Thursday, September 11, 2014

andar por aí

andar por aí e passar por sítios novos, uma novidade, ou seguir sempre pela mesma rua, as mesmas casas, lojas, etc., no verão como no inverno, durante anos até não se ver o sítio onde se passa, mas olhar para detalhes insignificantes como a cor de determinado espaço entre duas pedras de calçada ou reparar que um vulto a passar era verde, do mesmo verde da planta no parapeito.

o sítio onde cresci e a que me acostumei a chamar meu, como se alguma coisa pudesse ser minha, não existe há muito tempo. durante anos parecia existir, parecia coincidir a vista com a memória, mas não passava de fantasia provocada pela saudade.

o homem de Odessa recebeu ordens para mobilização geral. Odessa não fica perto da fronteira. foi celebrado um cessar-fogo há pouco tempo. a NATO manifestou o seu enorme apoio à Ucrânia com uma dita força spearhead dentro da força quick response. inventa-se vocabulário ao estilo publicitário propagandístico e deita-se o dinheiro dos europeus dentro. Kissinger, que tanto adoro, diz para se deixar a Ucrânia e para se ter cuidado, ao invés, com os loucos do isis-isil. também diz que gosta de Hillary. creio que, apesar de estar velho, está menos louco agora do que estava antes, mas tudo faz parte da mesma história. esta é a quarta mobilização e não estão a brincar na terra natal do homem. como ele, muitos terão de decidir agora se voltam ou se escolhem esta nacionalidade ibérica, resguardada de decisões semelhantes desde a revolução das flores vermelhas.

temos o turismo que ajudou a tapar com a peneira as crateras financeiras da nata dirigente da nação. quando nos prestamos a ver os debates para o próximo primeiro em que se diz que ganhou aquele que mais insultou o seu camarada, aí merecemos tudo o que nos aconteceu, acontece e acontecerá.

trinta mil professores não foram ainda colocados. uma parte substancial de professores deu erros ortográficos (ah mas era o acordo, ah mas afinal não era). as aulas públicas começam na semana que vem.

há poucas pessoas a viver no que chama centros históricos, é a gentrificação, palavra que não pensei que nos viesse a afligir mas que acabou por chegar. é tão imparável com a degradação do comércio livreiro, mais comércio, menos livreiro. por falar em gentrificação: o Pando que também eu fui "salvar", não se salvou, claro e a sua loja em Beşiktaş que servia pequenos-almoços há tantos anos - Pando's kaymak- , foi mais uma a ceder. como será a loja de soutiens e espartilhos na Istiklal, avenida da independência. em Lisboa o mesmo sucede com Alfama e Mouraria, conforme vai alertando o Corvo. na vila velha, em Sintra, restam meia dúzia de casas habitadas num casario que se tornou, como S. Michel, um pseudo-museu ao ar livre. aliás: entre aqui e ali, o que se vende nas respectivas lojas é quase quase igual. antes esta festa plástica do que a mobilização geral, between a rock and a hard place.






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