Tuesday, August 25, 2015

macarena


as miúdas contratadas para dançar a macarena em frente a um restaurante de carne que abriu talvez este ano. o dinheiro voltou a fluir e vejo-o por todo o lado, mas houve um reshuffle de mãos e os danos colaterais dos que foram comidos, para dar continuidade às imagens.
no outro dia lembrei-me de mim há trinta anos, aventureira eléctrica e pensei que o zen faz bem aos nervos mas que no meu caso resulta em que viva um vida contra natura. se durará não sei. envelhecer também deve ser isto de azedar com algumas coisas e adoçar com outras: o azedume já o descobri. se eu fosse lançada agora neste mundo a vida seria doce e agradável. a memória é que é madrasta e lembra-me a cada instante das oportunidades perdidas, do que se teve na mão e se falhou e não estou  agora a falar de mim mas de nós, grupo-nação. é dar umas voltas por albufeira e arredores para ver o que digo. descubro um hospital dos lusíadas nos arrabaldes e lembro-me do de Faro, onde estive há muitos anos numa urgência, com mulheres a largar crianças (esta parte não é nova), os médicos em greve e em falta, e as demais tragédias. quantos hospitais privados existem hoje no Algarve não sei, os objectivos devem ter sido bem cumpridos: os cuidados para quem os paga e os cuidados para os outros (duzentos mil euros para tratamento oncológico no supra-sumo de Belém). evoluímos do estado novo em que havia os cuidados para alguns e os não-cuidados para os outros. se alguém duvida disto lá está a memória, é ler os Esteiros de Soeiro Pereira Gomes. que grande livro, inesquecível. tive de o ler na escola e não ficou nada senão uma leve aversão. aquele é um livro para adultos. e assim passo das miúdas a dançar a macarena às ruas de pó de Alhandra. o que diriam aqueles miúdos se as vissem, que visão. e o que vejo eu.

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