a mesa de luz

Thursday, October 30, 2014

anita no subúrbio




louise, louise

Advice to Myself 
Louise Erdrich

Leave the dishes.
Let the celery rot in the bottom drawer of the refrigerator
and an earthen scum harden on the kitchen floor.
Leave the black crumbs in the bottom of the toaster.
Throw the cracked bowl out and don't patch the cup.
Don't patch anything. Don't mend. Buy safety pins.
Don't even sew on a button.
Let the wind have its way, then the earth
that invades as dust and then the dead
foaming up in gray rolls underneath the couch.
Talk to them. Tell them they are welcome.
Don't keep all the pieces of the puzzles
or the doll's tiny shoes in pairs, don't worry
who uses whose toothbrush or if anything
matches, at all.
Except one word to another. Or a thought.
Pursue the authentic-decide first
what is authentic,
then go after it with all your heart.
Your heart, that place
you don't even think of cleaning out.
That closet stuffed with savage mementos.
Don't sort the paper clips from screws from saved baby teeth
or worry if we're all eating cereal for dinner
again. Don't answer the telephone, ever,
or weep over anything at all that breaks.
Pink molds will grow within those sealed cartons
in the refrigerator. Accept new forms of life
and talk to the dead
who drift in though the screened windows, who collect
patiently on the tops of food jars and books.
Recycle the mail, don't read it, don't read anything
except what destroys
the insulation between yourself and your experience
or what pulls down or what strikes at or what shatters
this ruse you call necessity.

it's purple

it's a new project.

Wednesday, October 29, 2014

sintra

qualquer pessoa que viva no concelho se atira para o chão com isto: "Sintra alia uma combinação perfeita entre a natureza e o património edificado." sim, apenas o "centro histórico" é que conta...

por falar em centro histórico e património (que políticas para o património), interessa ler isto sobre Istanbul, a minha cidade do coração. assim vai Lisboa e assim se adiantou Sintra. é a economia, estúpido. é pena.


Tuesday, October 28, 2014

Monday, October 27, 2014

exemplo de palavras que entram em contradição mútua:

"prestigiada multinacional especializada em Trabalho Temporário, Outsourcing e Recrutamento" blabla.  a cena do emprego desapareceu, é um facto. é cada um por si.
como a b. que tem 4 patroas e nenhuma lhe pode pagar mais do que... o passe.
querem dizer mal da malta nova? haja dó.

Mas alguém tem roupa (ou seja o que for) para dar??  ah a pobreza que existe neste país...

at her workshop


Sunday, October 26, 2014

i can read (2)

"he began to feel that he was truly living only when he relied upon this woman.", Tanpinar em A Mind at Peace.

onde é que já ouvi isto. em que os objectos naturais deixam de o ser e passam a memória.
o retorno de alguém, o acrescentar ou acumular de possibilidades, um ano de reaver, um dia de sair do pc (bem..) e reavaliar pensar nisso projectar. o que será, será.

- -
e que belo dia off-net.

Saturday, October 25, 2014

tristes

"Continental Europe’s economy has plenty of big underlying weaknesses, from poor demography to heavy debt and sclerotic labour markets. But it has also made enormous policy mistakes. France, Italy and Germany have all eschewed growth-enhancing structural reforms. The euro zone is particularly vulnerable to deflation because of Germany’s insistence on too much fiscal austerity and the ECB’s timidity. Even now, with economies contracting, Germany is still obsessed with deficit reduction for all governments, while its opposition to monetary easing has meant that the ECB, to the obvious despair of Mr Draghi, has done far less than other big central banks in terms of quantitative easing (notwithstanding this week’s move to start buying “covered bonds”)."

o reino triste de Merkel. do economist (que é reaccionário a toda a força), via uemeai que não é.


