light gazing, ışığa bakmak

Monday, August 13, 2012

s/n


parte de uma instalação do Palais de Tokyo. aqui não há a enchente do Pompidou onde alguns dos turistas que passam acelaradamente a debitar corredores riem em modo de troça. aqui não há também (uma excepção ou outra) nada que seja belo. este parece ser o estado do mundo. a julgar pela sua arte, o mundo é hoje mais violento do que nunca, mais sujo do que nunca, mais cruel do que nunca. penso que este é um retrato incompleto, necessário para contrabalançar as ficções embelezadas do quotidiano. assim, do mundo colorido e ideal e simpático saltamos de uma vez só para o mais fundo dos infernos da humanidade.

mas talvez seja este um dos lugares onde é possível pensar, apesar do constrangimento da curadoria.  as obras no Palais de Tokyo concentram-se em torno dos conceitos de identidade e de comunicação. muitos dos artistas expostos são de países do médio oriente ou de áfrica, algo que eu não tinha visto antes. qual a identidade do outro que foge de um país pobre para um país rico? qual a identidade do índio face ao branco (as ideias agora patéticas dos noticiários dos anos setenta, imbuídos de antropologia)? e a fronteira, the edge, tema que também era central na colecção de Estrasburgo. ainda a vida sob o medo (o 'terror') e sob a tirania das imagens. saber ver hoje pode ser saber pensar, mas não se ensina a ver, nas escolas, e é pena.

em geral, um estrondoso museu, o Palais de Tokyo. aqui vi, seja como for, a paternidade das paredes escalavradas do Mude de Lisboa.

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