a mesa de luz

Monday, January 26, 2015

Saturday, January 24, 2015

um sniper não é um herói, (American Sniper)

diz o michael moore. é um assassino, penso. quando moore chama cobardes aos snipers, cai-lhe o carmo e a trindade em cima, num país que há muitos anos depende da situação de guerra para existir. e vem toda a panóplia de frases feitas, e mentirosas, que justificam todas as acções e a mentalidade de veneração que existe naquele país por toda a vida militar. estive em Arlington, vi as colinas cheias de cruzes brancas, cruzes novas e cruzes antigas, uma história de mortes. vi o mudar da guarda, assistimos àquilo, fez-me impressão. estive num porta-aviões, o do mediterrâneo e vi a sala de controlo, cheia de televisões e de equipamento informático, 'como nos filmes'.

na cnn (onde um jornalista com mais de 30 anos de serviço foi posto na rua por criticar israelitas)
"To begin with, the reason Americans have the freedom of speech Moore was exercising is because brave men such as Kyle and other active-duty personnel and military veterans have fought to protect this precious right.", errado, não é verdade. 'nós' aqui dizemos todos os disparates que nos dá na real gana e ninguém tem de andar a matar ninguém por isso.

"The terrorist -- the enemy, the "bad guy" -- strikes terror and threatens to harm and kill the innocent, like the wolf who threatens the sheep. Fortunately, there are brave men and women who sacrifice much to protect those who wish to live day to day in peace. These protectors are the community sheepdogs.", deus do céu, cordeirinhos e lobos maus na cnn. e nem continuo porque é triste demais.

no filme, a motivação do 'herói' em ir salvar inocentes foram as torres gémeas. mas Chris vai para o Iraque, e não para o Afeganistão (onde os talibãs continuam). o que mudou nos anos que nos separam das torres gémeas? está tudo tão melhor! ou talvez não.

o filme está bem feito, é feito por um veterano, ele próprio, sabe o que é o cinema, sabe o que é exultar os valores da nacionalidade, dos heróis, sabe como filmar guerras e caracterizar heróis. tive direito a mais violência em duas horas do que tive no conjunto dos últimos oito anos.

ao meu lado estava um miúdo de mais ou menos doze anos a comer pipocas com o pai. no intervalo o pai dizia isto é como os teus jogos, o miúdo respondia que isto era mais nojento. no final o pai dizia imagino que satisfeito ou com orgulho, estás a ver, foi melhor do que ir ver a abelha maia. estou certa que o miúdo vai para casa jogar os seus jogos menos nojentos e neles tentar ser um sniper parecido com o que viu no filme. tenho pena.


s/n




Thursday, January 22, 2015

dias mais emocionais do que o normal dos dias. Swann que começa a existir, as escadas e as velas, a mãe e as tias velhas que não sabem agradecer uma caixa de vinho; olhar para alguém é como está escrito, não se vê o que está ali mas o que se quer ou julga ver. tomar decisões agora que se sobrevive só e mais nada é tão pesado como empurrar uma casa, nem que seja por uma garrafa ou um banco ou uma gaveta de papéis. tapo a boca e espero que se resolva assim. a vida dos móveis no escuro do quarto de Combray.


vimos também com emoção o Jogo da Imitação, uma tardia homenagem ao matemático e descodificador Alan Turing, vivamente aconselhado. poucos anos que ajudam a perspectivar o presente e a clarificar o porque gostamos de ter bandeiras "charlie".  recuperámos amigos, recuperámos (mesmo que temporariamente).

mais bonita do que esta mesa de cozinha, com tampo em pedra e acompanhada de um banco, não há. mas lembro a cozinha antiga de um palacete lisboeta. o miúdo tinha tudo o que queria. tinha um tapete de pele verdadeira que me queria dar, não quis claro, nem gostava da pele nem do desprezo com que tratava tudo o que tinha, e que era muito. os pais eram personalidades, saiam muitas vezes à noite. o miúdo diabético e com outros problemas de saúde drogava-se como raramente vi alguém e metia em casa toda a espécie de vadiagem que encontrava na rua. as criadas - que viviam nos seus quartos de criadas - fingiam não ver nem ouvir, talvez alguma gostasse dele, era a esperança que me restava. os gatos mais rafeiros e desgraçados não compreendiam como podia viver daquela maneira, em total desprezo de tudo e da própria vida, tantas vezes tinha ficado inanimado na rua. os colegas da noite tinham medo de o acompanhar, tinham medo que morresse.


