light gazing, ışığa bakmak

Friday, April 5, 2013

♥ Joana Vasconcelos ♥ (1)








o palácio da Ajuda é um palácio digno de várias visitas: [para além de ser um palácio que me é muito familiar por já lá ter ido dezenas de vezes, é o palácio na minha freguesia] -é um palácio inacabado com as costas em ruína, a um tempo incompleto e já em decadência, os seus interiores estão plenos de objectos para ver e sobretudo imaginar histórias passadas (o de Sintra tem alguns poucos móveis, o de Mafra saqueado, o de Queluz residência de festa e ainda a uso das novas nobrezas, o da Pena muito recriado, o de Monserrate reconstituído), é 'o' palácio real na capital.

Joana Vasconcelos com os seus objectos gigantones, numa violenta afirmação feminina que, embora mais diplomática do que Paula Rego, afirma coisas muito semelhantes, altera o espaço e dá-lhe uma vida inesperada, não só na rearrumação dos objectos existentes como na correria real de gente que compra bilhete e que, na maior parte dos casos, visita este palácio pela primeira vez. (só por isso--)

uma comunhão abençoada. no final da exposição vejo duas 'senhoras', de casaco longo beije, sapato de algum salto, de certa idade, com a permanente e o cabelo aloirado suspensos, talvez tweed, unhas vermelhas e ouro ao pescoço, muito bom gosto, muito bem postas, muito lisboetas tal como as mulheres das  depressões de Lobo Antunes (o um e o outro), e que deixam uma mensagem escrita no livro de mensagens da exposição. escreveram com raiva e assinaram vigorosamente. estranhei o entusiasmo e fui ler: horrível, diziam, que falta de gosto, continuavam, uma desonra ou algo parecido. estas 'senhoras' detestam a Joana Vasconcelos. eu adoro a Joana Vasconcelos.

de todas as obras, foi para mim inesperada a menos fotogénica: one way, em que as divisórias que indicam o caminho são feitas por longas tranças de cabelo, como a longa trança da princesa na torre abria o caminho ao seu amado.


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