light gazing, ışığa bakmak

Thursday, August 2, 2012

chapéus


no fim do dia de Dijon, cidade onde é possível encontrar o quase impossível, mostarda com cassis.

via aviões suspensos e pensei que gostava de levar um banco de campismo e sentar-me ali a apanhar aviões na câmara, tantos de tamanhos e cores tão diferentes. lembrei-me da minha mãe na varanda do hotel em Berkeley, o único sítio onde podia fumar e de onde via todos os aviões que sobrevoavam a baía. contou os minutos de intervalo entre cada um, ou talvez tenha sido o meu pai.

a caminho da gare do Norte entram dois romenos no comboio, um é uma criança e, de um modo grotesco, tocam algo que se parece com a ideia que temos de parisiense, acordeão e pandeireta. depois correm os bancos com o chapéu dos pedidos. lá fora, prédios suburbanos horríveis, cabos, postes eléctricos, uma paisagem urbana industrial, suja e cinzenta onde alguém achou necessário esconder, no meio de milhares de postes, armazéns abandonados e grafitti, uma antena de telemóvel numa árvore de plástico.

na tv, Roger Moore fala um perfeito francês.

muito a propósito: "j'allais me donner tout entier à ce but: la retrouver, comme ceux qui partent en voyage pour voir de leur yeux une cité désirée et s'imaginent qu'on peut goûter dans une réalité le charme du songe.", Proust em Du côté de chez Swann.


No comments:

 
Share