notícias (in)esperadas


(do face)

"In Antwerp, Belgium, the trial of a jewelry company Omega. Local customs has put forward claim of nearly 5 billion euros for smuggling diamonds. Amount is impressive. But equally surprising is the fact that the company recently bought a large Swiss jewelry brand is not only involved in trading so-called "blood diamonds ". Behind it, according to some, is the Angola president's daughter Isabel dos Santos.
The richest woman had made the state at the "blood diamonds", long lead successful economic offensive against the former mother country - Portugal, being a shareholder of large enterprises.
The capital of Angola, Luanda has recently been named the most expensive city in the world. The cost for one kilogram of beef is 45 dollars, and a plate of salad - almost 60. That's more than 10 times the average salary Angolan.
Almost all businesses in the country are tied to family of the president Jose Eduardo dos Santos. His eldest daughter, half-Russian Isabel dos Santos, was recently named by Forbes Africa 's richest woman with a fortune of $ 2 billion. She officially controls the export of diamonds in the country with a turnover of $ 40 billion. With the company Omega Diamonds she is associated by joint venture ASCORP Diamond Traiding Company, which acquired the well-known Swiss jewelry and watch brand de Grisogono."

(no fb do bridgem)


"Début des années 1990, la Russie livre en secret de grosses quantités d'armes au régime du président de l'Angola, José Eduardo Dos Santos. Ces armes lui étaient nécessaires pour gagner la guerre civile qui l'opposait à son rival, Jonas Savimbi. Sans argent, Dos Santos règle sa dette aux Russes en pétrole et diamants.

Dans ce système, Omega Diamonds se charge de travailler et commercialiser les diamants perçus. Les diamants bruts, provenant de l'Angola mais aussi du Congo, étaient achetés par "Tulipe Diamonds" basée Dubaï. Un société dirigée par la belle-soeur de Ehud Laniado, un des patrons d'Omega Diamonds.

A Dubaï, les diamants étaient rassemblés et obtenaient un nouveau certificat Kimberley - falsifié - avant de rejoindre Anvers. Grâce à une manipulation des factures, tous les bénéfices disparaissaient à Dubaï. Selon David Renous, ancien employé d'Omega Diamonds et lanceur d'alerte auprès de la justice belge, lorsque la combine tournait à plein régime, son chiffre d'affaire atteignait les 110 millions de dollars par mois (près de 80 millions d'euros).

Les responsable d'Omega Diamonds ont ainsi, des années durant, bâti leur fortune sur la commercialisation de diamants bruts en provenance d'Angola et du Congo. Pas étonnant que cette affaire conduise directement à des personnages importants du marché international du diamant, comme Arcadi Gaydamak, Lev Leviev et Dan Gertler. L'histoire de la société anversoise mêle questions géopolitiques, corruption, trafic d'armes, diamants de sang et magouilles de services secrets."

daqui.


"The story begins with a Russian whose name is Arkady Gaydamak,” David Renous started his narrative. “During the civil war, he supplied weapons to Dos Santos, the currently incumbent President of Angola. In 1998, he bought the entire Angolan government debt from the president in exchange for a monopoly in the diamond trade. He established a company trading in diamonds, Ascorp, which had three shareholders: Isabel Dos Santos, the president’s daughter, his countryman Lev Leviev and - as the third party - Antwerp diamond dealers Laniado and Goldberg. Gaydamak would not officially be one of the participants, but outside of official documents it was agreed with Lev Leviev that the profits should be directed to him. However, Gaydamak has not received much of the profits and it is known that he has already initiated legal action against Lev Leviev in Israel."

daqui.




de certo modo

este livro estava à minha espera.

"My great adventure is really Proust. Well—what remains to be written after that? I’m only in the first volume, and there are, I suppose, faults to be found, but I am in a state of amazement; as if a miracle were being done before my eyes. How, at last, has someone solidified what has always escaped—and made it too into this beautiful and perfectly enduring substance? One has to put the book down and gasp. The pleasure becomes physical—like sun and wine and grapes and perfect serenity and intense vitality combined. Far otherwise is it with Ulysses; to which I bind myself like a martyr to a stake, and have thank God, now finished—My martyrdom is over.
The thing about Proust is his combination of the utmost sensibility with the utmost tenacity. He searches out these butterfly shades to the last grain. He is as tough as catgut and as evanescent as a butterfly’s bloom.”
Woolf on Proust.

