a mesa de luz

Tuesday, September 16, 2014

e boa companhia, que é o principal


um mix do mercado da ribeira, para recuperar o ritmo. desta vez escolhi o caril tailandês do Asian Lab, do qual não tenho foto, mas que deixa muito a desejar. é mais assim que eu vejo um caril verde, mas enfim, cada um lê à sua maneira. o pad thai, em cima, tem óptimo aspecto, podia ser melhor, - vá, é uma boa escolha com "frutos do mar" (que nome, e que tal comida do mar, dentro da mesma lógica?).

uma fatia do "melhor bolo de chocolate do mundo" que do mundo não sei mas que não é bolo mas uma deliciosa tarde de chocolate com camadas de merengue de chocolate. crocante, cremoso, uma delícia total.


cartographie des nuages


o filme não deve valer o tempo de escrever estas letras, mas a tradução francesa do título vale tudo. provavelmente já existia antes mas - who cares, really?


uma série de dinossauros inúteis

a discutir assuntos "tecnológicos", alegria, alegria. (Vitorino: amor profundo)

outras cenas:

"England is in the hands of the jews. In all the highest places: her finance, her press. And they are the signs of a nation's decay. Wherever they gather they eat up the nation's vital strength." tantos anos passaram, quase tantos inícios a ler este livro e outras tantas desistências, dois casamentos atrás, quantas mais profissões declaradas e não declaradas. agora vejo-o claramente, nem sei se seria sério ou possível a leitura aqui há quase trinta anos. tudo se torna mais fácil, tantas ajudas, mas a liberdade de ler palavra a palavra. quase apenas Shakespeare é tão pronto a ser memorizado como este Joyce, não me admira ser tratado como bíblia. depois deste livro ou, lendo este livro, como olhar para a maior parte do que se publica hoje? este exercício de liberdade vasta, assim o vejo. (e o lobo antunes que tem de publicar primeiro na hungria, seja onde for, e depois no seu país por causa do marketing da editora). liberdade total.

. .
— Just one moment.

— Yes, sir, Stephen said, turning back at the gate.

Mr Deasy halted, breathing hard and swallowing his breath.

— I just wanted to say, he said. Ireland, they say, has the honour of being the only country which never persecuted the jews. Do you know that? No. And do you know why?

He frowned sternly on the bright air.

— Why, sir? Stephen asked, beginning to smile.

— Because she never let them in, Mr Deasy said solemnly.

A coughball of laughter leaped from his throat dragging after it a rattling chain of phlegm. He turned back quickly, coughing, laughing, his lifted arms waving to the air.

— She never let them in, he cried again through his laughter as he stamped on gaitered feet over the gravel of the path. That's why.

On his wise shoulders through the checkerwork of leaves the sun flung spangles, dancing coins.

- -

sentimentos contraditórios: não fosse este livro e eu não seria quem sou, ou o mundo não seria como é. os sonhos diurnos do autor, crípticos e obscuros, citações mil em línguas vivas e mortas, alusões, evocações, excertos e citações, a memória do artista, várias demãos. entre este livro e o contador, a distância entre uma história e um retrato. eu não faço mais do que retratos ténues não conto nada, vejo e mostro.


na situação vaga de mulher duplicada, reparei que um nome e o outro são afinal o mesmo: ana vê; a mesa de luz. tenta-se.

Monday, September 15, 2014

silêncio e calma



nunca se sabe

excited about yet another project coming up.



Sunday, September 14, 2014

Saturday, September 13, 2014

ir à Galileu

depois de comer o gelado (ananás dos Açores e maçã de outro sítio), um clássico.







us, illuminated











fishies

(or loving my own lunch)



Lumina awesomeness with cinamatic, Cascais







loving my own breakfast


e o almoço também. dois linguados na praça, 13 euros. batatinhas em alho, coentros e azeite, ohmy. a receita do linguado esta, filetado mas com pele. (ah sim, é isto)

Friday, September 12, 2014

food at landscape stories

uma excelente notícia depois de 'Iran', a notícia do dia, para ler até à última linha.

Food is the mirror of society.


