Sunday, January 20, 2013

ler e devagar, devagar mas ler, ler devagando

a Ler devagar é provavelmente a livraria mais genial em que entrei, acima de tudo porque ela própria é um livro, ou ela própria é uma babel de livros ou ainda, um retrato de 'o livro' no tempo presente. os livros que sobem pela parede acima da livraria são tanto objectos decorativos de uma livraria que é um statement visual, como são objectos labirínticos de uma babel de ideias e experiências. quase se ouvem as vozes que neles falam. depois há a arrumação caótica que permite o "descobri na livraria um livro..." e, mais sui generis ainda e até mais pós-moderno, há os livros escondidos e fora do alcance o que torna a Ler devagar numa livraria que esconde livros (ver as prateleiras de cima e o que por detrás da fachada se esconde, como  o escuro inominável -that lurks- por debaixo da primeira prateleira).

em termos babélicos, a Ler devagar lembrou-me a Strand. o que pode ser hoje uma livraria não-comercial? a resposta é um repositório de questões contemporâneas. em termos de encenação, a ler devagar aproxima-se da Shakespeare & co., sem o lugar histórico, mas com o lugar da música e da noite (bar-restaurante-café). aliás, a instalação ao longo da parede da música é engenhosamente apelativa.

se for pela eficiência: um lugar onde vou para comprar uma coisa que desejo, chego facilmente, encontro o objecto em minutos, pago em minutos e saio. esse local é a Kleber de Estrasburgo. a complicação que é falar das fnacs é terrível, um pouco mais complicado do que falar da recente viragem das "grandes superfícies" do comércio para a indústria. não é tanto o meu mundo, a Ler devagar, mas faz-me pensar em alguma coisa e só por isso já lhe sou devedora.








imagem-postal, outra torre de belém, outro cristo-rei, aquilo que faz desta livraria uma das 20 mais belas do mundo. a livraria como monumento, tal como a Lello. a realidade não aparece na foto-família (ver mais aqui)


Os Maias ao lado de Allende ao lado de Drogas e Sida ao lado de Gladiador sem Lei.


as capas extraordinárias da ficção científica no livro de bolso. aliás, um conceito amável, o de livro de bolso. (dizia o Pedro mexia que Pulido Valente em tudo põe aspas. assim quero fazer também, no actual mundo da encenação e da fantasia. a vida é sonho, Calderón de la Barca na mesa da entrada).


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