light gazing, ışığa bakmak

Friday, January 17, 2014

anna

estou a ler quando cai uma forte trovoada, em lisboa caiu gelo mas aqui não, apenas raios e coriscos e fico cheia de medo de sair para a rua, não me caia o céu em cima da cabeça. ou isso ou uma desculpa para passar mais tempo com Tolstoi. olho para Anna de vários modos, deste ângulo e daquele, e de todos eles Anna me parece uma obra perfeita, não falta nada, nada lhe posso apontar e, para além de tudo mais, lê-se como uma brisa.

aos meus livros, maltrato. dantes escrevinhava tudo, tornando impossível que mais alguém os lesse. agora deixei de me apropriar deles dessa maneira selvagem e limito-me a dobrar o canto da folha, limitando as possibilidades de me separar do livro no futuro. este, porém, é emprestado (já quase dado) e a partir de certa altura dobro cantos de página com vontade inevitável. chego a dobrar a mesma página duas vezes, o verso e reverso para ter a certeza de que certa frase não me escapa. se fosse citar, teria de citar a obra toda, mas ainda espero poder copiar tudo para aqui. a minha lista (tentative plan) de cópia  aumenta desde Samarcanda, uma tarefa sem fim.

como poderia sair para a tempestade no meio do jantar que reúne levin e kitti? onde se discutem as minorias e a russificação da polóica, onde se debate a educação da mulher? no salão da casa fomos muitos milhões os que já participaram naquele jantar. como poderia sair com a mesa de vodkas e queijos à disposição dos convivas?


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