a mesa de luz

Sunday, April 20, 2014

que bonito

texto da helena, que terríveis realidades.






happy easter





[vermeer]

s/n



s/n ou páscoa






o que é o povo (um presidente do povo)

os direitistas têm-se atirado ao 'povo' a tentar provar a sua inexistência ou a sua irrelevância ou seja o que for para o desmitificar ou desclassificar. povo é o que é, queira-se ou não: já não a plebe da idade média mas sim o conjunto dos indivíduos que constituem um nação, sejam eles quem forem. em política o 'povo' é usado para excluir esses mesmos direitistas que querem desclassificá-lo. para a esquerda, os ricos não são povo, os dirigentes não são povo, a não ser que sejam de esquerda. para a direita, o povo não existe e se existe não interessa. o que não me interessa a mim são tanto a esquerda como a direita. e se no domingo de páscoa de manhã vou à pastelaria do Rosário comprar uns folares para levar à família e, ao sair, me cruzo com o presidente da câmara que sozinho vai a entrar, não é ele um presidente do povo? acho que sim e gostaria de contar pelos dedos os presidentes que podem ir assim, de mãos a abanar e sozinhos, na manhã de domingo de páscoa à pastelaria mais tradicional da sua 'terra'.

outro povo: por alguma razão que nunca antecipámos parece que todos os impérios comunistas de outros dias acabam por nos trazer alguns dos seus antigos moradores. a caminho dos folares: uma família de chineses passeiam por Birre a olhar para as casas e para os lotes vazios. uma família como cada vez as vejo mais por estas bandas.

[que não tem nada a ver mas que para mim é sinal de prosperidade - e disso gosto - a Sacolinha vai abrir uma nova loja no chiado, onde antes era a haagen-dazs. yay! e sorte a dos chiadenses]

ohmy: darn rain.

Portugal, agora sim

"Desculpa, mas dá inveja sim. Vocês reclamam demais de Portugal. Parece que reclamam antes que alguém reclame. Encontrei aí gente maravilhosa. Saia de noite sem me preocupar com nada. Estou há 4 dias sem poder ir na farmácia porque aqui toda hora começa e acaba a greve da polícia. Saques e gente morrendo a toda hora. Vejo pessoas próximas sendo assassinadas a toda hora apenas para levarem um carro. O país da copa. Milhões gastos em estadios de futebol enquanto as pessoas morrem de fome. A corrupção dragando todos os impostos que a gente paga. Isso porque a nossa carga tributária é igual a da Suíça. O partido que eu ajudei a colocar no poder provou que não presta. A maioria da população é alienada e não tem capacidade para discutir os problemas do país. Acho que Portugal não é perfeita. Mas tá no caminho. Um país incrível. Não tem as riquezas naturais do Brasil mas tem um povo em geral consciente capaz de fazer uma auto análise. Vocês têm auto crítica. Tem educação. Sabem se comunicar com o resto do mundo. Vocês podem muito mais do que imaginam."
no fb, um comentário à cidade na ponta dos dedos de Sancha Trindade, de quem gosto ver quase tudo, até porque há sempre livros em qualquer lado e dos encadernados, o que ainda é melhor. foi neles que comecei (quase) a ler. neles e nas edições de bolso da europa-américa.

e boa páscoa.

Saturday, April 19, 2014

portugal/mude


MUDE - Exposição Permanente: ÚNICO E MÚLTIPLO from Câmara Municipal de Lisboa on Vimeo.

não tenho qualquer dúvida de que o mude é um dos museus mais cool do mundo. e fica na baixa e a entrada é livre. se isto não é sorte não sei. o único senão da colecção de francisco capelo é não podermos fotografar. mas a rapariga cujo trabalho era assegurar que ver não é mexer disse-me que em dia de inauguração se pode. resta-me esperar a oportunidade de infiltração.

