chamei-lhe blue e é uma foto de uma foto de Nita Vera. julguei que era de um país eslavo, Ucrânia, Rússia, Finlândia e não me enganei, é da Finlândia. a foto da foto é da a., nos Encontros de Fotografia, a transmitir o seu blue e a melhorar, na minha opinião, o enquadramento da imagem. se o original finlandês está mergulhado no non sense, a a. encheu a imagem de uma melancolia imensa que não posso deixar de reconhecer.
a propósito de sem memória e de espaços interiores.
a porteira chegou ao prédio com o início do prédio, ainda foi ela quem mostrou os apartamentos aos seus moradores de hoje, que estão também velhos. passaram quarenta anos. nos primeiros vinte não tinha fins-de-semana, nunca podia sair do prédio. ela e o prédio têm a mesma cor. este mês divorciaram-se, para bem de ambos.
o prédio tem quase duas dezenas de andares, com caves enormes e uma escada babélica que está quase sempre mergulhada na escuridão. quando muito há uma penumbra. nesta escada, afastada dos andares espaçosos dos moradores, estava anichado o seu limitado espaço de porteira. nas traseiras duma varanda de serviço criou um jardim de numerosos vasos, árvores de borracha, línguas de sogra e begónias.

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