light gazing, ışığa bakmak

Monday, October 1, 2012

trânsitos

esta manhã, na hora de trânsito que demoro a chegar a Lisboa, ouço o almirante Melo Gomes dizer que há um certo mal estar nas Forças Armadas e repete a palavra patrióticas umas três ou quatro vezes. diz que foram os militares quem devolveu a liberdade ao povo e que não foram eles que deixaram o país assim, em estado de protectorado. nunca antes me tinha apercebido da possibilidade real de outra revolução silenciosa. não foi assim há tanto tempo. afinal, eu também lembro aquele dia.

fui mandada parar pela polícia que se coloca em locais estratégicos para apanhar os desgraçados e espremê-los mais um pouco. depois de me devolver a papelada, o homem fardado disse obrigado doutora. mais tarde fui ver os papéis todos à procura da tal doutora, mas não a encontrei. o meu primo P., que não tem facebook na verdade porque trabalha noite e dia, diz que é contra os jazigos nos cemitérios, e contra as campas de mármore (penso que ele é contra os cemitérios inteiros) porque quando morremos somos todos iguais. eu, doutora, penso que não somos iguais nunca: nem antes, nem durante e menos ainda depois.

No comments:

 
Share