(seriam precisas três horas para instalar o photoshop?era melhor que não)


measuring beauty


i can read now:

e está tudo dito.


se houvesse qualquer dúvida sobre que tipo de "emprego" terei daqui para a frente, ou melhor, não terei, essa dúvida estaria desfeita em trapos.

que bonita esta página de Ismail Kadare, o livro que alguém leu por mim no Funchal mas que ainda está na minha mesa. Dois parágrafos - um mundo. este é o verdadeiro tamanho das palavras (vs. o vazio aparente da linguagem social). talvez um dia se caminhe para um pouco de verdade. por enquanto, o caminho é o inverso.

esta semana surgiu um non-event na new yorker sobre a qualidade dos livros que os miúdos lêem, alguns argumentando que os miúdos devem é ler clássicos e não a tralha divertida e viciante em que andam metidos a toda a hora os sortudos que de facto lêem. é que nem me passa limitar o desejo da leitura, tipo gestapo do desejo leitor infantil ou juvenil. chama-se censura. pode-se dizer isto é bom ou gostei disto mas dizer -esse livro é uma porcaria, devias ler blabla... se me tivessem dito isto aos doze, provavelmente teria pensado muitas palavras impróprias para aquela idade para arremessar à hipotética pessoa.

literatura ou não: são os livros que têm um significado, diz ele. ah!! logo me chega a ilógica atracção para retornar à filosofia, denotação-conotação. posso já afirmar que desconfio da denotação, nunca gostei dela e não é agora. desconfio da sua confiança e do seu sentimento de posse. acabe-se já com essa sobranceria.

to read. to read.

não tem a ver mas stephen hawking está no face. omg!

o que é literatura é fácil: é o que está na Paris Review. aquela gente não se engana (embora possa ter muitas dúvidas).

para ler: o artigo dedicado a Ismail Kadare.

que me fez lembrar Mia Couto, o criador do português de moçambique:

INTERVIEWER

The Turks took Constantinople in 1454, and then the rest of the Balkans and Greece. What was the impact of Turkish on Albanian?

KADARÉ

Hardly any. Except in the administrative vocabulary or in cooking—words like kebab, café, bazaar. But it had no influence on the structure of the language for the simple reason that they are two totally different machines, and one can’t use the spare parts of one for the other. The Turkish language was not known anywhere outside Turkey. Modern Turkish has been constructed by Turkish writers of the nineteenth and twentieth centuries, while the dry, administrative Turkish was not a living language and therefore could not have any influence on the other languages of the Ottoman Empire. I have met Turkish writers who have told me that they have problems with their language.

INTERVIEWER

On the other hand, a great deal of foreign vocabulary has entered Turkish—Persian, Arabic, French, among others. Before modern times, Turkish authors wrote in Persian, or in Arabic if the subject was theology.

-
certo, este foi um detour sobre a língua turca.

e:

KADARÉ
 For me as a writer, Albanian is simply an extraordinary means of expression—rich, malleable, adaptable. As I have said in my latest novel, Spiritus, it has modalities that exist only in classical Greek, which puts one in touch with the mentality of antiquity. For example, there are Albanian verbs that can have both a beneficent or a malevolent meaning, just as in ancient Greek, and this facilitates the translation of Greek tragedies, as well as of Shakespeare, the latter being the closest European author to the Greek tragedians. When Nietzsche says that Greek tragedy committed suicide young because it only lived one hundred years, he is right. But in a global vision it has endured up to Shakespeare and continues to this day. On the other hand, I believe that the era of epic poetry is over. As for the novel, it is still very young. It has hardly begun.


. que grande artigo.


Friday, October 24, 2014

arola

recomendo o arola muito vivamente. para além da comida ser excelente, mas bem cozinhada de morrer, o serviço é seis estrelas e o preço não é o fim do mundo. além do que a vista é deslumbrante, se se for de dia.





as imagens estão más, mas a ementa era tão excelente que sou bem capaz de a imitar para as festividades de novembro.

faltaram as excelentíssimas pescada com crosta de amêndoa e salsa de caril sobre cama de espinafres quentes e as bochechas de porco com uvas brancas e mousse de queijo creme e bróculos. a ideia do pão em azeite, alho e tomate, já a tinha notado e já a tinha perdido. o pão, estou em apostar que é do keyser.


Wednesday, October 22, 2014

s/n


e quem vai trabalhar com uma valente gripe espalhando o terror pelos corredores, com espirros, tosse, tocando as máquinas comuns, tentando fazer o resto do pessoal cair um a um no seu bottomless pit? os fracos de pulmões, como eu, estremecem. --to trace and remove background. a cool tool such as vector magic to reduce it to 2 colors, find edges in paintnet and fill with transparency color, changing blending to overwrite.

tantos homens com mais de sessenta anos que continuam a debater assuntos desaparecidos e são capazes de o fazer durante horas, semanas, o resto da vida. é exasperante. por exemplo: são capazes de debater o capitalismo, uns contra outros a favor, mas esse ponto de vista não tem qualquer interesse porque o capitalismo vs. não-capitalismo deixou de existir. seria como travar uma luta de morte pelo telex. quando deixarão de se agarrar às suas cadeiras, abrir os olhos e reconhecer que passaram cinquenta anos, que o jfk está morto há tempo demais. fechem-me num buraco escuro e remoto e deixem-me lá a remoer fantasmas.

essa filistina memória, aproximando-nos do invisível paulatinamente e sem trégua.