Food

What we need to question is bricks, concrete, glass, our table manners, our utensils, our tools, the way we spend our time, our rhythms. To question that which seems to have ceased forever to astonish us. We live, true, we breathe, true; we walk, we open doors, we go down staircases, we sit at a table in order to eat, we lie down on a bed in order to sleep. How? Why? Where? When? Why?
Georges Perec

The Infra-Ordinary
Extract first published 1973

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Food

We dug in. We ate everything there was to eat on the table. We ate like there was no tomorrow. We didn’t talk. We ate. We scarfed. We grazed that table. We were into serious eating. The blind man had right away located his foods, he knew just where everything was on his plate. I watched with admiration as he used his knife and fork on the meat. He’d cut two pieces of meat, fork the meat into his mouth, and then go all out for the scalloped potatoes, the beans next, and then he’d tear off a hunk of buttered bread and eat that. He’d follow this up with a big drink of milk. It didn’t seem to bother him to use his fingers once in a while, either. We finished everything, including half a strawberry pie. For a few moments, we sat as if stunned. Sweat beaded on our faces. Finally, we got up from the table and left the dirty places.
Raymond Carver

Cathedral, 1983
Knopf, 1983



Thursday, September 11, 2014

'turizme evet', in İkizdere Valley: A Few Brave People by Rüya Arzu Köksal

admirable film, a few brave people. this is the fight for our lives and we're not winning. 'you're not welcome here', say the people to the forest administrator, fighting for their rivers, their valleys. admirable.











andar por aí

andar por aí e passar por sítios novos, uma novidade, ou seguir sempre pela mesma rua, as mesmas casas, lojas, etc., no verão como no inverno, durante anos até não se ver o sítio onde se passa, mas olhar para detalhes insignificantes como a cor de determinado espaço entre duas pedras de calçada ou reparar que um vulto a passar era verde, do mesmo verde da planta no parapeito.

o sítio onde cresci e a que me acostumei a chamar meu, como se alguma coisa pudesse ser minha, não existe há muito tempo. durante anos parecia existir, parecia coincidir a vista com a memória, mas não passava de fantasia provocada pela saudade.

o homem de Odessa recebeu ordens para mobilização geral. Odessa não fica perto da fronteira. foi celebrado um cessar-fogo há pouco tempo. a NATO manifestou o seu enorme apoio à Ucrânia com uma dita força spearhead dentro da força quick response. inventa-se vocabulário ao estilo publicitário propagandístico e deita-se o dinheiro dos europeus dentro. Kissinger, que tanto adoro, diz para se deixar a Ucrânia e para se ter cuidado, ao invés, com os loucos do isis-isil. também diz que gosta de Hillary. creio que, apesar de estar velho, está menos louco agora do que estava antes, mas tudo faz parte da mesma história. esta é a quarta mobilização e não estão a brincar na terra natal do homem. como ele, muitos terão de decidir agora se voltam ou se escolhem esta nacionalidade ibérica, resguardada de decisões semelhantes desde a revolução das flores vermelhas.

temos o turismo que ajudou a tapar com a peneira as crateras financeiras da nata dirigente da nação. quando nos prestamos a ver os debates para o próximo primeiro em que se diz que ganhou aquele que mais insultou o seu camarada, aí merecemos tudo o que nos aconteceu, acontece e acontecerá.

trinta mil professores não foram ainda colocados. uma parte substancial de professores deu erros ortográficos (ah mas era o acordo, ah mas afinal não era). as aulas públicas começam na semana que vem.

há poucas pessoas a viver no que chama centros históricos, é a gentrificação, palavra que não pensei que nos viesse a afligir mas que acabou por chegar. é tão imparável com a degradação do comércio livreiro, mais comércio, menos livreiro. por falar em gentrificação: o Pando que também eu fui "salvar", não se salvou, claro e a sua loja em Beşiktaş que servia pequenos-almoços há tantos anos - Pando's kaymak- , foi mais uma a ceder. como será a loja de soutiens e espartilhos na Istiklal, avenida da independência. em Lisboa o mesmo sucede com Alfama e Mouraria, conforme vai alertando o Corvo. na vila velha, em Sintra, restam meia dúzia de casas habitadas num casario que se tornou, como S. Michel, um pseudo-museu ao ar livre. aliás: entre aqui e ali, o que se vende nas respectivas lojas é quase quase igual. antes esta festa plástica do que a mobilização geral, between a rock and a hard place.






