Wednesday, August 5, 2015

livros bons e livros maus

quase a acabar o livreiro de Kabul pelo meio das sessões de outras coisas e é um dos piores livros que li em toda a minha vida. continuo porque é rápido de ler e porque tenho curiosidade sobre a vida em Kabul. de resto, a escrita é péssima, não há história, texto jornalístico pseudo informativo, personagens também não, tu se resume à opinião da pessoa que escreve, uma mulher com quem tenho mais em comum do que "o que nos separa", ocidental, independente, etc. etc.  Nada como um livro muito mau para servir de aviso ao que podemos ser, muito medíocres e a olhar para a moldura sem ver o quadro ou qualquer outra comparação ou alegoria do género, estar no meio das árvores e não ver a floresta; nesse género.

em junho tive uma família de piscos instalada na casa que as andorinhas deixaram e que mais uma vez se mostrou mortal. são muito bonitos os piscos e gosto do seu tagarelar. tiveram dois filhos. dois dias antes do grande dia dos dois pequenos, um gato da vizinhança começou a rondar. tentei assustá-lo várias vezes mas os sustos foram pequenos. ficava no fundo da rua a olhar para mim (all resistance will be futile). o grande dia chegou e um dos piscos caiu do ninho mas não voou. a mãe-pisco passou horas de grande aflição em volta dele. tive esperança que algo fosse conseguido mas não e ao final do dia, no calor do lusco-fusco, o gato tinha-o caçado de debaixo de uma floreira onde se tinha escondido. no outro dia de manhã restavam umas penas do banquete do gato. a restante família tinha partido, não havia nada a fazer, como dizem os pseudo-jornalistas-ficcionistas das notícias.

quanto mais reclamo durante os noticiários da noite mais me convenço de que chegou a terceira idade.

antes do livreiro li Maalouf e a vida do seu profeta Mani, grandemente ignorado para além da palavra negativa que deixou, o maniqueísmo. seja como for não deixa de ser uma sequência tristemente interessante entre o homem que ressuscita vidas, cidades, civilizações e a mulher que testemunha o seu enterro.

o que é o verdadeiro amor: veja-se Coming Home. não precisava de ver, já sabia como era.

tenho uma colecção de histórias para recontar a partir de um livro de culinária da anatólia. passo dias a ler e a escrever, mas não aquilo que desejaria.

sobre 'desejaria', aí está outra coisa que me irrita moderadamente: o uso abusivo do condicional e do futuro para dar a entender especulação. um pouco como o livreiro: finge que é uma história mas é uma opinião, finge que é esperança e é embuste.

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fotos não minhas claro do livreiro que é pessoa e não personagem e da sua livraria, o centro do seu império.






i don't want to do anything to your country, please don't do anything to mine.





"Without books it's impossible to reconstruct Afghanistan.", from the real one.

a autora norueguesa vendeu 60 milhões de cópias do livreiro, 25 milhões de dólares a escrever segredos de família. o livreiro aborreceu-se, afinal ela tinha roubado mais do que postais. o sucesso dela, a ver bem, trouxe-lhe fama e proveitos inesperados. uma realidade mais romanesca pós-livro do que o mau livro.








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