Tuesday, January 20, 2015

the McPherons

It's interesting how the McPherons are part of a long tradition in American literature, the gentle giants, naïve countrymen, rough but shy, the original pure and innocent ones (so much like An American Abroad). And like their every other expression of the same ideia, they never fail to please. The lonely settler, the man of the land, the plains settler living simply under the immense skies of midwestern America, honesty and hard work.

(uma vez disse-nos porque gostava tanto de viver ali: porque da porta da sua própria casa não via a casa de nenhum vizinho. ao fundo do campo aberto que era o seu quintal das traseiras andavam muitas vezes animais selvagens como raposas ou corças. alguns metros à frente passava um ribeiro limpo onde os miúdos pescavam à linha no verão. o caminho que levava à sua casa não era alcatroado e atrás de nós elevava-se um rasto de pó no tempo seco. o vizinho, aquele que se escondia por detrás de uma elevação que na minha terra daria espaço para três ruas e dois parques infantis, pelo menos, tinha um estábulo com três cavalos que o filho mais velho gostava de ir tratar. alimentar, banhar, escovar. no verão juntavam-se no terreno uma dúzia de crianças de várias idades que brincavam com o tractor de cortar a erva, bicicletas e trampolins. no inverno juntavam toda a espécie de tralha e vendiam na net. nunca comiam à mesa mas no sofá - horríveis refeições de micro-ondas.)

an interview with Kent Haruf, here.

cidade desejada

.."como os que partem de viagem para ver com os próprios olhos uma cidade desejada e imaginam que se pode saborear numa certa realidade o encanto da fantasia.", Proust em Em busca do tempo perdido.
as possibilidades são tantas - as fantasias depostas nas cidades, as cidades que ultrapassam as suas próprias fantasias, as cidades fantasiadas por outros, as cidades invisíveis, as cidades soterradas nas memórias. difícil é estar onde se está.

(um local para habitar este inverno, no tempo perdido)

"If human beings are left on their own, without political rivalry or interest, they try to work together and make the best of their lives."

No Guantánamo Diary de Mohamedou Ould Slahi, que pode ser lido mais ou menos na íntegra, tirando a censura a preto, agora publicado pelo Guardian. algumas partes são lidas por actores ingleses conhecidos.
daqui, da pág, 217.


Monday, January 19, 2015

andando, Koreeda Hirokazu (still walking)

"I think the reason we compare Koreeda to Ozu is because his cinema tastes like Ozu’s. When we leave his films we experience a similar aftertaste, which is to say, a deeper sense of life. " daqui.





de certo modo, uma sequência curiosa da vida quotidiana, a americana em Holt, a japonesa neste filme de 2008 de Hirokasu Kore-Eda e ainda, andando para trás no meu próprio tempo, Winter Sleep de Ceylan. se lembra Ozu, mas seria impossível existirem cenas de interiores e familiares no Japão sem que a ocidente se pense em Ozu, mestre do indizível humano.

cada um nos seus olhos, mas o realizador que os consegue ver claramente a cada um. a literatura também é assim, difere o meio, primeiro está sempre ver.

(“To see is to forget the name of the thing one sees.” Paul Valéry)

tools of the


argumentar

uma das coisas que deixei de fazer de tal modo que um dia destes chego ao nirvana do pacifismo.

"I think we are all like him. When I say we, I mean the modern Muslims of the world, the moderate Muslims, or maybe the non-practicing Muslims of the world. Those who have been born to a Muslim family and have that identity given to them, the one we pass on to our children; not bothering to question it much... Especially if you are in a once-secular country like Turkey, you can live your entire life being a non-practicing Muslim. You have a Muslim identity; you believe in the goodness of the religion, but seeing how it is you are distanced from the currently practiced faith, caught in a dilemma between modern times and medieval practices.

We are trying to tell the world something, even with the last breath we take, we are sure of it; we are afraid, we are dying, we are injured; we have something to say. We want to cry it out loud...

But it is not heard. It hits the wall of terror. It kills us. We may or may not be wearing a French police uniform. The fact is we are not even near to being understood. We are lying out in the open. Neither our faith nor our adopted identity protects us. We are at the wrong place at the wrong time. Our own faith comes back and kills us directly, as a bullet in the head.

I think we are all begging for mercy on the pavement. I am not a religious expert. I am an ordinary person who still has hope that the religious identity I was born into will provide me with some spiritual support, at least at critical times.

