light gazing, ışığa bakmak

Tuesday, April 2, 2013

estação sul e sueste


ali mesmo em frente ao ministério das finanças o tempo parou e a antiga estação sul sueste não passa de uma ruína, uma nódoa na paisagem de água. em frente à porta principal, os papelões de um sem-abrigo. os pobres, pedintes, esquecidos, desgraçados, sem-casa e quem sabe sem-terra são mais do que queremos ver e ali estão, à beira rio. de um lado a nova estação com cheiro a pipoca, do outro pelo meio do entulho a promessa de cruzeiros no tejo.

envelhecer é viver numa cidade que não existe, pensei quando caminhava em direcção ao Martinho da Arcada. talvez assim consiga fugir ao tempo: andar e andar em contínuas actualizações de ruas e cafés. as portas mudaram, as salas divididas de modo diferente, as paredes agora cobertas de retratos a preto e branco, um álbum cultural do país. não pude fotografar a mesa de Pessoa porque estava ocupada. a sala principal continua a mesma. no balcão do café os empregados são bem lisboetas: lambidos, magros, espertos, bigodinho e camisa branca. na tv um novo escândalo do sns. a bica custa um euro e dez cêntimos.


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