Wednesday, September 10, 2014

interlúdio

culinário: estas pancakes são de morrer e vão ser as que faço - com isto isto; estes lollies estão na lista; estas madalenas vêm a seguir; para molho de chocolate derreter uma tablete de chocolate numa lata de leite condensado (omg); truque para o bolo seco é borrifá-lo com calda de açúcar. como se vê a alimentação saudável vai de vento em popa. mas não está tudo perdido e ficar até tarde em casa rendeu na cozinha de modo inesperado: love total por este blogue vegan: a mousse de chia e chocolate yum e o pesto de bróculos e nozes, duper-yum. we love Márcia.






stairhead

or Joyce's tower agora parte do complexo de museus Joyce e das comemorações do bloomsday e da oferta turística da cidade. na altura alugada por Joyce e colegas de universidade para 'helenizar' a Irlanda.


a história das torres de Martello também é interessante mas não sei qual a sua eficácia, para além de terem ajudado a gerar um primeiro capítulo tão estrondoso para a literatura universal. a arquitectura da construção original é genovesa, senhores temporários dos mares. uma certa torre na Córsega resistiu aos ingleses durante dois dias, o que os inspirou a construir um grande número de torres deste tipo no seu país e pelo império fora, sobretudo durante o terror napoleónico (um pouco como são francisco a construir estranhas formas defensivas à espera dos japoneses, assim o reino unido a guardar-se de napoleão). a cópia da cópia chegou aos estados unidos com desenho alterado e utilidade muito limitada.

as torres foram derrotadas não pelos inimigos imaginados mas pela tecnologia e ciência próprias (Sebald). no entanto, a simbologia da torre já me fascina desde que aprendi a ler o tarot e fazia sessões de leitura vagamente literárias no chão da sala para um grupo de amigos em maior ou menor estado de estupor (poético, digamos).



culpa de la tour abolie  no El Desdichado de Nerval.

Je suis le Ténébreux, – le Veuf, – l’Inconsolé,
Le Prince d’Aquitaine à la Tour abolie :
Ma seule Etoile est morte, – et mon luth constellé
Porte le Soleil noir de la Mélancolie.

Dans la nuit du Tombeau, Toi qui m’as consolé,
Rends-moi le Pausilippe et la mer d’Italie,
La fleur qui plaisait tant à mon coeur désolé,
Et la treille où le Pampre à la Rose s’allie.

Suis-je Amour ou Phébus ?… Lusignan ou Biron ?
Mon front est rouge encor du baiser de la Reine ;
J’ai rêvé dans la Grotte où nage la sirène…

Et j’ai deux fois vainqueur traversé l’Achéron :
Modulant tour à tour sur la lyre d’Orphée
Les soupirs de la Sainte et les cris de la Fée.


- -
com tradução e notas.

- -
[coisas tão divertidas que até doem: o jogo a que o dito-jornal Público chama um 'produto cultural' é o mais caro de sempre, 500 milhões de dólares. blablabla aliens, 'luta para manter a paz', blablabla, terra em perigo, blabla. o dinheirinho não servia para coisas melhores, pois não.]


Tuesday, September 9, 2014

woodshadows

"Woodshadows floated silently by through the morning peace from the stairhead seaward where he gazed. Inshore and farther out the mirror of water whitened, spurned by lightshod hurrying feet. White breast of the dim sea. The twining stresses, two by two. A hand plucking the harpstrings, merging their twining chords. Wavewhite wedded words shimmering on the dim tide."

um poema no pensamento de Stephen Dedalus, dizem-me.

Buck Mulligan

Stephen Dedalus

(from Ulysses seen)





Who goes with Fergus?
W. B. Yeats, 1865 - 1939

 Who will go drive with Fergus now,
And pierce the deep wood’s woven shade,
And dance upon the level shore?
Young man, lift up your russet brow,
And lift your tender eyelids, maid,
And brood on hopes and fear no more.

And no more turn aside and brood
Upon love’s bitter mystery;
For Fergus rules the brazen cars,
And rules the shadows of the wood,
And the white breast of the dim sea
And all dishevelled wandering stars.