I remember calling the name of Allah during the crack of doom moments, the 45 seconds of the hellish earthquake that struck Western Turkey in 1999, when the whole world was falling apart.

For the first time in my life, I was shouting God’s name. Nothing happened. The horror continued. The house was shaking like a train. I was begging God to save my child, me and my neighbor. Nothing happened. I started shouting louder, thinking God would hear me better if I raised my voice. My very young neighbor – we were all holding on to each other – was repeating “bismillah, bismillah,” Arabic for “In the name of God.” She later told me that it was the only holy word she knew (worse than me).

There seems to be no magical words or beliefs to protect us from the approaching terminator. We still believe - and keep on believing - in peace, in tolerance, in freedom of speech, in advancement, in developing into a better society.

I thought the police officer told the gunmen, “Don’t shoot me; I’m a Muslim, too…” But he was shot anyway.

When only a few kilometers south of our border, Yazidi women are sold in the market place as slaves, in 2015, in the name of faith; when innocent people are beheaded and we do nothing about these things, then this evil will come and give us a bullet in the head.

Our combination of moderate Islam and modernism is dead. "

um bom artigo de Belgin Akaltan.

falámos disto, falámos muito disto porque vale a pena falar. cada um nos seus olhos.


Saturday, January 17, 2015

what a week






so much good and a fair amount of unwanted news.

Friday, January 16, 2015

ena

um tiquinho de colesterol. em março logo se dieta.

'La peur doit changer de camp'

diz o ministro belga depois de uma noite agitada de caça ao jihadista.


"A França é o país onde todas as semanas aparece o problema de uma funcionária de supermercado ou escola que pretende trabalhar de rosto completamente tapado mas onde paralelamente as activíssimas associações ditas de livre pensamento, que se calam respeitosamente perante a actividade dos fundamentalistas islâmicos, exigem com urgência que se proíbam os presépios nos espaços públicos. O país onde as autoridades se regozijaram porque na noite da passagem de ano foram incendiados apenas 940 automóveis: afinal em 2014 tinham sido contabilizadas 1 067 viaturas queimadas. (Já agora quantas notícias se leram sobre estes factos na imprensa portuguesa? Será que os jornalistas não sabem francês ou simplesmente não estão preparados para dar notícias que não cabem na sua quadratura do mundo?)"

é preciso não ter andado pela europa para não ver o que se passa. a globalização não são só cuecas e jeans mas também é isto: uma pequena cidade como Verviers tem uma mesquita somali, um imã marroquino, uma grande comunidade tchechena. 12% por cento da população são estrangeiros,6000 em 55000. a Le Pen é um elefante na sala que todos (os portugueses, com a nossa moral e os nossos princípios) fingem não ver. a Le Pen existe por alguma razão, assim como as borbulhas e os torcicolos aparecem por alguma razão. um excelente artigo sobre Verviers. a europa implode e não se diga que a história se repete, não se repete nada, tudo é diferente e depende das circunstâncias. a situação explosiva de uma pequena cidade que são muitas pequenas cidades europeias. li que a Bélgica é o centro do jihadismo europeu, era bom era. o jihadismo europeu está em toda a parte, felizmente menos entre nós, portugueses fixes e bonzinhos.

as discussões sobre a liberdade de expressão têm sido educativas e tristemente trágicas. felizmente não argumento desde o meu final nos blogues, cheguei à conclusão que era uma perda de tempo, uma inutilidade, uma futilidade. ouço e é tudo. por exemplo, estou-me nas tintas para que me imponham seja o que for. o conceito de 'integração', não sei quem o criou, mas está errado. integrar o quê em quê? os ciganos devem ser integrados? e paga-se por isso? mas porque se paga para que eles deixem de ser ciganos? se eu fosse cigana, teria orgulho em sê-lo. é 'heart warming´como damos sempre o exemplo do português imigra, como prova que sim, que nos 'integramos' e que não andamos a matar ninguém. também tenho orgulho de não andarmos a matar ninguém, mas é preciso ver que para outros o orgulho é andar a matar alguém. e o que fazer com eles? pagar-lhes para que sejam iguais a nós? isso nunca mas nunca vai acontecer. toda a gente sabe ou devia saber que (ao contrário da ideia propagada actualmente, nem sei porquê), o dinheiro não compra tudo.

