Tuesday, February 24, 2015

ribeira

na Ribeira o que mais me surpreende é que há muita gente que lá mora, tantas são as janelas com cortinas e com estendais de roupa. e pela roupa vemos as idades dos moradores, como Marcel vê nos detalhes não funcionais da roupa da senhora Swann toda a história do seu passado. não sei como se conseguiu isto como não sei como se conseguiu em Lisboa expulsar de facto aqueles que mais a queriam. também me pergunto como há ainda lojas abandonadas naquela zona repleta de turistas famintos de comprar 'coisas do Porto' e de como os melhores estabelecimentos estão encerrados ao fim-de-semana, sobranceiramente (pode parecer) mas por razões bem mais comezinhas como o facto de não haver empregados para além dos proprietários. as cores vivas das casas sobressaem da cor escura do rio e do cinzento do céu, como as cores suaves de Lisboa tentam acalmar a violência da luz. na Ribeira como no norte, atrai-me a pedra brilhante que está em todo o lado, tão suave para as mãos. de manhã, entre o cinzento e a chuva, os bandos de patos e gaivotas que sobem o rio hipnotizam estrangeiros sonolentos ainda, com as suas curvas. há um excesso de para-ver que engole quem chega a esta cidade.

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