Sunday, January 31, 2010

às vezes, era isto


imagem de Caitlin Duennebier. o site este, o blogue aqui.

quarto

(coisas que nunca vi antes). um dos quartos do Hotel Palace da Curia depois da longa renovação e restauro de quatro anos, aberto desde 2008. as cores dos têxteis mudam de quarto para quarto, assim como as peças de mobiliário, todas a invocar os anos altos do hotel a que chamam belle époque. tive pena de não ver imagens do antes e do depois que dariam melhor a ideia do trabalho que foi feito. as coisas que me faltaram: um livro-história sobre o fantástico edifício e todos os que por lá passaram. a recuperação de todos os exteriores. detalhes para além do que é necessário para estar muito bem. ainda me pareceu que a princesa vive na casa das ferramentas e merecia melhor, falando assim. a piscina Titanic é inacreditável.


e falando de mim, agora. ficam as tais coisas que nunca vi antes mas que sou capaz de começar a ver agora.
















cada pessoa

são várias

sal

há sempre

Saturday, January 30, 2010

Hotel Palace



"O Palace Hotel da Curia é uma obra maior da arquitectura portuguesa dos anos 20 do Século passado - trata-se de uma quinta original e transformada na altura em resort de luxo, ponto de referência obrigatória quando se fala da história do turismo português. Nesta obra ímpar conjugam-se o génio hoteleiro de Alexandre de Almeida - o pioneiro da moderna indústria hoteleira no nosso país e o génio arquitectónico de Manuel Joaquim Norte júnior, figura incontornável da arquitectura portuguesa do início do séc. XX e o único aclamado vencedor de 5 prémios Valmor.


A ligação entre ambos surge num momento em que, após ter aberto o seu primeiro hotel em Lisboa - o Hotel Metrópole -, Alexandre de almeida abraça o projecto do palácio do Bussaco, uma obra inacabada, sem peças de relevo, electricidade, água corrente ou aquecimento, para o transformar no que é o Palace Hotel do Buçaco.

Norte júnior, antigo arquitecto da casa real, colabora então com Alexandre de Almeida, desde sempre monarquista convicto, e ambos promovem a grande remodelação e requalificação do Buçaco, lançando-o definitivamente como destino turístico de Portugal além fronteiras. Após a abertura, em 1922, de mais dois hotéis em Lisboa - o Europa e o Francfort - Alexandre de almeida sonha em expandir a sua rede hoteleira na sua região de origem: um hotel em Coimbra e um hotel no luso, sua terra natal, e onde começou a sua actividade comercial e industrial. Se o projecto de Coimbra foi avante com o futuro hotel Astória, já as suas ideias não surtiram efeito por dificuldades criadas por seus conterrâneos - santos da casa não fazem milagres - obrigando-o a encontrar alternativas à altura da sua visão e da sua ambição.

Por indicação de amigos, acaba por aterrar na vizinha estância termal da Curia - então grande concorrente do luso - e nela descobre matéria-prima capaz e suficiente para lhe permitir dar largas à sua visão e criatividade. Assim, na antiga quinta do Chalet navega, lança-se na criação no que na altura seria o maior e mais bem equipado hotel de Portugal - o edifício em si, sobre traço de norte júnior, é uma confluência de todos os principais estilos arquitectónicos do começo do séc. XX - existem amplos salões, uma ampla estrutura de serviços de apoio aos clientes: o primeiro posto de telégrafo da Curia, barbearia, cabeleireiro, bazar, restaurante, bar, dancing, garagem, e centenas de quartos de 3 categorias diferentes muito ao sabor da realidade dos transatlânticos - os clientes ficavam nos quartos de primeira e seus funcionários, Chauffeur, governanta, etc, nos demais -.