não era em França o país da liberté que não se podia usar fios ao pescoço com uma cruz porque não se podem usar símbolos religiosos? isto foi feito para evitar que os muçulmanos exibam sinais de serem muçulmanos. tapar o sol com a peneira. eles são muçulmanos e eles estão lá, escusam de os esconder ou disfarçar. os políticos, os bem pensantes, os bem intencionados têm feito disto uma bela salada. agora há os contra os a favor do papa e os a favor dos cómicos. a batalha do ridículo. dar um murro a quem diz mal da minha mãe (uma coisa de gajo, afinal) não tem nada a ver com entrar numa revista premeditadamente e dizimar toda a gente. santa paciência ou ateia paciência. o sarilho é tão grande e brinca-se aos cowboys. se os media fossem sérios em vez de andarem a armadilhar e a tecer idiotices, talvez existisse mais noção do real e menos selfies. mas isso também não vai acontecer.

- -

'One Light'

What are "I" and "You"?
Just lattices
In the niches of a lamp
Through which the One Light radiates.

"I" and "You" are the veil
Between heaven and earth;
Lift this veil and you will see
How all sects and religions are one.

Lift this veil and you will ask---
When "I" and "You" do not exist
What is mosque?
What is synagogue?
What is fire temple?

Mahmud Shabistari

--


Awakened by your love,
I flicker like a candle's light
trying to hold on in the dark.
Yet, you spare me no blows
and keep asking,
"Why do you complain?"

Rumi


Thursday, January 15, 2015

Wednesday, January 14, 2015

'Plainsong', Kent Haruf

com surpresa, existe em português, este livro de 1999. o autor morreu em Novembro passado.

"Downstairs, passing through the house, Guthrie could hear the two boys talking in the kitchen, their voices clear, high-pitched, animated again. He stopped for a minute to listen. Something to do with school. Some boy saying this and this too and another one, the other boy, saying it wasn't any of that either because he knew better, on the gravel playground out back of school. He went outside across the porch and across the drive toward the pickup. A faded red Dodge with a deep dent in the left rear fender. The weather was clear, the day was bright and still early and the air felt fresh and sharp, and Guthrie had a brief feeling of uplift and hopefulness. He took a cigarette from his pocket and lit it and stood for a moment looking at the silver poplar tree. Then he got into the pickup and cranked it and drove out of the drive onto Railroad Street and headed up the five or six blocks toward Main. Behind him the pickup lifted a powdery plume from the road and the suspended dust shone like bright flecks of gold in the sun."

ler este canto chão é como estar lá, numa pequena povoação da américa interior, nas planícies que no Colorado se estendem em frente a Denver.

passámos no corn palace em Mitchell, sítio de que já devo ter falado uma série de vezes, e mal sabíamos que a m. iria para lá, para aquele final de mundo, estudar. mas não aguentou o inverno e como a compreendo. o que soubemos foi que a família que a acolhia se admirava infinitamente pois cozinhava coisas estranhas e deliciosas, todas 'from scratch' e sem tirar nada de pacotes de já feitos. ali em muitos sítios já não se cozinha, pior que Inglaterra nos primeiros programas do Jamie Oliver.

mas Mitchell fica no Dakota do sul e a fictícia Hold de Haruf fica na planície do Colorado. em comum têm o facto de serem uma pequena localidade, embora Holt não tenha nem uma universidade nem um landmark como o palácio de milho, capaz de atrair milhares de turistas os meses do verão. a realidade, vista profundamente pelo escritor e contada com transparência cristalina e fria, é rainha no canto chão de Haruf. é muito interessante, mesmo muito, que a realidade mais quotidiana, comezinha em contraste com o que é divino ou grandioso, seja precisamente aquilo que é mais sagrado, nesse aspecto de precioso. enfim, é o que os sobreviventes temporários de cancro todos dizem nos livros que desatam a escrever: são os pequenos nadas de ser humano e sobre isto falam mil obras literárias entre elas esta admirável Plainsong que me levou de volta a um local em que por vezes me senti em casa.


o que é um doido:

alguém a quem se diz não e que ouve sim. alguém que monologa a tempo inteiro. acima de tudo: alguém que julga que sabe mais do que todas as outras pessoas. (há aquela ideia do doido engraçado e irreverente. este não tem mesmo piada nenhuma.)

kaffeehaus chiado

when in doubt, ask for strudel. life will instantly become better. este não vinha com o gelado caseiro de baunilha, muito infelizmente, que tinha acabado.




Tuesday, January 13, 2015

 
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