a mesa de luz

Friday, October 24, 2014

arola

recomendo o arola muito vivamente. para além da comida ser excelente, mas bem cozinhada de morrer, o serviço é seis estrelas e o preço não é o fim do mundo. além do que a vista é deslumbrante, se se for de dia.





as imagens estão más, mas a ementa era tão excelente que sou bem capaz de a imitar para as festividades de novembro.

faltaram as excelentíssimas pescada com crosta de amêndoa e salsa de caril sobre cama de espinafres quentes e as bochechas de porco com uvas brancas e mousse de queijo creme e bróculos. a ideia do pão em azeite, alho e tomate, já a tinha notado e já a tinha perdido. o pão, estou em apostar que é do keyser.


Wednesday, October 22, 2014

s/n


e quem vai trabalhar com uma valente gripe espalhando o terror pelos corredores, com espirros, tosse, tocando as máquinas comuns, tentando fazer o resto do pessoal cair um a um no seu bottomless pit? os fracos de pulmões, como eu, estremecem. --to trace and remove background. a cool tool such as vector magic to reduce it to 2 colors, find edges in paintnet and fill with transparency color, changing blending to overwrite.

tantos homens com mais de sessenta anos que continuam a debater assuntos desaparecidos e são capazes de o fazer durante horas, semanas, o resto da vida. é exasperante. por exemplo: são capazes de debater o capitalismo, uns contra outros a favor, mas esse ponto de vista não tem qualquer interesse porque o capitalismo vs. não-capitalismo deixou de existir. seria como travar uma luta de morte pelo telex. quando deixarão de se agarrar às suas cadeiras, abrir os olhos e reconhecer que passaram cinquenta anos, que o jfk está morto há tempo demais. fechem-me num buraco escuro e remoto e deixem-me lá a remoer fantasmas.

essa filistina memória, aproximando-nos do invisível paulatinamente e sem trégua.


Insha'Allah



Tuesday, October 21, 2014

o homem dos cravos vermelhos

espalhando beleza, o espanto fica nos detalhes.


temporárias

quando faltam três dias para que possa voltar a ler, estou quase a contar as horas. em tempos apanhávamos as três o comboio da linha de sintra para sairmos em campolide. eu era a primeira, depois era a das mercês e finamente a de rio de mouro. em campolide saíamos para o comboio de alcântara e daí seguíamos a pé. quando a porta se abria já tínhamos o cigarro na mão, sapatinhos e casaco, as bolsas com o passe e as carteiras. se nos atrasávamos todas em simultâneo, o que por estranho que pareça acontecia frequentemente, dividíamos o táxi para poder estar às nove em ponto. ou se chovia muito e se estava no princípio do mês. o que nos passou entretanto... não há meio de adivinhar o futuro, nunca, nunca. quando andei na católica, entrava às oito da manhã para ter lógica com uma turma de seminaristas. para além de mim talvez houvesse outra rapariga, mas não sei se durou. treinei-me a dormir em pé no comboio, encostada em local estratégico, a mala dos livros entre mim e os outros, dentro das possibilidades daquela linha de comboio às sete da manhã. no café da estação, ainda mal aberto, ainda noite, bebia a bica que não evitava que adormecesse em pé algures por altura do cacém. a sensação de sentir os joelhos falhar (a cabeça a tombar para o lado) é inesquecível. à noite, no regresso, não dormia. sublinhava com bic azul as fotocópias de literatura. aldrabei algumas vezes em entrevistas: sabe isto ou aquilo, quarkxpress? sim claro, escreve francês? sim claro, access? photoshop? contabilidade? tudinho. fosse o que fosse seriam aulas de total imersão autodidacta nos próximos dois ou três dias. fax? telex? encomendas? inventário? tudo tudo, claro. já fiz tudo. quando fiz parte das temporárias saía do rossio e apanhava o elevador do lavra para o campo mártires da pátria (todas aquelas flores na estátua), bebíamos o café na pastelaria da esquina e era necessário entrar exactamente cinco minutos antes das nove, para ligar a fotocopiadora e as máquinas de escrever eléctricas. a secretária da direcção, que não era temporária, tinha todos os cabelos no sítio durante todo o dia, e entrava antes de toda a gente. no final do dia fechava a porta. era católica e usava meias de vidro brancas e sapatos com um pequeno salto, casaco azul escuro e camisas compostas. o meu lugar era ao seu lado de modo que ela pudesse seguir e ouvir todas as minhas palavras e gestos. vinte e muito poucos, eu era a menina do telefone. sabe processador de texto? sei sei, claro. e seguiu aprendizagem repentina no novíssimo word, um mundo de maravilha, pronto a destronar as então máquinas de escrever eléctricas. a temporária mais velha era a carlota, sabia word e dominava o word perfect, um modelo para mim. tinha vindo algures do norte com a filha sob a ameaça de um companheiro violento, andava fugida. não tinha telefone, não dizia a morada a ninguém e nem sei se o seu nome era mesmo carlota. já tinha mudado de cidade umas quantas vezes. tinha cerca de trinta anos e protegia-nos a todas, mais novas, generosamente. à hora de almoço rodeávamos o pc da carlota e ela ensinava-nos os truques do programa. ela, sim, tinha feito tudo e trabalhado em todos os departamentos de várias empresas. era uma exilada.
sempre, até hoje, morro de admiração pela carlota.

