Friday, July 31, 2015

Taxi Téhéran, I love Jafar



ou muito me engano, ou o meu filme do ano.

há duas semanas que vi Taxi e, como acontece de cada vez que se vê alguma coisa que altera o ponto de vista, foram duas semanas de imagens recorrentes. as imagens da memória pertencem muitas vezes a outrém, ou melhor dizendo, foram criadas por outra pessoa, em vez das habituais imagens fortuitas e ao sabor a fortuna (cada vez menos fortuna e cada vez mais assalto aos sentidos de cada um). a imagem das duas irmãs idosas com os peixes dourados que as representam num aquário redondo é tão risível como as imagens de Elia Suleiman mas tão simbólicas como a vela de Tarkovsky. é claro que o aquário se parte e as águas se diluviam dentro do táxi, aquela é a viatura da salvação.

entre actores amadores, amigos e familiares de Jafar, todos se unem para participar nas suas histórias. não têm bigode nem usam gravata e os nomes não pertencem a homens sagrados, não cabem dentro das regras do cinema iraniano (rimo-nos tanto e no entanto as regras do "nosso" cinema não andam longe. não se prendem artistas no mundo ocidental, as formas de desvio são outras porventura mais eficazes). a viagem é uma viagem à beira da realidade, debruçada na ficção. nunca devo ter visto tamanho emaranhado de real e imaginário, onde a veracidade das testemunhas deixa de interessar. o que interessa é o sumo, a vontade e paixão e a humanidade que transparece luminosa por entre as imagens das imagens das imagens. um filme sobre os filmes do passado, do presente (no episódio do rapaz que apanha o dinheiro do chão) e do futuro. todos os filmes são dignos de serem vistos, diz Jafar, mas mesmo assim escolhe alguns para o estudante (woody allen, e um dia na anatólia, a referência que me fez feliz, um dos meus favoritos de sempre). um dia de bom negócio para o vendedor de filmes-pirata: juntos faríamos fortuna, diz ele. a frase para sempre só tem de ser esta (escrita criativa para que te quero): esse livro já foi escrito, esse filme já foi feito.

no Irão o povo perdoa aos pobres que roubam (mas não aos ricos), foi uma lição.





this girl is quite a star.

a rose for you. each audience member gets a rose from the gentle rose lady who helps those is hunger strike.

yes, you.

a parable of good and evil, who is who.

film as witness.

film as surveillance.



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