- -

"Yeats turns an old Irish prose story about the king, who gives up his throne to search for beauty, into an haunting lovely poem with personal significance."

do que estou a falar: de começar a ler o Ulysses. ler o Ulysses não é ler só o Ulysses.


Monday, September 8, 2014

dos livros

"Désolé, nous n’avons plus le livre de Valére Trierweiler, mais il nous reste des ouvrages de Balzac, Dumas, Maupassant", a ironisé l'un des commerçants.", um título no le monde. também há contemporâneos, mas o que está a dar são estas livralhadas escritas por mulheres. quando pensava na independência feminina, não era isto que eu tinha em mente, mas assim é a vida. aliás, toda a 'literatura feminina': não era mesmo nada disto que eu tinha em mente. e não estou só neste pensamento.

« NOUS N’AVONS PAS VOCATION À ÊTRE LA POUBELLE DE TRIERWEILER ET DE HOLLANDE »

pena isto não acontecer com outros lixos. a revolta das livrarias: seria um bom título.


from the 'Safahat', de Mehmet Âkif Ersoy


A Lesson from Experience

That men would draw lessons from the past... what a fairy tale!
Did the tale of five thousand years give half a lesson?
History is defined as recurrence;
If it recurs, what lesson has been drawn from it?



- -
da versão mini do Safahat, uma tradução tão má que a compreensão é quase impossível, um projecto de divulgação da literatura e cultura turcas pelo ministério correspondente. o original.

Ersoy, o autor da letra do hino turco, um acérrimo defensor da república e do islamismo - hoje, contraditoriamente.  dos cinquenta versos, apenas os primeiros dez servem de hino actualmente, a marcha da independência.

Fear not, the crimson banner that proudly ripples in this glorious dawn, shall not fade,
Before the last fiery hearth that is ablaze within my homeland is extinguished.
For that is the star of my people, and it will forever shine;
It is mine; and solely belongs to my valiant nation.
Frown not, I beseech you, oh thou coy crescent,
Smile upon my heroic nation!1 Why the anger, why the rage?2
Our blood which we shed for you might not be worthy otherwise;
For freedom is the absolute right of my God-worshipping nation.3
I have been free since the beginning and forever shall be so.
What madman shall put me in chains! I defy the very idea!
I'm like the roaring flood; trampling and overflowing my stream bed,
I'll tear apart the mountains, fill up the expanses4 and still gush out!
The horizons of the West may be surrounded with walls of steel,
But my borders are guarded by the mighty bosom of a believer.
Let it howl5 , do not be afraid! And think: how can this fiery faith ever be killed,
By that battered, single-fanged monster you call "civilization"?6
My friend! Leave not my homeland to the hands of villainous men!
Render your chest as armour and your body a bulwark! Halt this disgraceful assault!
For soon shall come the joyous days of divine promise...
Who knows? Perhaps tomorrow? Perhaps even sooner!
View not the soil you tread on as mere earth - recognize it!
And think about the shroudless7 thousands who lie so nobly beneath you.
You're the noble son of a martyr, take shame, grieve not your ancestors!
Unhand not, even when you're promised all the worlds, this paradise of a homeland.
Who would not die for this heavenly piece of land?
Martyrs would gush out should one simply squeeze the soil! Martyrs!
May God take my life, all my loved ones and possessions from me if He will,
But let Him not deprive me of my one true homeland in the world.
Oh glorious God, the sole wish of my pain-stricken heart is that,
No heathen's hand should ever touch the bosom of my sacred Temples.
These adhans, whose shahadahs are the foundations of my religion
May their noble sound last loud and wide over my eternal homeland.
For only then, shall my fatigued tombstone, if there is one, prostrate8 a thousand times in ecstasy,
And tears of fiery blood shall flow out of my every wound,
And my lifeless body shall gush out from the earth like an eternal spirit,
Perhaps only then, shall I peacefully ascend and at long last reach the heavens.
So ripple and wave like the bright dawning sky, oh thou glorious crescent,
So that our every last drop of blood may finally be blessed and worthy!
Neither you nor my kin1 shall ever be extinguished!
For freedom is the absolute right of my ever-free flag;
For independence is the absolute right of my God-worshipping nation!

 
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