para além do antigo BNU desventrado, onde me lembro de entrar - no banco - com os seus longos e largos balcões de pedra, dos que impõem a distância entre quem entra e quem lá está, o poder do banco desmentido por isto: ele não está e eu estou. o ultramarino também se foi entretanto, mas um lindíssimo mural de mosaico com dourados e caravelas. todo o edifício me fascina com as suas meia-luz, a escadaria e a força dos trabalho em ferro. corrimãos, gradeamentos e mármore. outro espaço inesquecível (até porque se mistura com a minha memória de ter acompanhado a minha avó ao seu cofre, não no BNU, mas noutro banco da baixa. passar várias portas de ferro, passar as portas do segredo, enormíssimas, tão espessas como três paredes e a sala dos cofres. ali éramos encaminhados para uma pequena secretária ou mesa, num sítio longe dos olhos do funcionário, para abrir o cofre com alianças e fios de ouro de mães e avós, ouro minhoto, pregadeiras francesas com pedras que me pareciam mais valiosas do que coroas). se passo na rua augusta e a porta está aberta tenho de entrar. há portas que abrem para outro tempo e não são necessariamente as portas dos museus.

na escadaria de entrada de outro museu disse-lhe: aqui, há mais de quarenta anos, dei-lhe a mão e olhámos para a máquina fotográfica, uma máquina que abria como uma caixa e que ele transportava com uma certa veneração. tinha-a trazido do estrangeiro no regresso a portugal. provavelmente uma rolleicord. nessa altura não se dizia cheese nem nada parecido e não nos podíamos mexer. e ela respondeu-me então tiramos agora uma para sobrepor a memória. uma boa ideia.


s/n


Friday, April 18, 2014

b/w



coisas que me enternecem ('a luz é como a água')

ouvir a palavra 'literatura' nas notícias. que gostei: ouvir a mulher de Cardoso Pires. que achei tocante: a universalidade de Garcia Márquez. que me dá desgosto: a discussão dos intelectuais a desancar no público porque pôs na primeira página que Márquez inventou o realismo mágico. nada do que dizem tem qualquer interesse.
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La luz es como el agua
Gabriel García Márquez

En Navidad los niños volvieron a pedir un bote de remos.
-De acuerdo -dijo el papá, lo compraremos cuando volvamos a Cartagena.

Totó, de nueve años, y Joel, de siete, estaban más decididos de lo que sus padres creían.

-No -dijeron a coro-. Nos hace falta ahora y aquí.

-Para empezar -dijo la madre-, aquí no hay más aguas navegables que la que sale de la ducha.

Tanto ella como el esposo tenían razón. En la casa de Cartagena de Indias había un patio con un muelle sobre la bahía, y un refugio para dos yates grandes. En cambio aquí en Madrid vivían apretados en el piso quinto del número 47 del Paseo de la Castellana. Pero al final ni él ni ella pudieron negarse, porque les habían prometido un bote de remos con su sextante y su brújula si se ganaban el laurel del tercer año de primaria, y se lo habían ganado. Así que el papá compró todo sin decirle nada a su esposa, que era la más reacia a pagar deudas de juego. Era un precioso bote de aluminio con un hilo dorado en la línea de flotación.

-El bote está en el garaje -reveló el papá en el almuerzo-. El problema es que no hay cómo subirlo ni por el ascensor ni por la escalera, y en el garaje no hay más espacio disponible.

Sin embargo, la tarde del sábado siguiente los niños invitaron a sus condiscípulos para subir el bote por las escaleras, y lograron llevarlo hasta el cuarto de servicio.

-Felicitaciones -les dijo el papá ¿ahora qué?

-Ahora nada -dijeron los niños-. Lo único que queríamos era tener el bote en el cuarto, y ya está.

La noche del miércoles, como todos los miércoles, los padres se fueron al cine. Los niños, dueños y señores de la casa, cerraron puertas y ventanas, y rompieron la bombilla encendida de una lámpara de la sala. Un chorro de luz dorada y fresca como el agua empezó a salir de la bombilla rota, y lo dejaron correr hasta que el nivel llego a cuatro palmos. Entonces cortaron la corriente, sacaron el bote, y navegaron a placer por entre las islas de la casa.

Esta aventura fabulosa fue el resultado de una ligereza mía cuando participaba en un seminario sobre la poesía de los utensilios domésticos. Totó me preguntó cómo era que la luz se encendía con sólo apretar un botón, y yo no tuve el valor de pensarlo dos veces.

-La luz es como el agua -le contesté: uno abre el grifo, y sale.

De modo que siguieron navegando los miércoles en la noche, aprendiendo el manejo del sextante y la brújula, hasta que los padres regresaban del cine y los encontraban dormidos como ángeles de tierra firme. Meses después, ansiosos de ir más lejos, pidieron un equipo de pesca submarina. Con todo: máscaras, aletas, tanques y escopetas de aire comprimido.

