toca um Stradivarius, de Cremona. em 1566, Andrea Amati construiu o violino "II Carlo IX di Francia".
(Architect of Sound)
light gazing, ışığa bakmak
Sunday, July 31, 2011
Vengerov
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Friday, July 29, 2011
resultados práticos de limpar o pó
almocei com a segunda Conta Corrente da nova série.
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"Penso, logo peco."
(ideias ainda em construção, as minhas)
penso que deva ser coincidência duas 'Marias, as loucas' terem passado por Lisboa num tão curto intervalo de tempo: primeiro, a Rainha Louca, ópera em estreia de Alexandre Delgado, e agora D. Maria, a Louca de Maria do Céu Guerra n'A Barraca, com um excelente texto de Antônio Cunha. são algumas as semelhanças interessantes entre ambas: a entrega das intérpretes à personagem que praticamente domina toda o espaço do palco como figura trágica, a existência de uma criada negra que na ópera não canta e que no teatro não fala, a revisão da história, a humanização de uma figura que era até aqui pouco mais do que um 'cognome'. outro ponto de contacto: onde na obra de A. Delgado vi as bruxas de Macbeth nas três cortesãs, aqui claramente está Lady Macbeth a lavar as mãos, esta não do sangue do crime mas da sujidade da culpa que a água benta teima em não limpar. seria interessante seguir o tema da sujidade no texto ("Se vazia fosse, pura seria"). aliás, este texto é uma prenda oferecida ao público e, como em outras ocasiões n'A Barraca, tenho pena de não o poder lá comprar para reler todas as vezes que ele merece.
a diferença que me parece mais evidente entre os dois espectáculos é a sua origem: a Louca de A. Delgado baseia-se num texto do português Miguel Rovisco (sobre o qual esta carta diz muita coisa), a de Maria do Céu Guerra tem texto de Antônio Cunha, de Florianópolis. em ambos os lados do 'great divide' encontram-se afinal as ideias. outra diferença: a obra de Delgado foi uma estreia lisboeta, a de A. Cunha estreou em 2006 no Brasil.
à parte a História que nos (a nós público) é contada o que, penso, é um acto generoso e que convém abraçar como a uma benção divina em tempos, os de agora, de apagamento da história, gostei disto: o facto de Maria do Céu Guerra emprestar o corpo de forma magnífica, como sempre se espera dela, para fazer viver esta rainha (outra forma de generosidade: podia ter-se dado a outra personagem e não a esta rainha); o facto de a criada preta ser verdadeiramente ninguém, sem voz, sem corpo, sem sequer ser actor a quem pudéssemos aplaudir. e gostei de tantos momentos de crítica social: as mulheres (o rei de França não manteve a cabeça por usar calças), a maçonaria, que se espalha como peste, a monarquia e o povo, os impostos, a figura de Tiradentes e a liberdade, a água do rio que fugia entre os dedos como areia pela última vez, o exílio.
em pouco tempo vi três actrizes interpretando personagens a que já chamámos loucas, num crescendo de intensidade, não da loucura, mas da interpretação: Alexandra Lencastre como Blanche Dubois, Eunice Muñoz como Flora Goforth, e Maria do Céu Guerra, esta D. Maria. há anos, Carmen Dolores foi a velha na cadeira de baloiço de Rockaby, de Beckett, mas essa era outra loucura.
até dia 31, n'A Barraca: convém ir a correr e marcar lugar logo à porta.
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A corte Portuguesa parte no mês de Novembro de 1807 para o Brasil. São 15000 almas embarcadas numa enorme frota para defender da Invasão Francesa a coroa e o corpo. Em Fevereiro de 1808 chega à Baía de Guanabara. O Principe Regente não autoriza o desembarque imediato de sua mãe a rainha louca.
D. Maria é durante dois dias uma rainha fechada no mar e passa em revista o casamento, a morte do filho, a sujeição à igreja, tudo o que foi a sua acção pública e privada e assusta-se com a chegada a uma terra que viu nascer e morrer Tiradentes o único homem sobre o qual ela usou o seu “direito de mandar matar”.
