Monday, August 4, 2014

a grande volta pelo sul

ontem foi dia de nos "perdermos": entrar num autocarro e simplesmente seguir nele até ao fim, sem saber onde era o fim nem quanto tempo demorava a lá chegar.

o fim era em sultanbeyli. o entreposto rodoviário era um espaço, um pequeno descampado, onde estavam estacionados uns vinte autocarros. uma casa velha servia de central. à porta, dois jovens sentados nas omnipresentes cadeiras brancas de plástico. lá dentro, um velho estava sentado atrás de um balcão improvisado de onde vendia bilhetes embora me parecesse que nunca ninguém ia entrar ali. mesas e cadeiras espalhadas pela sala aleatoriamente. na parede do fundo um retrato do pai da nação. um balcão com águas e coca-cola e os frascos de mokambo da minha mãe cheios de mel. mel caseiro verdadeiro.

já tinha lido sobre a pressão imobiliária mas vê-la... Erdogan faz o seu super comício não muito longe daqui, em Maltepe. um pouco mais acima está o homem da casa resistente. há aldeias feitas povoações com miúdos pobres e talvez refugiados. três quarteirões à frente começam os condomínios, prédios de dez, vinte andares cercados por grades de ferro e arame farpado. na entrada dos automóveis, um segurança e câmaras de vigilância. lá dentro piscina, relva e por vezes parque infantil e área para piqueniques. as famílias reúnem-se à sombra das poucas árvores e dos muitos andares. em direcção ao centro da cidade retornam as povoações, as lojas e as lojas de mobiliário e de candeeiros. os móveis são muitas vezes brancos com arrevezados decorativos em dourado. depois prédios altíssimos de empresas, negócios, apartamentos, shoppings, autoestradas, metro, zonas comerciais, jardins verticais com padrões elaborados ladeiam as autoestradas e os viadutos. hipermercados.

no caminho, quando para o desconhecido, o autocarro sofreu um acidente: bateu no carro da frente que se atravessou para a saída.  as pessoas caíram umas para cima das outras, as que dormiam acordaram, as mães agarraram as crianças, os velhos desequilibraram-se, as malas caíram. reuniu-se um pequeno grupo de curiosos aos quais me juntei. veio um polícia, passados dois minutos torna-se a andar, não se pode obstruir a vida, é circular, circular.

a certa altura começo a tirar fotografias. não me queria esquecer disto.





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