Gülsün Karamustafa.
na apresentação que vimos no Istanbul Modern, não um mas dois quadrados paralelos: o espaço público e de luta, as ruas; o espaço privado, uma casa, onde se vê um corredor ladeado de portas por onde algumas mulheres entram e saem. na Turquia, e julgo que em todo o mundo muçulmano presente e passado, mas não só, o espaço público foi sempre masculino, o espaço privado feminino. a clausura tem sido o local da mulher durante muitos séculos. sem ela, não teríamos as belas janelas mouriscas da península, como não teríamos os milhares de conventos e recolhimentos (como o da Encarnação). o espaço privado foi não só privação de liberdade, como eu sempre o vi, mas lugar de abrigo e de protecção, uma casa-concha para a pérola. [este tipo de espaço-protector também foi masculino, sem dúvida, mas com menos doces... e mais álcool. muito bonito, des hommes et des dieux]
a rua e a sua história sangrenta faz parte dos relatos da história; o seu paralelo, o espaço interior, não tem memória.
num programa qualquer da sic uma mulher apresentava um livro sobre as mulheres na arte e dizia que as mulheres artistas, quando existiam apesar de lhes ser negada a educação, não eram publicadas, exibidas, sequer catalogadas e que muitas das suas obras permanecem ainda, por catalogar, nos armazéns dos museus. mulheres invisíveis. no momento seguinte, o director do museu de arte antiga vinha, precisamente, exemplificar isto dizendo o contrário do que tinha dito a mulher: mulheres artistas não houve, não as podemos inventar. se houver repetição do programa e se por grande acaso do destino eu voltar a ouvir aquele pedaço, poderei dizer os nomes de ambos e referir o livro que era apresentado.
eu era uma rebelde, diz Gülsün Karamustafa. também eu.
a guerra, o capitalismo, a revolução industrial, a queda da religião, a sociedade massificada, os genocídios, as sangrentas revoluções comunistas, a hegemonia ocidental: eis de onde vem a nossa liberdade.
light gazing, ışığa bakmak
Monday, September 23, 2013
'memory of a square'
Publicado por
Ana V.
às
8:09 AM
TAGS A arte pela arte, is13, Mulheres
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