Monday, September 1, 2014

modificações da sensibilidade

autor(a) desconhecido mas le voilà:

Modificações da sensibilidade
Algumas características são comuns ao que se tem chamado literatura pós-moderna, quer seja na ficção quer na poesia. Na ficção, destacam-se Thomas Pynchon e John Barth e as obras que publicaram nos finais dos anos sessenta e durante a década de setenta. Ambos abordam uma temática apocalíptica e em ambos se utilizam extensivamente jogos verbais e uma aproximação experimental à linguagem, esvaziada de conteúdo. A escrita de ambos é ainda, como a escrita pós-moderna em geral, auto-reflexiva: a realidade exterior esbate-se e a contextualização social, geográfica e temporal dá lugar ao contexto da própria escrita. Assim, são frequentes as narrativas em locais imaginários, em condições históricas falsas. A escrita tende também a debruçar-se sobre a sua própria produção, sendo relativamente comum o esbatimento de fronteiras entre a ficção e a meta-ficção, entre a literatura e a crítica.
Estas características repetem-se na poesia, particularmente em Robert Creeley, e no teatro, então sob forte influência de Samuel Beckett e do teatro do absurdo europeu como Ionesco, Pinter, Stoppard. Nos Estados Unidos, Edward Albee foi o representante desta época muitas vezes chamada pós-atómica, tendo escrito peças marcantes como Quem Tem Medo de Virginia Woolf?

Contracultura dos anos sessenta
A contracultura dos anos sessenta é por vezes balizada entre 1965 e 1972. As tensões que se foram acumulando durante os anos sessenta na sociedade norte-americana, e que tinham a ver com grandes mudanças que se desejavam e anteviam em quase todas as facetas da vida como sexo, o estatuto da mulher e das minorias, relacionamento entre raças, liberdade de expressão, democracia, conheceram o seu pico nos anos de contestação à guerra do Vietname.
Em termos de literatura, duas reacções são imediatamente reconhecíveis: a que podemos considerar pessimista de Pynchon (entropia, um caminhar inexorável para o caos), com alusões apocalípticas e onde não se adivinham soluções mas antes destruição; e a revolucionária, das minorias, quer estas sejam minorias de género ou de raça. O pós-modernismo não abre possibilidades: ou as destrói ou as cria.

New York School of Poets
A New York School of Poets foi um grupo literário baseado em Nova Iorque durante os anos sessenta influenciado pelo surrealismo e pelo modernismo, particulamente na pintura. A associação entre a poesia e a pintura foi um dos elementos caracterizadores deste grupo que, de certo modo, gravitava em torno de Frank O’Hara. Todos os poetas que se costuma associar a este grupo estavam ligados de um modo ou de outro às artes plásticas (e a pintores como de Kooning, Jackson Pollock e Cy Twombly.) Foi Frank O’Hara que escreveu o texto crítico definidor do que ele próprio entendia por poesia: “Personism: A Manifesto”. Num tom irónico e coloquial, afirma que não há estruturas nem regras para a poesia, tudo faz parte da poesia a qual estabelece uma relação entre duas pessoas e não entre duas páginas. Esse tom coloquial será também o tom dos seus poemas com uma linguagem semelhante à oralidade. O objecto da poesia são todas as coisas, objectos, mesmo aqueles que estiveram até então fora do âmbito da literatura: “I stop for a cheeseburger at JULIET'S / CORNER. Giulietta Maina, wife of/ Federico Fellini, é bell' attrice. / And chocolate malted. A lady in / foxes on such a day puts her poodle / in a cab”, no poema “A Step Away From Them” . O espaço que o poeta privilegia é o da cidade, urbana, movimentada e viva, muito distante da “Waste Land” de T.S. Eliot.  Se se excluir o espaço geográfico, que se restringia à cidade de Nova Iorque da qual se fazia a apologia, torna-se clara a influência e a importância que tiveram da poetas da New York School para os autores da Beat Generation.

Nesse contexto, é interessante o comentário de Allen Ginsberg ao poema “A Step Away from Them”, de O’Hara: “He [O’Hara] integrated purely personal life into the high art of composition, marking the return of all authority back to the person. His style is actually in line with the tradition that begins with Independence and runs through Thoreau and Whitman, here composed in a metropolitan spaceage architecture environment.’He [O’Hara] taught me to really see New York for the first time, by making of the giant style of Midtown his intimate cocktail environment. It’s like having Catullus change your view of the Forum in Rome.
A Nova Iorque de O’Hara neste poema de 1956 foi vista por Ginsberg, e dedicada a O’Hara, no poema “My Sad Self”, de 1958.



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