nobre uma
escadaria precedida por outro átrio também abobadado. No piso superior é evidente a importância
crescente da arte renascentista - nas janelas, principalmente a que conserva o seu balcão com
balaústres, na colunata, formando galeria, e na fonte. Esta zona é, certamente, mais tardia, e deve
datar já de meados do séc. XVI. Interiormente, embora remodelada, a casa conserva como motivo
de maior interesse uma sala ladrilhada em cujo extremo se levantam três arcos assentes sobre
colunas de mármore com capitéis coríntios, constituindo uma bela loggia ao novo estilo italiano, e
na qual se destacam os dois medalhões com bustos, muito característicos da arte renascentista,
então introduzida em Portugal por escultores franceses. Ao centro uma bela fonte também
renascentista, num tipo que também depressa se generalizou no País, acabando por criar
imponentes fontanários públicos».

A Torre-Solar de Ribafria, na Várzea de Sintra: «Uma das mais importantes que se
construíram no Centro do País durante a primeira metade do século XVI, o Solar de Ribafria devese
a Gaspar Gonçalves de Ribafria, Alcaide-mor de Sintra - que já erguera outras casas na vila - a
quem D. João III concedeu carta de brasão de 1541, e na qual já se encontra a designação de Casa e
Torre de Ribafria. Trata-se portanto de construção um pouco anterior àquela data. Quanto à planta,
composição de alçados e volumes arquitectónicos, é um magnífico exemplo da tradição saída da
Idade Média - casa e torre - e na regularidade dos volumes, no equilíbrio, na profusa fenestração e
em certos pormenores da decoração – particularmente nas janelas de fino colunelo ao centro,
regulares e bem espaçadas - revela claramente a importância da transformação operada pela arte
renascentista vinda de Itália. De facto, o esquema já familiar da casa adossada à torre, e que provém
da época medieval, sofre em Ribafria um tratamento duma elegância nunca atingida pelas casas
dessa época passada. A fenestração é realizada de maneira sábia e, por outro lado, mostra bem a
crescente exigência de conforto. Apenas o piso térreo, ou cave, conserva aberturas que lembram
frestas medievais. Em toda a frente da casa, porém, o tanque surge como elemento inovador, para
refrescar a residência e irrigar terrenos.

Casa e Torre completam, para a retaguarda, um recinto fechado com alto muro ameado que
abriga um pátio de entrada, semelhante a outros empregados na arquitectura local - por exemplo no
Palácio Real - e onde se destaca uma fonte renascentista com pequena cúpula assente sobre colunas.
A Casa de Ribafria foi restaurada há alguns anos. Existe ainda um desenho - publicado por
Anselmo Bramcaamp Freire in «Brasões da Sala de Sintra» - e que revela o estado do edifício no
final do séc. XIX, inícios do séc. XX».

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Sintra tem tido um imenso azar com os inúteis presidentes de câmara. não vejo que a situação tenha mudado: interesse próprios e partidários, falta de visão e de qualquer vontade, clientelismo, amiguismo, jogos políticos e total desinteresse pelo concelho e pelos seus habitantes, falta de pensamento, de sentimento e de acção.

não fosse o excelente director da parques de sintra, que ainda por cima agora saiu, e tudo estaria (continuaria) na ruína em que se encontra este palácio. vá que as pessoas que aqui vivem têm amor à terra e empreendem.

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ora veja-se:

"A Quinta de Ribafria, adquirida em 2002 pelo município, foi durante anos propriedade do IPSD-Instituto Progresso Social e Democracia (actual Instituto Francisco Sá Carneiro) e funcionou como "retiro" social-democrata durante os governos de Cavaco Silva."

desprezo.

se mais não fosse, seria um bom exemplo da "democracia" a que estamos sujeitos e da total falta de respeito pelo passado que é de todos:


"A ideia é transformar [a Ribafria] num belíssimo Grande Hotel, aproveitando as antigas instalações do IPSD, que devem dar cerca de 30 quartos, e o próprio palácio", com mais 16 quartos, até um máximo de 50, admitiu o autarca, Basílio HOrta, em julho na Assembleia Municipal de Sintra (AMS).

