"Aleksei Aleksándrovitch mandou servir o chá no gabinete e, brincando com a faca maciça, dirigiu-se à poltrona junto à qual estava uma lâmpada preparada e um livro francês que começara a ler sobre inscrições antigas.
Por cima da poltrona estava pendurado, num caixilho dourado oval, o retrato de Anna, feito por um pintor célebre. Aleksei Aleksándrovitch olhou para o retrato. Os olhos impenetráveis olhavam para ele insolentes e trocistas, como naquela última noite da sua explicação. A visão da renda preta que lhe cobria a cabeça, dos cabelos negros e da bela mão branca com o dedo anelar coberto de anéis, tudo excelentemente executado pelo artista, teve em Aleksei Aleksándrovitch o efeito insuportável de uma insolência e de um desafio. Depois de olhar o retrato durante um minuto, estremeceu de tal modo que os seus lábios tremeram produzindo um som "brr" e ele desviou o olhar. Sentando-se precipitadamente na poltrona, abriu o livro."
Tolstoi em Anna Karénina.
e algumas obras de Pavel Fedotov, uns vinte anos antes de Anna e, neste caso, não propriamente retratos.
(o pequeno-almoço do aristocrata)
na verdade, e por mais estranho que pareça, não tenho simpatia por Anna.



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