E depois, tudo isto, o imponente edifício e seus anexos, no centro do imenso parque. O Palace da Curia foi inaugurado em 1926 por sua excelência o presidente da república de então, Marechal Carmona, e nele a par de jantares à americana e chás dançantes, se desenvolveu uma enorme actividade social e desportiva. Em 1931 é construída e inaugurada a capela de Nossa Senhora do Livramento, para culto religioso e celebração de casamentos, ainda hoje em estado original, tal como inúmeras actividades desportivas: campeonatos oficiais de ténis nos seus 2 courts, esgrima, basquetebol, críquete, ginástica, rallies de automóveis e inúmeras actividades lúdicas: peças de teatro, jogos florais, concursos de vestidos de chita, concursos de elegância automóvel, festa das rosas, festas das vindimas, arraiais bairradinos - isto é, um animação dinâmica e contínua para todas as idades - tratou-se de um marco fundamental na história do turismo do nosso país, pois que foi a génese e criação do agora denominado resort turístico.

E não parou. Em 1934 foi inaugurada a piscina paraíso, imponente piscina exterior de dimensões olímpicas e em forma modernista de transatlântico - a 2ª piscina olímpica mais antiga do país, logo a seguir à do sport Lisboa, Algés e Dafundo. Tal piscina surge por visão de Alexandre de Almeida e pelo seu Curia Palace Sports Club, clube fundado em 1929 e que dinamizou e foi pioneiro na criação do forte vínculo entre turismo e lazer desportivo e competição desportiva. Tiveram lugar campeonatos nacionais de natação, provas de saltos e grande parte do Portugal da altura começou a aprender a nadar justamente na piscina do Palace.

Depois vieram os anos negros - da republica espanhola que fez com que o colégio dos apóstolos de s. João e s. Paulo de Valladollid se estabelecesse durante anos na Curia que com seu corpo docente e seus alunos, e tal até à eclosão da guerra civil de Espanha - ainda hoje a anualmente os antigos alunos e suas famílias regressam anualmente à curia para o seu convívio e assembleia-geral, depois da 2ª grande guerra, durante a qual o Palace albergou refugiados, foragidos, expatriados, exército em trânsito e espiões...

Posteriormente, deu-se, de certa forma, o declínio do termalismo e o advento do Algarve, enfim, alterações sociais que fizeram com que a Curia, tal como o luso e a figueira da foz, se assumisse como oferta de alojamento de apoio à cidade de Coimbra, quando esta ainda enfermava da falta de oferta capaz e em número. Passaram muitos anos e muitas remodelações de alojamentos tiveram lugar, mas todas elas com a preocupação de salvaguardar o espírito único dos anos 20 que se respira por todo o edifício.

E entretanto, pois que é um cenário único, ao longo da sua vida, o Palace da Curia já foi local de rodagem de inúmeros filmes nacionais, tais como: o trevo de 4 folhas, com a Beatriz Costa, a cena da dança e a cena do elevador da balada da praia dos cães, o barão de altamira, e mesmo internacionais, como: o Buster's Bedroom, com a Geraldine Chaplin, o Donald Sutherland e a Valentina Cortese, uma longa-metragem do Daniel Schmidt, ou o Palace dos el Tricicle..."

texto que tirei à Ana Mota, no Scribd.

se amanhã for como hoje

bygones





linhas

mergulho 2

fineza

mergulho

jogos florais

"I. Jogos Florais. Dois concursos poéticos exaltando -Uva -Curia. Sendo conferidos três valiosos prémios às quadras que melhor enalteçam a uva. e outros três prémios àquelas que sejam a melhor expressão da beleza da Curia. II. Grandioso concurso de vestidos de chita. Serão conferidos, por votação do público, 3 valiosos prémios às senhoras que se apresentarem com os vestidos de chita mais originais. Piscina-Praia feéricamente iluminada."

(é quase entrar em Fellini, no Gatsby e no Shining, tudo ao mesmo tempo).


















(de onde vens, de onde vêm os chapéus elegantes)

e mesmo à terceira

o que eu gostava era que fosse assim para sempre.

à segunda

Friday, January 29, 2010

coisas que se amam à primeira

looping-the-loop

"The huge looping-the-loop machine, empty, but going full blast over his head in this dead section of the fair, suggested some huge evil spirit, screaming in its lonely hell, its limbs writhing, smiting the air like flails of paddlewheels. (...)
'-Mistair. Money money money.' 'Mistair! Where har you go?'