A histórica quinta no Lourel, cuja casa e torre foram edificadas no século XVI, pertenceu à família Mello e foi vendida em 1988 à Fundação Friedrich Naumann, através do IPSD, devido a condicionalismos para investimentos germânicos no exterior. A fundação alemã, segundo transcrevia o Público, retirou-se de Portugal na década de 1990 e os dois terrenos em Sintra que compõem a propriedade, no total de 13,3 hectares, acabaram vendidos a uma sociedade imobiliária de João Vale e Azevedo, ex-dirigente do Benfica.

O IPSD conseguiu a anulação judicial da venda, alegando que Vale e Azevedo tinha efectuado "negócio consigo próprio", em vez de transferir a quinta para o seu verdadeiro dono, a fundação alemã. O Instituto Português do Património Arquitetónico (IPPAR) recusou, em 2001, exercer o direito de preferência sobre a Quinta da Ribafria - opção legal nos imóveis classificados -, mas a Câmara Municipal de Sintra aproveitou para comprar a quinta por 2,1 milhões de euros."

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voltando a Gaspar Gonçalves Ribafria:

Natural de Sintra, do Lugar de Ribafria, na Freguesia de Santa Maria.1

Foi Cavaleiro da Ordem de Cristo, durante muitos anos prestou bons e contínuos serviços ao Rei D. Manuel I de Portugal e, também, a seu filho D. João III de Portugal, com muitos trabalhos e vigílias e com toda a lealdade, fidelidade e amor. A este soberano serviu em outras coisas de grande importância para a sua Casa, procedendo sempre como homem bom e virtuoso, pelo que o Rei D. João III o fez Fidalgo de Cota de Armas e de Solar, removendo-o do número geral e conto dos homens plebeus, reduzindo-o e pondo-o no conto e estimação dos nobres fidalgos, lhe deu por Apelido para ele e seus descendentes o de Ribafria, determinou que a Torre e Quinta chamada de Ribafria, com todo o seu anexo, em São Martinho, Sintra, fossem Solar e Morgado da Família, cujo Vínculo ele instituíra em 1536, e concedeu-lhe Carta de Armas Novas, que são: de verde, com uma torre de prata, lavrada de negro, coberta de xadrez de ouro e de azul, ladeada em chefe de duas estrelas de seis raios de ouro, e assente numa ribeira de prata, ondada de azul; timbre: um leopardo de azul, com uma estrela do escudo na espádua.

da wiki.

Thursday, June 25, 2015

Wednesday, June 24, 2015

s/n


a conferência dos pássaros, Farid Al-Din Attar ou Attar of Nishapur

uma grande obra de quatro mil e tal versos, a história do pássaro mítico Simurgh.


para ver aqui.

THE PRINCESS AND THE DERVISH

A charming princess was the object of universal admiration. One day an ill-starred Dervish (mendicant) happened to pass by. He was so struck with her beauty that the piece of bread he was carrying in his hands slipped from his fingers. Greatly amused, the girl burst into laughter and walked off merrily. The Dervish was, however, so much enamoured of her smile, scornful though it was, that he could thence­forth think of nothing else but that smile. For seven long years he refused to move from the precincts of her palace. The attendants and servants of the girl were so much annoyed with him that they resolved one day to take his life. The princess, however, did not wish that the unfortunate man should be injured in any way. She, therefore, whispered to him in secret that if he wished to save his life, he had better leave the place forthwith.

“Have I a life that I should think of saving it?” asked the love-sick man. “On the very day on which you favoured me with a smile, my life was sacrificed to you. But pray, tell me why did you smile that day?”

