Sunday, August 3, 2014

showers

trovoada e aguaceiros. quando as vejo da rua, a fugir à água, lembro-me logo de uma chuvada em Estocolmo, no bairro do Nobel. Um pequeno grupo de gente tinha-se refugiado na entrada de um café. a maior parte com impávida expressão da cara, alguém com o fastio de grande incómodo e um casal com risos e a ternura com que ele punha um lenço no cabelo da mulher e lhe limpava a água do rosto.
a água caiu ontem na Istiklal como um dilúvio, as milhares de pessoas que circulam à noite naquela rua deram a conhecer o coração da cidade: na entrada de uma loja de roupa de marca abrigavam-se o vendedor da lotaria, as adolescentes às compras, os casais a sair para a noite, os homens indistintos, os sem-abrigo, as turistas, os malandros e os rufias. e todos riam, alguns cantavam. no rio em que se transformou a avenida aproveitava-se para galeria: uns passavam a correr a grande velocidade, outros andavam como se num passeio de campo e a chuva não caísse em catadupa, umas miúdas arrastavam os pés como se junto ao mar, outros inventavam coberturas loucas de plástico, a procissão era longa e os risos muitos.

não é a chuva: é o que se faz com ela.

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