M. Lowry, Under the Volcano

antigamente

era assim. quase a cada dia um equívoco. porque parecia que se urdiam planos imensos nas costas de toda a gente e porque cada sílaba estava em lugar de unhas muito longas, e provavelmente pintadas de uma qualquer cor desde que fosse negra e brilhasse fulminante, afiadas em movimentos descompassados por cima das cabeças como uma sombra zeppelin. cada um sua língua, crescia uma torre sem controlo na carpete da sala de estar. comecei a soletrar len-ta-men-te. e nada. era assim, antigamente.


no outro dia disse que gostava de palitos la reine (lárréne). disse sem querer, porque lhe passou pela ideia, porque talvez até bebesse um chá nesse momento. nada definitivo como aquele discurso governamental. no dia seguinte estavam lá, no prato, gloriosamente lárréne. e no outro dia e no outro. antes de sábado é verdade, mais do que previsível, fatal podia dizer, o mais subtil aroma de baunilha a indispunha, náuseas, mal-estar. é porque pouca coisa fica e mesmo essas se vão floreando.

Thursday, January 28, 2010

quase de partida

hoarding

Janeiro a seguir em frente, quase livre de hibernações. o ruído engraçado mas ainda assim cansativo, x confirmed you as a friend. re:erectile_pills_here. a Trama diz que o João Céu e Silva diz que o Lobo Antunes diz que "os bares estavam cheios de pintores que não pintavam e escritores que não escreviam, que diziam mal dos que pintavam e dos que escreviam". agora já não precisam de sair de casa, nem sequer da cama se houver portátil. saiu o ipad, 500 dólares. está sol e comprei queijadas. authorStream misses me. no ecrã também tenho um sol, chama-se Jing e está à experiência. [there are polls for you to answer] vamos pedalar se estiver bom tempo ainda. na misericórdia (palavra que imediatamente despoleta ganas de bradar aleluia), um homem e uma mulher não relacionados entre si, novos, remexiam as pilhas de roupa e as prateleiras dos chinelos. não sei se levaram alguma coisa, não tinham sacos nem malas. ali não há marketing. a Amazon envia a Spring Reading Preview que inclui, entre outros, "Stuff: Compulsive Hoarding and the Meaning of Things." como cada poema leva uma imagem, fica aqui esta em link (exercício aeróbico do indicador direito ou esquerdo, caso andem por aqui esquerdinos).

back in bizz

Wednesday, January 27, 2010

as voltas

N. Rota, Divertimento concertante from Ercole de Conca on Vimeo.

Ercole de Conca no contrabaixo e Lucjan Luc no foyer do Teatro D. Maria no primeiro andar lá para 94 ou cinco. Um bom Divertimento do compositor de Fellini.

Tuesday, January 26, 2010

à margem

mesmo assim levei um minuto a descobrir que aquele era de Woody Allen. depois disso: um filme português que não verei com toda a certeza. e depois, nunca ter reparado que William Dafoe tem uma bela voz. Lars von Trier: também não vou ver. anda meio mundo in love com a Charlotte.

culpa



por mais que se queira passar a esponja, esse sentimento persiste em reviver. de um modo curioso, e mais violento, sempre que se vê isto: a missa de domingo. mas fosse só aqui.. nos cantos escuros de cada um ela instala-se e engorda durante anos, criaturinha maligna.


aqui, para além de ter gostado infinitamente das cores, de como algumas coisas mudam até de forma na escala do cinzento (e estava ali a comparar sempre com o Stelle Licht), a moralidade é inescapável [“I see my films as a ski jump. It’s up to the spectator to decide whether to take off.”, diz Haneke.] também vi, penso que é claro, o que é suposto ter dado início à segunda guerra ("Critics have interpreted the film as an investigation of the roots of German fascism, but Haneke said that he intended it to have a much wider resonance as a warning about how any absolute value system leads eventually to terrorism.", daqui). penso que preferia uma história sem criminoso, com menos conclusões morais e, de certeza, com menos manipulação para apresentar essas conclusões morais, "é assim que se quer que seja", uma tese, cinema-tese.

