um dia emblemático- entre procedimentos, Brice Marden, Ryuichi Sakamoto e o museu imaginário.
para ver o que eu vejo, às 21h.
no limite do som. já imaginava que o início do concerto fosse tocado directamente nas cordas, dentro do piano. assim foi na quase escuridão. a primeira metade deste concerto que encerrou a World Tour de 2011 foi no limite do som, perto do que se pode ouvir em Out of Noise . a segunda parte, não dividida por intervalo mas pelo esperado êxito Merry Christmas Mr. Lawrence, é mais concerto no sentido esperado, na música esperada, na sonoridade a lembrar muitos outros sons, desde Gorecki, Bach ou Piazzola e muitos outros que não sei ler.
tão violentamente belo como molhar os pés na água tépida do Adriático do Lido de Veneza, como Vertigens Impressões, as sequóias do norte da califórnia ou a Bridalveil Fall.
entrevista, aqui.
não só arte do tempo, mas do espaço. vibração que se liberta da madeira dos instrumentos para o espaço livre da sala de concerto. que lhe chamaram escultura sonora, não sei quem. memorável, sendo como for.
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antes do concerto, uma conferência sobre as relações entre pintura e fotografia (logo depois cinema na cronologia, mas que não coube neste espaço) e como andaram em paralelo, andam ainda. gostei de relembrar a série October 18, 1977 de Gerhard Richter.
"Well, I had an experience sitting in a tea ceremony room in Kyoto some years ago. It was a very unique and special experience. When we were sitting no one talks, and suddenly a storm came. And so we were just listening to the sound of the storm outside. Inside, sitting inside a very tiny room for maybe half an hour. I felt like I was in the center of the universe or something, it was almost like meditating. So that, according to that experience I wanted to share a similar experience with very few friends and you know. It’s a very different way of listening to a sound." Sakamoto em entrevista.
(daqui)
(alinhamento: improvisação, Fukushima #01, nostalgia, still life in A, bibo no aozora, tamago 2004, seven samurai - end theme, tango, solitude, merry christmas mr. lawrence, the last emperor, happy end, m.a.y. in the backyard, 1919, death of a samurai - endroll, self portrait, chanson pour Michelle, mizu no naka no bagatelle.)
"Dir-se-ia que Sakamoto toca como quem quer penetrar até ao mais fundo da verdade interior de cada tema musical. Não é uma demanda metafísica, mas um exercício de pura carnalidade: afinal, a música contém segredos que, por vezes, ela própria pode ainda ignorar — Sakamoto é um arqueólogo da escuta", diz João Lopes.
tinha-me recordado dos trilos e dos vibratti italianos, carregados de emoção ou sentimento, de uma generosidade imediata. aqui está-se no oposto: a contemplação, a interpretação fria e sem artifício provoca, contraditoriamente, a maior emoção. (tão de acordo com todo o volume da Poética). se em algumas partes se conseguem visualizar claramente paisagens, nuvens, água- noutras é puro sentimento que se vê directamente no interior do humano (Solitude).
Sakamoto diz levar consigo o piano Yahama feito para si, ou os dois pianos, mas penso que na Fundação vi um Steinway. ou não! mas surpreendentemente, o afinador do piano de Sakamoto durante toda a world tour é Neto Rocha, afinador português para seguir aqui. admirável.

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