Tuesday, December 30, 2014

ruas

estava a ver um clip turístico sobre o grande bazar e lembrei-me do medo da s. que depois de lá se perder,  voltou para o hotel para não sair mais. são experiências. a primeira vez que lá entrei tinha o mapa na cabeça e visitámos uma parte reduzida. era feriado e fechava cedo, fomos literalmente corridos, mas saímos por onde tínhamos entrado, o mapa na cabeça. o grande bazar assenta numa colina suave e isso sente-se nos pés, há sempre uma inclinação e é fácil notar que todas as ruas e vielas descem. mais tarde encontrei o local que tinha desejado, um dos cafés mais antigos do bazar, onde julgo que durante a maior parte do tempo da sua muito longa história não entraram mulheres. tudo ali é mais velho do que o velho a que se está habituado. aquele local fica no coração do bazar. entre muitas vielas e atalhos, há buracos nas paredes com chá e café e kebabs, mas aquele lugar amplo com os tectos ogivalados é especial. no labirinto do bazar coberto, décadas depois do bazar descoberto de tânger, pensei que é assim a vida. os mapas na cabeça restringem mais do que conduzem, as ruas foram feitas para que as pessoas se percam nelas, só se encontra o que se perde primeiro e assim por diante, numa série de ideias repetidas mas que se tornam visíveis nas vielas do grande bazar. sempre a descer seguimos seguros para a saída, percorremos as ruas intensas dos retroseiros e dos tecidos, tantas mulheres, para acabar na mesquita nova junto ao Haliç dourado.

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