"A vida nos países do sul da Europa está submetida a desígnios matemáticos&financeiros que nos escapam; as imagens divulgadas pelos meios de difusão propagam uma ideia global e enredada de ajuste de contas e castigo moral que tem a forma de uma espada. Não conhecemos quem decide as regras, só o seu discurso indirecto; lutamos contra uma entidade espiritual que permanece sempre fora de campo; deuses mortais sem rosto mas com muitas algibeiras.
Depois do trabalho e do dinheiro necessário para sobreviver, o processo de empobrecimento em curso (a sigla portuguesa PEC ganha, finalmente, o seu significado real) tenta também roubar-nos a nossa maior riqueza, as formas de pensamento: (...)"
do mesmo artigo de C.
o que eu penso coincide em muitas e abundantes partes com o pensamento de C. no entanto, ao contrário de C., eu penso que estas caras têm um nome e que esse nome deve ser procurado e dito em voz alta, mesmo que resulte numa gritaria.
não só na cultura, nem na economia, esse palavrão usado como entidade mais do que humana, mas nas actividades mais comezinhas e insignificantes. é preciso pôr o nariz em tudo, escalpelizar com erro ou sem erro, meter as mãos no lodo para abrir os olhos e ver através da lama que nos atiram todos os dias à cara.
por exemplo: fiquei a saber ( e quem não desconfia?) através de dois documentários, um na tvi24 outro na concorrente sic notícias [gostaria de deixar os links mas a falta de qualidade organizativa de ambos os sites só me iam fazer perder tempo inutilmente; aliás, é transmitir, é transmitir, o quê por quem e que conteúdo interessa menos para a matemática], que o organismo oficial que testa, investiga e emite pareceres sobre a segurança alimentar na europa, sobre o efeito disto ou daquilo, a segurança do ingrediente tal ou tal, etc. etc. é financiada (como o são os investigadores que dela fazem parte) pelas grandes da indústria que esse organismo é suposto regular. fantástico!
os pareceres sobre o açúcar emitidos pelo instituto que deve zelar pela qualidade e segurança alimentar da europa são pagos pela coca-cola! ( a senhora da efsa acha isto normal, diz que é a norma)
os investigadores independentes são calados dentro de todas as medidas do possível. o acto mais simples de viver, pôr comida na boca, foi tomado pelas forças mais corruptas, pelos processos mais indecentes, pelas mentiras mais escandalosas. (um hamburguer tem em geral carne de 20 animais diferentes de diferentes partes da europa). porque é que andamos a comer isto?
não é assim em todas as outras áreas da europa democrática?
e no entanto, temos a liberdade de ser. cada um decide o que deseja, o que quer ser, como o quer atingir, ou se não quer nada: ser rico, ser trabalhador, ser pobre, ser cumpridor, ser solitário, ser doido varrido, ser inútil, ser uma besta, etc etc. todas as opções são válidas, desde que a opção de escolha pessoal e intransmissível não implique sacrificar terceiros que nada tiveram a ver com essa escolha.
o que não acontece. a liberdade está fechada dentro de uma caixa de fósforos e para a expandir é preciso deitar fogo aos ditos.
outro exemplo: alguém cujo objectivo de vida é ser rico (até aqui está bem, whatever) mas que o pretende alcançar à custa de fingir que está a prestar um serviço (a um terceiro, ao país). estes alguéns são gente e têm nome.
não custa (ou custa?) introduzir um pouco de moralidade na vida quotidiana.
a coisa da narrativa e a coisa da ficção: está certo, demasiadas coisas passaram para o reino da mentira mais descarada e a mentira deve ter o lugar de honra que lhe compete na literatura, nas artes visuais, musicais, performativas, e etc. continua-se a ensinar a história militar em que os grandes feitos se medem pelo número de mortos no campo do Outro (viva a exclusão), quando há tanto assuntos bem mais interessantes a precisar de ser historiados com verdade. por exemplo, o açúcar.
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mais ou menos a propósito, mas não totalmente, o que diz António Pinho Vargas no fb:
A minha imaginação - talvez pobre, não digo que não - não me deixa pensar em revoluções clássicas nestes tempos. E vivi uma que recordo. Mas sei também o tempo que demorou até lá chegar... Por isso, como Leonilde Santos referiu, um "Impeachment". Mas como lá chegar? Também não sei. É que demitir um presidente por indecente e má figura, não está previsto na Constituição. Idem aspas para primeiro-ministro, excepto pelo presidente que tem faca e queijo na mão e (ca)vacuidade na cabeça. Há uma coisa que temos de pensar. Nos vários países da Europa, sob resgate, sem resgate, etc, já houve eleições, eleições repetidas, presidentes a demitir e nomear primeiros ministros, etc. Mas aqui não, pode lá ser! Nada dá resultado com a UE no estado em que está, com os dirigentes que tem, etc. Os "credores" e a ligeira inclinação para a frente, sinal de subserviência perante quem tem força e dinheiro. O principal problema é lá. O que seria preciso resgatar era a União Europeia e não vejo jeitos, antes pelo contrário.
(ver artigo de Krugman, link em baixo).
Pequena nota a propósito: dos banqueiros, por vezes tão interventivos, nos últimos e agitados dias (aparentemente) nem um suspiro de ouviu. Está tudo bem, por esses lados.
[O economista e prémio Nobel Paul Krugman voltou a criticar as medidas de austeridade na Europa, aconselhando Portugal a simplesmente dizer que “Não”.
Numa pequena nota escrita no blogue no domingo, a que deu o título de “Just Say Nao”, o economista assinalou a chegada “do dedo da instabilidade” a Portugal, com “o Governo a propor, claro, a cura das questões com Mais Austeridade”.
Krugman – que tem-se manifestado contra as políticas de austeridade na Europa - diz no entanto que escreverá mais sobre o assunto, a que chamou “a próxima fase da crise europeia”, ainda hoje.]
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embora o problema não é só de um qualquer tipo, ou outro, a coisa é muito mais grave do que uma pessoa só.
Sucre : comment l'industrie vous rend accros
light gazing, ışığa bakmak
Monday, April 8, 2013
mix
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