“Oh, you simpleton,” replied the girl. “I laughed because I saw that you had not an iota of sense or reason.”

- -
da wiki.

a história do grande pássaro mítico, aqui.

from The Conference of Birds:

I doubt my doubt, doubt itself is unsure
I love, but who is it for whom I sigh?
Not Muslim, yet not heathen; who am I?

(..)

Who trusts the sea? Lawlessness is her law;
You will be drowned if you cannot decide
To turn away from her inconstant tide.
She seethes with love herself - that turbulence
Of tumbling waves, that yearning violence,
Are for her Lord, and since she cannot rest,
What peace could you discover in her breast?
She lives for Him - yet you are satisfied
To her His invitation and to hide.

(...)

If you will but aspire
You will attain to all that you desire.
Before an atom of such need the Sun
Seems dim and mirky by comparison.
It is life's strength, the wings by which we fly
Beyond the further reaches of the sky.

(...)

It was in China, late one moonless night,
The Simorgh first appeared to mortal sight –
He let a feather float down through the air,
And rumours of its fame spread everywhere.

Attar, poeta sufi persa.

Tuesday, June 23, 2015

e foi então que

começou a nova corrida às armas. a tensão sobe no Báltico.

ready grays




vincci porto

nem costumo falar dos hotéis, mas este é uma estrela.

 what an amazing breakfast.

 the huge restaurant hall, all fashioned like a forest. beautiful interior architecture.




Istanbul

"There wasn't a hill, or a mountain, or even a slope in all of Copenhagen. It was a  narrow-hipped city, no breasts, no crown - a city level and straight, stripped naked, no mysteries to hide now or ever. Clean, organized, calm, and rich - it terrified me, me who'd just arrived from a city of simmering heat and the smell of figs, from late summer in Istanbul to early autumn in Copenhagen. Smells, colors, and sounds had disappeared: citrus sunsets, hawkers pushing wooden carts piled high with bunches of grapes and pomegranates, stray cats licking paws and haunches, lavender cologne, the pit-a-pat of Grandma's slippers, that strange song rising from the mosque in the seaside (I later learned that it was called the azan, the Arabic call to prayer), high windows framing ferryboats gliding along what I saw as an endless river, the Bosphorus, dust and laughter under the sycamore trees on those rare occasions Mother let me skid rope with the local kids... That I believed all of Istanbul lived as we did in Bebek, that all Istanbullu were wealthy. educated, and European, was not simply the product of a childish mind. Everyone cultivated this illusion, my entire family, my relatives, and my neighbours. But the dream was gone; it evaporated in Copenhagen, where they began treating us like Africans, Arabs, or Asians just as soon as they learned we were Turkish. They were astonished that my mother played Mozart, that my father had read Andre Gide in highschool, that in Istanbul we swam in the sea and walked on the beach in our swimsuits. And we were astonished in our turn, my mother, Nanny Kete, and me... Who were we after all? Why were we being treated like this?

I started primary school in Copenhagen, at an American school. For four years I spoke English at school, Danish on the street, Turkish at home and Kurdish with Nanny Kete, but the latter only when my mother, who worried that I would spoil my Turkish, wasn't around.
(...)
Ayahn had been as enticing as Istanbul, as full of promise."
Buket Uzuner, em I Am Istanbul.

Monday, June 22, 2015

being (2)

'oh miserable mankind, your existence doesn't even exist compared to God's existence. it is non-existence. you are nothing that looks like existing. if you realize that, you would get rid of the ego.'

Rumi, to check with the islamic notion of 'being', wiki.


come

'ours is not a caravan of despair'...




Rumi, um dos seus mais impressionantes, que já cá deixei, algures para trás, nos últimos dois anos.

Come, come, whoever you are.

Wanderer, worshipper, lover of leaving.

It doesn’t matter.

Ours is not a caravan of despair.

Come, even if you have broken your vow

a hundred times.

Come, yet again, come, come.

- -

como este.

 
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