a primeira coisa que me pergunto e que continuo a perguntar durante toda a visita é: mas porque é que me deixam entrar. eu bem sei que sou amiga do amigo mas, bolas, entrei no USS Ike sem mostrar identificação, não mostrei nada que tinha nos bolsos apesar da máquina ter apitado, entrei a direito, mostraram-me (a mim e a umas outras sessenta pessoas entre eles muitos portugueses) a ponte de comando aérea, o convés de lançamento, a ponte de navegação e todos os instrumentos. pude tirar quantas fotos quis, os vários oficiais que nos acompanhavam respondiam a todas as perguntas que queríamos, todas as crianças puderam tirar fotos na cadeira do comandante e todos os pormenores sobre armas, mecânica, mísseis, abastecimento e etc etc foram respondidas. a única coisa que me pareceu tabu foi a localização do navio a partir daqui: essa informação é confidencial mas percebemos que vai para casa depois de longo serviço. um dos oficiais que nos acompanhou estava de serviço há mais de um ano sem ir a casa, onde tinha mulher e filhos. no interior do navio, uma pequena sala-museu a Eisenhower com a sua história, fotos, um busto. à saída da visita, vendiam-se souvenirs: canecas, bonés, isqueiros. [para ir daqui para Espanha em qualquer avião civil, tenho de passar meia dúzia de checks, não posso levar champô, tenho de tirar os sapatos, ter bilhete, documentos e dizer o que vou fazer]
este enorme porta-aviões tem quase 5000 tripulantes, de todas as raças e muitos deles são mulheres, como é agora comum nas forças armadas. serão cada vez mais mulheres. a média de idades da população de bordo é de 21 anos. dois cacilheiros servem o navio, fazendo incessantemente a viagem entre o navio e Algés. está a abarrotar ao ir para terra, cheio de miúdos quase imberbes que são da idade da minha filha mais velha ou ainda mais novos, mal saídos dos sofás da sala dos pais, das consolas e dos jogos electrónicos. para muitos deles, o serviço militar vai tornar possível o estudo universitário que de outro modo seria impossível. para outros foi uma continuação familiar, para outros ainda a hipótese de sair da pobreza.
que país estranho.
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pelo que diz o j.c., "segundo a Embaixada dos EUA em Lisboa, apenas jornalistas poderão visitar o USS Eisenhower, como aconteceu em 2009, na sua última estadia em Lisboa." pois não era.
light gazing, ışığa bakmak
Saturday, June 22, 2013
a pacifist on board a war ship (USS Dwight D. Eisenhower) (2)
Publicado por
Ana V.
às
8:49 PM
TAGS Negócios Estrangeiros, Stuff
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