Saturday, January 24, 2015

um sniper não é um herói, (American Sniper)

diz o michael moore. é um assassino, penso. quando moore chama cobardes aos snipers, cai-lhe o carmo e a trindade em cima, num país que há muitos anos depende da situação de guerra para existir. e vem toda a panóplia de frases feitas, e mentirosas, que justificam todas as acções e a mentalidade de veneração que existe naquele país por toda a vida militar. estive em Arlington, vi as colinas cheias de cruzes brancas, cruzes novas e cruzes antigas, uma história de mortes. vi o mudar da guarda, assistimos àquilo, fez-me impressão. estive num porta-aviões, o do mediterrâneo e vi a sala de controlo, cheia de televisões e de equipamento informático, 'como nos filmes'.

na cnn (onde um jornalista com mais de 30 anos de serviço foi posto na rua por criticar israelitas)
"To begin with, the reason Americans have the freedom of speech Moore was exercising is because brave men such as Kyle and other active-duty personnel and military veterans have fought to protect this precious right.", errado, não é verdade. 'nós' aqui dizemos todos os disparates que nos dá na real gana e ninguém tem de andar a matar ninguém por isso.

"The terrorist -- the enemy, the "bad guy" -- strikes terror and threatens to harm and kill the innocent, like the wolf who threatens the sheep. Fortunately, there are brave men and women who sacrifice much to protect those who wish to live day to day in peace. These protectors are the community sheepdogs.", deus do céu, cordeirinhos e lobos maus na cnn. e nem continuo porque é triste demais.

no filme, a motivação do 'herói' em ir salvar inocentes foram as torres gémeas. mas Chris vai para o Iraque, e não para o Afeganistão (onde os talibãs continuam). o que mudou nos anos que nos separam das torres gémeas? está tudo tão melhor! ou talvez não.

o filme está bem feito, é feito por um veterano, ele próprio, sabe o que é o cinema, sabe o que é exultar os valores da nacionalidade, dos heróis, sabe como filmar guerras e caracterizar heróis. tive direito a mais violência em duas horas do que tive no conjunto dos últimos oito anos.

ao meu lado estava um miúdo de mais ou menos doze anos a comer pipocas com o pai. no intervalo o pai dizia isto é como os teus jogos, o miúdo respondia que isto era mais nojento. no final o pai dizia imagino que satisfeito ou com orgulho, estás a ver, foi melhor do que ir ver a abelha maia. estou certa que o miúdo vai para casa jogar os seus jogos menos nojentos e neles tentar ser um sniper parecido com o que viu no filme. tenho pena.


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