light gazing, ışığa bakmak

Sunday, June 30, 2013

à procura de personagens


no final tenho uma série de páginas dobradas e uma torre de notas de papel na mesa da memória próxima, prontas a arrumar. na tv uma aula de crianças líbias a fazer redacções sobre a sua memória da guerra, diz a professora para esquecer. (como se vai para a maiden's tower?)

à procura de personagens andará, talvez, Pamuk depois dos seus retratos terem sido tornados incompletos pelos acontecimentos recentes.

snowden revelou que o big brother tinha colocado escutas nas instituições europeias, nos governos alemão e francês e na ONU, diz o spiegel. quando a realidade teima em imitar a literatura não consegue mais do que uns cenários rascas. (o que penso de snowden? até ver, um herói).

'We're poor and insignificant,' said Fazil, with a strange fury in his voice. 'Our wretched lives have no place in human history.'

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não sei como é que Gezi entrará na história. Kadife é a primeira mulher de corpo inteiro que leio neste autor e o que a torna real é o sentimento que a prende a um herói improvável: um assim chamado terrorista fugido das autoridades, o único que, para além de Turgut Bey, tem reais convicções. alguns sentimentos recorrentes: a competição entre irmãs, o sentimento de posse, a listagem de objectos, a mulher-objecto, a ausência de amor a não ser em personagens muito marginais: actores muito duvidosos, prostitutas e outros semelhantes. para que Gezi entrasse na história, era necessária toda uma maneira de ver/viver.

um golpe de estado que acompanhou Taksim. gostei de apanhar o comboio de regresso depois de viver a realidade claustrofóbica da Kars literária que replica a claustrofobia da falta da liberdade.

'a master of my soul', disse Obama que Mandela escreveu nas paredes da sua cela. pensará Obama em alguma coisa quando lê aquelas palavras?


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