Insha'Allah



Tuesday, October 21, 2014

o homem dos cravos vermelhos

espalhando beleza, o espanto fica nos detalhes.


temporárias

quando faltam três dias para que possa voltar a ler, estou quase a contar as horas. em tempos apanhávamos as três o comboio da linha de sintra para sairmos em campolide. eu era a primeira, depois era a das mercês e finamente a de rio de mouro. em campolide saíamos para o comboio de alcântara e daí seguíamos a pé. quando a porta se abria já tínhamos o cigarro na mão, sapatinhos e casaco, as bolsas com o passe e as carteiras. se nos atrasávamos todas em simultâneo, o que por estranho que pareça acontecia frequentemente, dividíamos o táxi para poder estar às nove em ponto. ou se chovia muito e se estava no princípio do mês. o que nos passou entretanto... não há meio de adivinhar o futuro, nunca, nunca. quando andei na católica, entrava às oito da manhã para ter lógica com uma turma de seminaristas. para além de mim talvez houvesse outra rapariga, mas não sei se durou. treinei-me a dormir em pé no comboio, encostada em local estratégico, a mala dos livros entre mim e os outros, dentro das possibilidades daquela linha de comboio às sete da manhã. no café da estação, ainda mal aberto, ainda noite, bebia a bica que não evitava que adormecesse em pé algures por altura do cacém. a sensação de sentir os joelhos falhar (a cabeça a tombar para o lado) é inesquecível. à noite, no regresso, não dormia. sublinhava com bic azul as fotocópias de literatura. aldrabei algumas vezes em entrevistas: sabe isto ou aquilo, quarkxpress? sim claro, escreve francês? sim claro, access? photoshop? contabilidade? tudinho. fosse o que fosse seriam aulas de total imersão autodidacta nos próximos dois ou três dias. fax? telex? encomendas? inventário? tudo tudo, claro. já fiz tudo. quando fiz parte das temporárias saía do rossio e apanhava o elevador do lavra para o campo mártires da pátria (todas aquelas flores na estátua), bebíamos o café na pastelaria da esquina e era necessário entrar exactamente cinco minutos antes das nove, para ligar a fotocopiadora e as máquinas de escrever eléctricas. a secretária da direcção, que não era temporária, tinha todos os cabelos no sítio durante todo o dia, e entrava antes de toda a gente. no final do dia fechava a porta. era católica e usava meias de vidro brancas e sapatos com um pequeno salto, casaco azul escuro e camisas compostas. o meu lugar era ao seu lado de modo que ela pudesse seguir e ouvir todas as minhas palavras e gestos. vinte e muito poucos, eu era a menina do telefone. sabe processador de texto? sei sei, claro. e seguiu aprendizagem repentina no novíssimo word, um mundo de maravilha, pronto a destronar as então máquinas de escrever eléctricas. a temporária mais velha era a carlota, sabia word e dominava o word perfect, um modelo para mim. tinha vindo algures do norte com a filha sob a ameaça de um companheiro violento, andava fugida. não tinha telefone, não dizia a morada a ninguém e nem sei se o seu nome era mesmo carlota. já tinha mudado de cidade umas quantas vezes. tinha cerca de trinta anos e protegia-nos a todas, mais novas, generosamente. à hora de almoço rodeávamos o pc da carlota e ela ensinava-nos os truques do programa. ela, sim, tinha feito tudo e trabalhado em todos os departamentos de várias empresas. era uma exilada.
sempre, até hoje, morro de admiração pela carlota.

pomegranate molasses

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How to Make Homemade Pomegranate Molasses - Nar Eksisi
 Afiyet Olsun!
Author: Ozlem Warren