-Está mal que tengan en el cuarto de servicio un bote de remos que no les sirve para nada -dijo el padre-. Pero está peor que quieran tener además equipos de buceo.

-¿Y si nos ganamos la gardenia de oro del primer semestre? -dijo Joel.

-No -dijo la madre, asustada-. Ya no más.

El padre le reprochó su intransigencia.

-Es que estos niños no se ganan ni un clavo por cumplir con su deber -dijo ella-, pero por un capricho son capaces de ganarse hasta la silla del maestro.

Los padres no dijeron al fin ni que sí ni que no. Pero Totó y Joel, que habían sido los últimos en los dos años anteriores, se ganaron en julio las dos gardenias de oro y el reconocimiento público del rector. Esa misma tarde, sin que hubieran vuelto a pedirlos, encontraron en el dormitorio los equipos de buzos en su empaque original. De modo que el miércoles siguiente, mientras los padres veían El último tango en París, llenaron el apartamento hasta la altura de dos brazas, bucearon como tiburones mansos por debajo de los muebles y las camas, y rescataron del fondo de la luz las cosas que durante años se habían perdido en la oscuridad.

En la premiación final los hermanos fueron aclamados como ejemplo para la escuela, y les dieron diplomas de excelencia. Esta vez no tuvieron que pedir nada, porque los padres les preguntaron qué querían. Ellos fueron tan razonables, que sólo quisieron una fiesta en casa para agasajar a los compañeros de curso.

El papá, a solas con su mujer, estaba radiante.

-Es una prueba de madurez -dijo.

-Dios te oiga -dijo la madre.

El miércoles siguiente, mientras los padres veían La Batalla de Argel , la gente que pasó por la Castellana vio una cascada de luz que caía de un viejo edificio escondido entre los árboles. Salía por los balcones, se derramaba a raudales por la fachada, y se encauzó por la gran avenida en un torrente dorado que iluminó la ciudad hasta el Guadarrama.

Llamados de urgencia, los bomberos forzaron la puerta del quinto piso, y encontraron la casa rebosada de luz hasta el techo. El sofá y los sillones forrados en piel de leopardo flotaban en la sala a distintos niveles, entre las botellas del bar y el piano de cola y su mantón de Manila que aleteaba a media agua como una mantarraya de oro. Los utensilios domésticos, en la plenitud de su poesía, volaban con sus propias alas por el cielo de la cocina. Los instrumentos de la banda de guerra, que los niños usaban para bailar, flotaban al garete entre los peces de colores liberados de la pecera de mamá, que eran los únicos que flotaban vivos y felices en la vasta ciénaga iluminada. En el cuarto de baño flotaban los cepillos de dientes de todos, los preservativos de papá, los pomos de cremas y la dentadura de repuesto de mamá, y el televisor de la alcoba principal flotaba de costado, todavía encendido en el último episodio de la película de media noche prohibida para niños.

Al final del corredor, flotando entre dos aguas, Totó estaba sentado en la popa del bote, aferrado a los remos y con la máscara puesta, buscando el faro del puerto hasta donde le alcanzó el aire de los tanques, y Joel flotaba en la proa buscando todavía la altura de la estrella polar con el sextante, y flotaban por toda la casa sus treinta y siete compañeros de clase, eternizados en el instante de hacer pipí en la maceta de geranios, de cantar el himno de la escuela con la letra cambiada por versos de burla contra el rector, de beberse a escondidas un vaso de brandy de la botella de papá. Pues habían abierto tantas luces al mismo tiempo que la casa se había rebosado, y todo el cuarto año elemental de la escuela de San Julián el Hospitalario se había ahogado en el piso quinto del número 47 del Paseo de la Castellana. En Madrid de España, una ciudad remota de veranos ardientes y vientos helados, sin mar ni río, y cuyos aborígenes de tierra firme nunca fueron maestros en la ciencia de navegar en la luz.

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este e outros contos aqui.

"Gabriel García Márquez recibido personalmente por Miguel de Cervantes"


na taberna da rua das flores







(meia desfeita)
here.


s/n


Thursday, April 17, 2014

the world needs more pragmatic curators

como eu.


e quem és tu? um teste moleskine (que não está bem desde que entrou na bolsa e agora quer vender malas e tal). para já: acertaram. mas tem dias.


detalhe importante

o meu carro está limpo.

outro detalhe importante: quo vadis, Ana?

Manual de Sanidade Marítima

sweateroo

quasequasequasequase

 
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