o que gostei, para além da cor: ter vivido, dizendo assim, na casa da minha bisavó, com os seus objectos, os medos, as crenças, o campo, o ranger do chão, a comida e a água, os vestidos, o cabelo apanhado, as calças, a hierarquia social, o padre e o médico e o feitor. salvaguardando a distância norte-sul. pensando bem, faltava ali o merceeiro e a taberna. ir ao cinema e viajar no tempo.





a review. and onother. e outra.

quase tentada a pôr 'americanness'

The Things
Donald Hall

When I walk in my house I see pictures,
bought long ago, framed and hanging
—de Kooning, Arp, Laurencin, Henry Moore—
that I’ve cherished and stared at for years,
yet my eyes keep returning to the masters
of the trivial: a white stone perfectly round,
tiny lead models of baseball players, a cowbell,
a broken great-grandmother’s rocker,
a dead dog’s toy—valueless, unforgettable
detritus that my children will throw away
as I did my mother’s souvenirs of trips
with my dead father, Kodaks of kittens,
and bundles of cards from her mother Kate.

- - -
também na New Yorker, aqui.

englishness

'Why, here comes the cartero', Yvonne called out ahead, half turning round and disengaging her arm from M. Laruelle's. She was pointing to the corner on the left at the top of the hill where the Calle Nicaragua met the Calle Tierra del Fuego. 'He's simply amazing,' she was saying volubly. 'The funny thing is that all the postmen in Quauhnahuac look exactly alike. Apparently they're all from the same family and have been postmen for positively generations. I think this one's grandfather was a cartero at the time of Maximilian. Isn't it delightful to think of the post-office collecting all these grotesque little creatures like so many carrier pigeons to dispatch at their will?'


Why are you so voluble? Hugh wondered: 'How delightful, for the post-office,' he said politely. They were all watching the cartero's approach. Hugh happened not to have observed any of these unique postmen before. He could not have been five feet in height, and from a distance appeared like an unclassifiable but somehow pleasing animal advancing on all fours. He was wearing a colourless dungaree suit and a battered official cap and Hugh now saw he had a tiny goatee beard. Upon his small wizened face as he lunged down the street towards them in his inhuman yet endearing fashion there was the friendliest expression imaginable. Seeing them he stopped, unshouldered the bag and began to unbuckle it."
M. Lowry, Under the Volcano



- - -
não tem muita importância mas, chegando ao mesmo local, não li a coisa da mesma maneira ligeira. aliás, penso que a disfunção relativamente ao local/cenário é um elemento estrutura deste Volcano. as leituras da New Yorker:
"Of course it’s not just Yvonne who’s condescending to this man, speaking of him as if he were a trained pet. “Grotesque little creatures” is her phrase, but “an unclassifiable but somehow pleasing animal” and “inhuman yet endearing” are in the third person, attributable only to Lowry. It’s strange, because nowhere else did I detect any kind of race stereotyping. Am I reading too much into this?
MICHAUD: I just assumed that Lowry was describing an actual Mexican postal carrier whom he recalled from his time there. To me, that bit read like a journal entry copied directly into the novel. There are numerous occasions of this throughout the book—clear-eyed descriptions of things that rise out of the book’s sometimes soupy imagery like the volcanoes rising out of the mist.
RAAB: Yvonne’s dismissal of the postman, whom I read as another sort of ancient messenger, seems to me not so much racist as intuitive and symbolic: the postman is, in fact, her enemy, the emblem of miscommunication and of all that is dysfunctional to her in Mexico. Her letters to the Consul have missed their mark and gone astray. Had they been delivered in time, her fate might have been different."

ou antes, o encontro entre o cliché mexicano deles e o meu cliché inglês.

Bill Owens, suburbia again, "the good life"

"In 1968, I got my first job as a news photographer for the Livermore Independent, in Livermore, California. Everyone was moving to the suburbs, you could buy a house for $2,000, with only $99 down. A two car garage, a swimming pool, and a Kenmore washer and dryer….all of the things that come with the good life." (daqui)















o site. e Suburbia.

 
Share