Ingredients
1058 ml /4 ½ cups / 2 ¼ lb. freshly squeezed pomegranates juice (out of 8 large pomegranates)
26 gr / 2 tbsp. brown sugar
15 ml/ 1 tbsp. lemon juice
Instructions
Take out all the pomegranate seeds and save in a bowl.
Place a large bowl and a sieve under the sink.
Squeeze the pomegranate seeds with your hands through a sieve over the large bowl. Try to extract as much of the juice as you can. Discard the left over seeds.
Pour in the freshly squeezed pomegranate juice in a heavy saucepan. Stir in the sugar.
Bring the pan to a boil over medium to high heat and stir until the sugar is dissolved.
Add the lemon juice, mix and reduce the heat to medium to low, just enough for simmering.
Simmer for about 1 hour and 10 minutes, stirring every 10 minutes; the juice will get thicken and reduce to ¾ cups.
Turn the heat off and let the pomegranate molasses cool. It will thicken more as it cools down.
Once cool, pour into a glass jar with an airtight lid on.
Store in the fridge up to 2 months.
Makes ¾ cup / 177 ml/ 6 fl oz. pomegranate molasses

receita fantastique.

Monday, October 20, 2014

my lovely my beauty


vila velha ("centro histórico")


(considering big cartel. depois de voltas e voltas, de todo o Serif, voltamos ao office. o que fazer, a vida é triste.)

soure, que maravilha

sempre mais do mesmo, agressores e vítimas. como se fossem precisas burkas.
(olha, olha, os militares também).

não há senão sem bela: Portugal estabelece hospital de prevenção do ébola na Guiné Bissau. Francisco Jorge: és mesmo bom?

"Como habitualmente, jantei no “Hotel 24 de Setembro” (antiga messe de oficiais do Quartel General do tempo colonial). Muitos cooperantes, mesmo os que não ficavam nem  jantavam no Hotel, concentravam-se na magnífica esplanada a fim de tomarem café ao ar livre e, sobretudo para a conversa. Discutiam-se temas sobre o desenvolvimento, sobre política Africana e, naturalmente, sobre Portugal da AD de Sá Carneiro.

Ora, pelas nove da noite, repentinamente, ouvem-se uns ruídos, percebem-se correrias, pessoas espantadas, muito assustadas e, de forma inesperada, surgem grupos de militares rebeldes que montam uma metralhadora pesada no centro da esplanada. Logo de seguida, o Comandante dá ordem para todos levantarem as mãos. Momentos depois estavam todos os guineenses e cooperantes, incluindo eu, com mãos ao alto, surpreendidos, sem sabermos o que se seguia. Todos nós compreendemos, rapidamente, que eram manobras integradas num golpe para derrubar o Presidente Luís Cabral. No meio deste cenário, surge o gerente do hotel a pedir ao chefe dos revoltosos para os clientes pagarem as respectivas contas. É então que é dada nova ordem: “Todos pagam primeiro as dívidas do café e logo depois voltam a levantar as mãos”…

A situação, apesar de caricata, foi apagada pelo medo generalizado. Medo misturado com a esperança de um futuro melhor.

Era o Movimento de Nino Vieira. Afinal, o grande herói da Luta que todos admiravam e respeitavam. A confiança era imensa. Julgavam que a pobreza podia ser combatida como Nino fizera contra o exército de Spínola. Era agora que o País iria para a frente, pensaram muitos.

Voltando à esplanada. Depois das contas pagas, todos ergueram de novo os braços. Cerca de meia hora depois, os soldados rebeldes às ordens de Nino Vieira mandam todos para os quartos. Acontece que muitos dos que ali estavam não tinham alojamento no hotel. Era essa, aliás, a minha situação. Olhei em redor para ver se conhecia alguém. Resolvi, então, pedir a um cooperante português que me deixasse ficar no quarto dele. Nada levava comigo. Já no quarto do António Manuel Reis que eu acabara de conhecer, resolvemos proteger as janelas com almofadas. Durante a noite os sons de tiros de canhão que tudo faziam estremecer, aumentavam a nossa ansiedade.
A manhã seguinte foi, pelo contrário, de alegria generalizada perante a confirmação do sucesso da operação rebelde. Luís Cabral, deposto e expulso, deu lugar a um Conselho da Revolução. O próprio Nino Vieira apresentou os membros do Conselho num grande comício que promoveu na Praça do Império cinco dias depois. Assisti a esta manifestação, genuinamente popular, a lembrar-me do nosso Primeiro de Maio em 1974.

Hoje, trinta anos passados, temos que reconhecer, a construção de um Estado de Direito, regido por princípios democráticos, é um processo ainda inacabado. "

és.

 
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