Sunday, March 15, 2015

'You’re all insects, you’ve never had any f— rights and you never will!'

ou algo parecido é dito pelo presidente da câmara corrupto em Leviatã, com ligação directa a Grapes of Wrath. expropriação, espoliação. (quantos são os espoliados pelos um por cento e ainda: pensar saber discutir ou sequer resistir são fúteis? pergunta talvez respondida em parte por Citizenfour). este cinema tornou-se literatura e tanta 'literatura' que se transformou no outro cinema-pipoca.



de Andrey Zvyagintsev já tinha visto o cruel Elena, mas este filme ascende a uma liga de todo diferente, do quotidiano às grandes ideias, à história, à religião, ideologias, muitas palavras que se costumam capitalizar. que bonita é Elena Lyadova! e que inesquecível a cara do polícia que precisa constantemente de reparações no seu velho carro.

em ano de pouco cinema, é uma sorte fazer poder fazer seguir Leviatã a Sono de Inverso e a uma entrevista de John Gray, todos a falar de certo modo da mesma coisa, com aproximações bastante diferentes. se esta história do mar de Barents, com os seus azuis profundos, os madeiras-cinza, e os floreados dos tecidos de interiores (que encontrei nas cozinhas de Eugenia Maximova) é uma história de ideologias perdidas, dos grandes movimentos do povo, do homem comum, uma história do século vinte, ou de pós-século vinte em que as conquistas foram perdidas (John Gray que diz o evidente: as conquistas foram feitas à custa de mass murder). e também vejo Gogol e Tolstoy na clareza das suas personagens, no presidente da câmara com o retrato de Putin nas suas costas, numa das mais hilariantes cenas de crítica política que já vi - os quadros com os retratos de todos os grandes líderes da Rússia que vão servir de alvo aos quatro homens embriagados que brincam com armas num piquenique remoto de fim-de-semana. Ceylan, onde me revejo, acredita menos em deus, e muito menos em ideologia mas é dele o gesto mais ideológico de todos: o homem do povo que rejeita o dinheiro que o compra. em Leviatã ninguém resiste, todos se conformam, até o homem espoliado.
que grande filme. a ver assim neste contexto: Sono de Inverno e John Gray.






The film’s title can be taken as a reference to the “Leviathan” of Thomas Hobbes, who argued for mankind surrendering freedom in exchange for protection from an absolute sovereign, but equally to the ocean creature summoned up in the Book of Job. Kolia, blameless from the start, ends as a modern Job, the victim of despots in a godless land. Beset by bottomless grief, he takes a slug of vodka from a bottle and asks, in timeless fashion, “Why? Why, Lord?” The film offers no answer in a majestic coda that plays scudding clouds and pounding waves against a pulsating Philip Glass score. But the closing shot is very much of this time—an oil drum swept on foam toward a rocky coast. Is it mere coincidence that the drum is bright red, or does this last cryptic image suggest a Russia that is itself bobbing aimlessly, and headed for the rocks? 
 a great paragraph from here.

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