light gazing, ışığa bakmak

Wednesday, July 10, 2013

granito como manteiga

quase me matava este calor, a canícula, o ozono (e as moscas de Óbidos). vinte anos depois encontro nesta cidade mudanças que ainda não vi e tudo me confunde no Minho. há demasiada gente que me acompanha, a água a cair. nas ruas é como se ninguém tivesse visto nada, há muitas casas fechadas ou para venda. Levantou-s'a velida, levantou-s'alva, e vai lavar camisas eno alto, vai-las lavar alva. um enorme objecto comovente e de melancolia: O Gil Eannes e a sua sala de operações, a câmara escura, a sala de tratamentos, as enfermarias e as hierarquias zelosamente delineadas, as fotografias, o salote do comandante e ainda as suas fardas no armário. não há silêncio em Viana senão na praia e no longo caminho até ao farol à boca do mar que hoje a névoa misturava com o céu e as nuvens e o horizonte. o navio que saía da barra deslizava suspenso no azul.


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