light gazing, ışığa bakmak

Saturday, March 30, 2013

Lello

quem se admira com o facto de o dono da Lello querer cobrar bilhete é porque não vai lá há muito tempo. aliás, ele só mostra algo que já vai no largo da igreja: a passagem das livrarias a locais turísticos e dos livros a bibelots (algumas, claro, não todas. as 300 votações na net das mais belas 10, das mais belas 50 e das mais belas 100 livrarias não é isso mesmo?)

não comprei lá nenhum livro: não me deixaram tirar fotografias; os best-sellers medíocres nos expositores não me atraíram.

a Shakespeare & Co. tem magotes de turistas mas a selecção é excepcional. comprámos o que era possível ainda estivar na lotada mochila.


4 comments:

Pecola said...

Também estive a ler a "notícia". Com a massificação da informação, era inevitável. A cultura que estava antigamente na posse de um grupo privilegiado foi sofrendo apropriações interessantes ao longo da história. O clero, a classe média, as mulheres, ... O que é interessante / chocante para mim é que na última década essa apropriação não passa por um desejo de aceder a uma cultura que não se tinha, mas num "mãe, estive ali". A fotografia do livro (o que a Estantografia comichou nessa questão...), o artigo / post sobre o livro, a "viagem à biblioteca" e destacar escadas, candelabros e passadeiras. Contra mim falo, não sou imune. Mas é interessante ver, repito, que talvez pela primeira vez há uma "democratização da cultura" não para aceder, mas para mostrar. Não será o princípio do fim, mas é qualquer coisa.

Ana V. said...

Eu ia mesmo mais longe: "Consumo obrigatório".

Pecola said...

Então, em vez da "free drink" recebem um marcador de livros. Já não é mau. ;P

Ana V. said...

e uma Ladies Night!

 
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