Sunday, July 5, 2015

"One day I had read a book and all my life has changed.", e os gregos

esse livro foi o Black Book, Kara Kitap. mas podia ter sido A Ponte sobre o Drina, que acabei hoje com desgosto de o acabar e que confirmou aquilo em que mergulhei há dois anos, mais mês menos mês, com o Black Book. há outro mundo, há outras razões, há outras histórias, o mundo abre-se para quem o quer ver de facto e o mundo abriu-se para mim na espuma da praia e nas margens do Bósforo. depois de Sebald estava pronta para isso.

Ivo Andrić é outro autor que vê, um narrador de histórias que como os maiores, coincidência ou não tem sido assim, escreve sobre um microcosmo e nessa escrita apanha a humanidade. assim como um cientista olha para a mais minúscula partícula e nela encontra o segredo da vida. não há limites, para o mais pequeno ou o maior, para cima ou baixo, para todas as dimensões. os limites estão nos olhos e quebrar uma barreira que seja é um acto de beleza.

nesse ponto crucial do mundo (logo a seguir ao crescente fértil), tanta coisa se passou e tantos movimentos humanos, alegria, tristeza, tragédias e morte, grandes conquistas para o bem, construções, ideias das mais cristalinas (só porque gosto da palavra) e a associo às barbas de Platão e à cicuta de Sócrates. a Grécia e os Balcãs.

depois de resolver de um golpe o puzzle que ele me pôs com o aviso de difícil, chamei-lhe a atenção para o olhar e para a perspectiva. é preciso andar nos sapatos alheios e comer a sopa na malga de outrem.

o que querem todos: uma vida segura para si e para os filhos, tempo e disponibilidade para celebrar, segurança em si, que o chão não fuja debaixo dos pés e, quando possível, não ser enganado nem humilhado. manter as suas ideias e conseguir andar na rua de cabeça erguida.

é preciso entender que este desejo foi feito impossível ao povo grego que embarca agora em águas difíceis, águas de naufrágio. a história grita que o povo unido provoca as maiores catástrofes, olhando com as maiores esperanças, os maiores sonhos. mas este grito e união provocam um arrepio e um lampejo, acordam sonho e esperança e por um dia ou por uma semana acredita-se cegamente na liberdade, na vontade, no ideal, no impossível, na canção de John Lennon. e é para cantar, antes do louco chegar e pôr fim à música.


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