pomegranate molasses

- -
How to Make Homemade Pomegranate Molasses - Nar Eksisi
 Afiyet Olsun!
Author: Ozlem Warren

Ingredients
1058 ml /4 ½ cups / 2 ¼ lb. freshly squeezed pomegranates juice (out of 8 large pomegranates)
26 gr / 2 tbsp. brown sugar
15 ml/ 1 tbsp. lemon juice
Instructions
Take out all the pomegranate seeds and save in a bowl.
Place a large bowl and a sieve under the sink.
Squeeze the pomegranate seeds with your hands through a sieve over the large bowl. Try to extract as much of the juice as you can. Discard the left over seeds.
Pour in the freshly squeezed pomegranate juice in a heavy saucepan. Stir in the sugar.
Bring the pan to a boil over medium to high heat and stir until the sugar is dissolved.
Add the lemon juice, mix and reduce the heat to medium to low, just enough for simmering.
Simmer for about 1 hour and 10 minutes, stirring every 10 minutes; the juice will get thicken and reduce to ¾ cups.
Turn the heat off and let the pomegranate molasses cool. It will thicken more as it cools down.
Once cool, pour into a glass jar with an airtight lid on.
Store in the fridge up to 2 months.
Makes ¾ cup / 177 ml/ 6 fl oz. pomegranate molasses

receita fantastique.

Monday, October 20, 2014

my lovely my beauty


vila velha ("centro histórico")


(considering big cartel. depois de voltas e voltas, de todo o Serif, voltamos ao office. o que fazer, a vida é triste.)

soure, que maravilha

sempre mais do mesmo, agressores e vítimas. como se fossem precisas burkas.
(olha, olha, os militares também).

não há senão sem bela: Portugal estabelece hospital de prevenção do ébola na Guiné Bissau. Francisco Jorge: és mesmo bom?

"Como habitualmente, jantei no “Hotel 24 de Setembro” (antiga messe de oficiais do Quartel General do tempo colonial). Muitos cooperantes, mesmo os que não ficavam nem  jantavam no Hotel, concentravam-se na magnífica esplanada a fim de tomarem café ao ar livre e, sobretudo para a conversa. Discutiam-se temas sobre o desenvolvimento, sobre política Africana e, naturalmente, sobre Portugal da AD de Sá Carneiro.