D. Maria está louca mas é dona de uma loucura que a protagonista define de forma magistral “a loucura não é uma porta que se nos fecha mas muitas janelas que se nos abrem, só que todas ao mesmo tempo”. A filha de D. José foi a primeira mulher que ocupou o trono. “Uma rainha num reino de homens”. daqui.
Maria do Céu, para ouvir aqui.
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TAGS teatro
Thursday, July 28, 2011
cais de pesca
os maiores ficam na sombra dos barcos, disputam o espaço. os mais pequenos nadam fora da sombra dos cascos, em cardumes que devem ser organizados mas que não olho durante o tempo suficiente -e assim não os ouço ('vamos'!). alguns ocupam a casa grande e lá andam, nos quartos agora vazios. ou podia dizer isto de outra maneira: tinha peixes lá dentro.
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TAGS Stuff
Wednesday, July 27, 2011
Tuesday, July 26, 2011
"scomposizione della personalità"
diz Pirandello do seu romance Uno, Nessuno e Centomila - que começa com um nariz. (Gogol-Pirandello). ou 1809-1867. Pirandello também é uma visita de Rui Manuel Amaral. descontando o outro humor mais básico, o da humilhação (que existe sobretudo fora da literatura), seria interessante fazer uma genealogia do absurdo físico: quando uma parte do corpo se rebela ou se revela autónoma, o que sucede em quase metade dos contos de Doutor Avalanche.
para ler também, aqui.
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TAGS Gogol, Pirandello, Rui Manuel Amaral
to do
Vanilla Pear Jam. feito e distribuído.
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TAGS casa de pasto
Freud
como uma landscape e ao contrário das prateleiras das livrarias hoje, existe uma paisagem no tempo que os calendários de vendas e as audiências da comunicação social ajudam a apagar. demasiados hojes (Lampedusa dizia em I Racconti que todas as pessoas deveriam ser obrigadas por lei a manter um diário, afinal uma realidade hoje e sem te sido necessária a obrigação. o resultado da multidão não podia ser previsível para Lampedusa); poucos ontens.
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TAGS A arte pela arte, Lampedusa, memória
Brenner/Brennero ("Strength Through Joy")
da Life. tudo correndo conforme previsto, tenho meia hora. neste local geograficamente sui generis onde tiveram lugar acontecimentos monumentais. existe hoje um luxuoso outlet para compras de marcas distintas. talvez existam pontos georeferenciados que funcionam como termómetros da situação humana em determinada área. se existirem, este é um deles.
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TAGS it11
Monday, July 25, 2011
'pou profund'
"Venècia es veu a l'horitzó. S'endevina, tot just, mig submergit, el perfil de taques baixes i apaïsades de color de canyella. A sobre hi ha uns torterols de fum, d'una blancor mòrbida, i uns grumolls tórtora. A mesura que el tren avança, sense córrer, els seus sorolls s'ofeguen en el gruix de les aigües. Hi ha un moment que us sembla haver girat una cantonada de silenci. Us aneu acostant a la vila i sentiu com si us anéssiu amollant a baix d'un pou profund. Una quietud de to llunyanament greu, digitejada pel xipolleig de les aigües, ja no us deixa més à Venècia. És la impressió d'arribada."
diz Josep Pla em Cartes d'Itàlia.
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Sunday, July 24, 2011
jantar eborense
no piso superior do Museu de Évora.
gostei de fazer isto, tanto como gostei de entrar neste museu que não tinha ainda visitado. Évora é uma outra baixa pombalina na minha vida, onde passo com quase a mesma frequência. quem sou quando passo, um jogo de semelhanças de cada vez. voltando: gostei da colecção de naturezas-mortas, poucas flores neste caso, mas várias refeições, algumas de Josefa de Óbidos. a cesta de bolos foi o que me atraiu ao museu. se olhar um só ponto da imagem e de um ponto de vista só, isso é ver menos? assim era o reading with a purpose, que praticava há alguns anos.
todas as imagens estão cortadas pela medida de um centro imaginário para onde olhei. adulterar a vista, a leitura.
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Ana V.
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TAGS Évora11





