era certo.
"Apesar do seu jovial optimismo, Kazu pensava às vezes, Kazu pensava naquilo que se tornaria depois da morte. Este pensamento surgia-lhe então imediatamente ligado aos obstáculos à salvação causados pelos seus pecados. O calor do sobretudo de Noguchi, que a envolvia pelas costas, ressuscitou-lhe na memória os seus numerosos amantes de outrora, aos quais ela nunca aludira diante de Noguchi. Homens houvera que se tinham morto por ela quando jovem. Alguns deles tinham descido ao mais baixo grau da escala social por causa dela. Outros tinham perdido posição e fortuna. Era espantoso que Kazu não tivesse tido a experiência de erguer um homem a uma situação brilhante, de lhe assegurar o sucesso. Se bem que não houvesse no seu espírito qualquer mau desígnio, os homens geralmente afundavam-se depois de a ter conhecido."
Mishima em Depois do Banquete.
o sobretudo é o mesmo de Marilyn em Bus Stop, parece-me claro. Mishima faz sem esforço aquilo que Pamuk não consegue em toda a sua obra, à excepção de um breve vislumbre no conto à janela, ser uma mulher. por outro lado consegue, sem esforço, transmitir o seu próprio ponto de vista (sobre ela) e ser o ponto de vista (ela).
light gazing, ışığa bakmak
Sunday, September 15, 2013
kazu (2)
Publicado por
Ana V.
às
12:05 PM
TAGS Mulheres, Orhan Pamuk, Yukio Mishima
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