Ora, pelas nove da noite, repentinamente, ouvem-se uns ruídos, percebem-se correrias, pessoas espantadas, muito assustadas e, de forma inesperada, surgem grupos de militares rebeldes que montam uma metralhadora pesada no centro da esplanada. Logo de seguida, o Comandante dá ordem para todos levantarem as mãos. Momentos depois estavam todos os guineenses e cooperantes, incluindo eu, com mãos ao alto, surpreendidos, sem sabermos o que se seguia. Todos nós compreendemos, rapidamente, que eram manobras integradas num golpe para derrubar o Presidente Luís Cabral. No meio deste cenário, surge o gerente do hotel a pedir ao chefe dos revoltosos para os clientes pagarem as respectivas contas. É então que é dada nova ordem: “Todos pagam primeiro as dívidas do café e logo depois voltam a levantar as mãos”…

A situação, apesar de caricata, foi apagada pelo medo generalizado. Medo misturado com a esperança de um futuro melhor.

Era o Movimento de Nino Vieira. Afinal, o grande herói da Luta que todos admiravam e respeitavam. A confiança era imensa. Julgavam que a pobreza podia ser combatida como Nino fizera contra o exército de Spínola. Era agora que o País iria para a frente, pensaram muitos.

Voltando à esplanada. Depois das contas pagas, todos ergueram de novo os braços. Cerca de meia hora depois, os soldados rebeldes às ordens de Nino Vieira mandam todos para os quartos. Acontece que muitos dos que ali estavam não tinham alojamento no hotel. Era essa, aliás, a minha situação. Olhei em redor para ver se conhecia alguém. Resolvi, então, pedir a um cooperante português que me deixasse ficar no quarto dele. Nada levava comigo. Já no quarto do António Manuel Reis que eu acabara de conhecer, resolvemos proteger as janelas com almofadas. Durante a noite os sons de tiros de canhão que tudo faziam estremecer, aumentavam a nossa ansiedade.
A manhã seguinte foi, pelo contrário, de alegria generalizada perante a confirmação do sucesso da operação rebelde. Luís Cabral, deposto e expulso, deu lugar a um Conselho da Revolução. O próprio Nino Vieira apresentou os membros do Conselho num grande comício que promoveu na Praça do Império cinco dias depois. Assisti a esta manifestação, genuinamente popular, a lembrar-me do nosso Primeiro de Maio em 1974.

Hoje, trinta anos passados, temos que reconhecer, a construção de um Estado de Direito, regido por princípios democráticos, é um processo ainda inacabado. "

és.

introdução à lógica



















fall colors













Saturday, October 18, 2014

sábado, outono





ao que se chega

dormir interruptamente até quase ao meio dia por cansaço, mas bom cansaço, yet another project who knows, não confio em nada ou ninguém que o país se tornou numa abundância de promessas ocas, tal como a língua portuguesa. mil risos para a nova geração à qual não me importava de pertencer porque me identifico: livre, aventureira, fazer antes de problematizar, pragmática, livre sobretudo, assim como os vi no acontecimento tony hawk em carcavelos. parecendo estranho, o sentimento positivo foi semelhante ao de fátima, embora este seja jovem e de vida e não de olhar para trás.

instalar um office xp pirata porque é o que se tem à mão e se precisa tanto de um dos componentes. miséria. a ideia de um memory-card para o sistema operativo, boa ideia, a ideia de alterar pcs até à exaustão, boa ideia.

o meu feed de blogues está praticamente morto e vejo isso com uma pena imensa. restam os convictos, que o fazem para viver, e os profissionais que ali inventariam e testam o que vão publicar elsewhere. fico na dúvida se toda aquela gente não tinha afinal nada para dizer, e talvez seja assim.

considero mudar da palavra escrita para a imagem, quem sabe, dizer sem palavras, mas o processo torna-se impossível. carmesim Kırmızı, era assim, sou demasiado fascinada por estes monumentos. em vez da saudosa ática com as suas capas brancas e o cavalo alado, comprei uma geografia de Sophia edição da assírio que pertence à porto. que caldeirada, saudades de hermínio, saudades de todas as manhãs ler um novo saramago que então blogava, que falta me fazem aquelas palavras ruidosas.

encontro novas ligações, e que fortes, impulsivas, irracionais, profundas, para além das palavras que se pronunciam, como mães e crias. assim gosto de viver.


storytelling










 (não ligues, vai andando)

 
Share